Altered Beast (Mega Drive) – Tá saindo da jaula o monstrão de Zeus!

Fabio Zonatto / 6 de abril de 2017 / Análises, Mega Drive

Hoje é dia de mais um grande clássico produzido e publicado pela Sega: quem não se lembra com carinho de Altered Beast?

Estamos falando de mais uma conversão advinda de um dos Arcades de sucesso da empresa para suas plataformas caseiras, apenas um ano após o jogo chegar com grande sucesso aos fliperamas gringos – seu lançamento original havia sido em 1988, e já em 89 os proprietários de um console Sega podiam combater o demoníaco Neff e seus lacaios no conforto de seus lares.

Como habitual, a Sega esforçou-se bastante para manter a qualidade da máquina em suas plataformas 16 e 8 bits – o que brindou principalmente o Mega Drive com uma ótima versão de Altered Beast, em alguns aspectos até melhor que a versão original – com mais camadas de pixels mostradas na tela, os cenários mostravam mais movimento e imersão que os vistos no original do Arcade!

Muito bem, é chegado o momento de partirmos nesta jornada em nome de Zeus para salvarmos a bela Athena das garras do maligno Neff. Não importa como você pronunciava a célebre frase na época – o que importa de verdade é que está na hora da porrada! Então:

“Rise from your grave”, centurião preguiçoso!

Altered Beast: uma história de amor, monstros e esteroides místicos

Antes de partirmos para a aventura propriamente dita, sempre é bom primeiro sabermos pelo que estamos prestes a lutar. Como já dissemos em Streets of Rage, nestes anos áureos para os videogames, o elemento “trama” não era visto (nem pelas produtoras, nem pelos gamers) com aquele foco tão evidente atualmente.

Portanto, o que temos para hoje é o seguinte: na Grécia mitológica, a deusa Athena foi raptada pelo demônio Neff a mando de Hades, o deus dos mortos. Sendo a filha do grandioso Zeus que está em apuros, o próprio paizão não fica parado e toma providências para salvar a garota.

Neste momento, entra em cena o seu personagem – um centurião mítico já morto há eras que é trazido de volta da cova para servir como o campeão de Zeus. Uma vez que o deus do trovão acredita ser melhor mandar você que ele mesmo partir em busca da filha em perigo (o que nos faz pensar que Zeus deva ser muito preguiçoso ou é somente um pai relapso – e um certo Kratos concordaria com isso), melhor arregaçar as mangas e começar a espancar alguns asseclas de Neff!

Power Up! (ou “Birrrrrl!!!” se preferir)

A mecânica de Altered Beast é das mais simples e auto-explanatórias possíveis: avance da esquerda para a direita em 5 estágios enquanto desce o braço e a bicuda em tudo que encontrar pelo caminho.

Os comandos são simples: o herói pode socar, chutar, abaixar-se e pular. Durante o salto e enquanto se abaixa, é também possível atacar (vale a dica: chutar abaixado faz com que o personagem execute um ataque para cima, ótimo contra inimigos voadores inconvenientes). A resistência do centurião é boa, de forma que ele consegue aguentar muita porrada antes de perder um nível em sua barra de energia.

Porém, a principal mecânica que fez de Altered Beast o sucesso que foi trata-se do sistema de “Power Up” – tornar seu herói cada vez mais forte ao recolher esferas de poder, até que finalmente ele transforma-se em um ser meio homem, meio fera com habilidades incríveis.

Encontrar estes power-ups também não é tarefa das mais complicadas: basta ficar de olho na tela, aguardando surgir um Cérbero (cão de três cabeças) de pelagem branca. Quando abatido, o animal libera uma esfera cinzenta com um pequeno raio, que começa a flutuar pela tela e deve ser rapidamente coletada.

A cada esfera ganha, o personagem vai alterando seu forma enquanto passa pelos seguintes níveis:

  • Ao pegar a primeira esfera mística, o herói já evoca o espírito do bodybuilder: sua camisa se rasga e seu ataques ficam mais poderosos;
  • Ao conseguir duas, a massa muscular do cara vai parecer com a de Arnold Schwarzenegger quando era Mister Olimpia, e seus socos e chutes ficarão ainda mais fortes;
  • Finalmente, após coletar a terceira esfera, o centurião abandona sua forma humana e torna-se um metamorfo animalesco, com ataques diferenciados e devastadores.

Saindo da jaula o monstro!

Após a transformação, o gameplay de Altered Beast muda completamente. Cada fera vem com seus próprios ataques, e estes são muito diferentes – e bem mais poderosos – que os ataques pré-metamorfose. Os novos movimentos, inclusive, são agora acionados pelos botões que antes respondiam pelos socos e chutes convencionais.

Em cada um dos estágios, o centurião se transformará em uma fera diferente. Geralmente, suas habilidades especiais naquela forma são específicas para ajudá-lo a ultrapassar perigos e obstáculos encontrados na fase, bem como também são adequadas para o encontro com o chefão daquela área.

Ao todo são cinco transformações, com apenas uma delas repetindo-se (o lobo do primeiro estágio é bem similar ao lobo dourado visto no último). Confira o que cada uma faz:

  • Lobo: fera da primeira fase, só pra você ir pegando a manha da coisa. Seus ataques são o disparo de bola flamejante (botão de soco) e o dash de energia (botão de chute), que atropela os inimigos;
  • Dragão: já no segundo estágio, a coisa muda bastante – o centurião pode assumir a forma de um dracônico voador que dispara raios (com o botão de soco) e dá choques à la Blanka, de Street Fighter (botão de chute);
  • Urso: nas cavernas rochosas, o espírito do grande urso será invocado após coletar-se a terceira esfera do poder. O animal é capaz de “latir” uma curta onda de energia (botão de soco) e também pode atacar saltando com o giro do mascote Sonic (botão de chute);
  • Tigre: no penúltimo desafio de Altered Beast, o centurião poderá assumir a forma de um meio-tigre para detonar as criaturas. No entanto, a aparência é basicamente a única novidade já que seus ataques são bem semelhantes ao do lobo;
  • Lobo Dourado: na área final, uma pequena decepção para quem achava que se transformaria em algo tremendamente diferente e poderoso – o herói assume a forma de um lobo dourado ao melhor estilo Super Sayajin. Seus ataques, embora idênticos aos da primeira fase, agora são muito mais poderosos.

No modo para dois jogadores, ambos se transformarão nas mesmas feras, somente apresentando cores diferentes.

Importante lembrar ainda de que o chefe da fase não poderá ser enfrentado enquanto o herói não estiver na forma de animal. Isto significa que, se o jogador continuar a perder esferas de poder, o estágio somente vai continuar infinitamente até que três delas sejam recolhidas.

Salvando Athena do Tio Chico

O desafio que o jogador encara em Altered Beast – embora aparentemente casca-grossa – não é dos maiores que você encontrará no Mega Drive. Embora por vezes os inimigos sejam numerosos na tela, a grande maioria morre rapidamente ou simplesmente é lerda demais para lhe causar algum dano antes de ser destruída.

No entanto, há características que deixam o desafio um pouco maior: a mais notável talvez seja a de que a tela avança sozinha, o que obriga o jogador a prosseguir sem parar (em estágios onde há abismos, isso pode ser bem inconveniente). Além disso, a vida perdida durante a fase não é recuperada para o nível seguinte, tampouco existe qualquer power-up ou item que a restaure.

Da mesma forma, após enfrentar-se um chefão de fase, o herói perde todas as suas esferas de energia mística. Assim, é necessário recomeçar toda a coleta de esferas novamente do zero na próxima fase.

Sobre os chefões, bem… Não há realmente muito a se dizer sobre eles.

Todos são apenas formas demoníacas do vilão Neff, que ao final de cada fase assume o aspecto de algum monstro bizarro que tentará pôr um fim ao resgate de Athena. Claro, pois em sua forma original de Tio Chico (ou Tio Fester, da “Família Addams”), ele não teria mesmo muita chance contra o escolhido de Zeus.

Contudo, exatamente neste ponto parece que a Sega simplesmente não soube dosar muito bem a fórmula “poder da metamorfose do herói versus poder do chefe”, o que resultou em combates relativamente simples e pouco desafiadores. Pegue como exemplo o demônio ao final do segundo estágio e perceba a triste realidade estampada em nosso review.

Para exterminar de vez qualquer dúvida de que você verá mesmo o final do jogo, chame um amigo para jogar em dupla – isto literalmente transforma qualquer dificuldade presente em Altered Beast algo quase que casual.

Departamento técnico – como a besta alterada se segura?

É completamente perceptível o empenho da Sega em tentar trazer o máximo da experiência gráfica e sonora criada nos Arcades para o Mega Drive – levando-se em consideração as diferenças técnicas, a versão para o 16 bits passa longe de fazer feio.

O estilo dos gráficos é bem retrô, com muitas explosões de pixels e modelos de personagens simples. Porém, o que heróis e demônios tem de monótono nos traços, compensam em criatividade: são diversos tipos de inimigos, alguns simplesmente bizarros até demais. Não é difícil que você se pergunte o que diabos está fazendo enquanto enfrenta bodes pugilistas e unicórnios roxos!

A estrela brilha mais forte nos cenários: nestes, há bastante variedade e bom nível de detalhamento. Como também já mencionado no começo do review e especialmente para o Mega Drive, a Sega esmerou-se ao produzir ambientes em três camadas distintas. Quando sobrepostas e movendo-se cada uma ao seu tempo, dá-se a impressão de maior profundidade.

Nos efeitos sonoros e trilhas, vai tudo muito bem, obrigado.

Enquanto os sons de porradas e impactos não são nada espetaculares, as vozes por outro lado são bem digitalizadas e funcionam bem. Sejamos menos chatos e admitamos: se ouvirmos com boa vontade, tanto o “Rise from your grave!” quanto o “Power up!” e até o indefectível “Welcome to your doom!” do Tio Chico são bem nítidos (o que não muda o fato de que é muito legal tirar um sarro com tais famosas frases).

As canções são algumas das mais épicas que o Mega Drive já viu passar por seus horizontes: é quase impossível não cantarolar ou assoviar, por exemplo, a música-tema de Altered Beast assim que a ouvimos. Porém nem tudo é perfeito, já que as algumas trilhas se repetem ao longo das fases. Que bola fora!

Entre lobos e dragões, o que vale é a diversão

Embora geralmente lembremos de Altered Beast com boas doses de saudosismo e carinho, que a verdade seja dita: o jogo não envelheceu lá muito bem. Com o passar dos anos (sobretudo na primeira parcela da década de 90), o Mega recebeu toneladas de títulos de ação plataforma/beat’em up que são verdadeiramente superiores à este velho cartucho.

Porém é inegável o fato de que Altered Beast deixou sim um legado definitivo, não somente na história do console, como também na dos videogames em geral. O jogo foi portado para toneladas de plataformas além do 16 bits da Sega (até o MSX e o Commodore 64 foram lembrados), e marcou época a despeito de seu desafio relativamente baixo e limitações técnicas.

Nossa dica: pegue uma hora (literalmente, você nem precisa de mais que isso) para bater o jogo de ponta a ponta e tire suas próprias conclusões – para nós, são sempre minutos de diversão e nostalgia. Só cuidado se for chamar um amigo para jogar junto, pois a brincadeira pode acabar em um piscar de olhos!

Vídeos

Altered Beast (Mega Drive): Longplay – Fonte: World of Longplays

Dicas

Continue de onde parou

Se você perdeu todas as suas vidas, não se desespere: assim que surgir o temível “Game Over” na tela, imediatamente segure o botão A e comece a apertar o botão START repetidamente até recomeçar após a tela-título.

Pronto! Você pode continuar jogando exatamente do fase em que morreu anteriormente.

Jukebox

Que tal curtir as músicas de Altered Beast livremente? Para acionar a jukebox (sound test) do jogo, simplesmente na tela-título pressione juntos os botões A + C + direcional para a diagonal superior direita. Segurando estes botões, aperte em seguida o botão START.

Agora é só escolher a trilha e relaxar ao som de música de qualidade.

Seleção de fases

Pra mamata ser completa, você também pode começar jogando do estágio que quiser! Fazer isso é tão fácil que até parece brincadeira: na tela-título, segure o botão B e aperte START. Ao surgir a palavra “Stage”, você só terá de escolher o número desejado e novamente apertar START.

Finalmente, ao retornar automaticamente à tela-título, aperte e segure o botão A e pressione START uma última vez. Agora é só detonar!

Compartilhe com a galera:

FacebookTwitterGoogle+

Leia mais sobre: , , , ,


Leia a Revista Jogo Véio

Revista Jogo Véio - Gratuita, pra ler no PC, no Tablet e no Smartphone

Junte-se ao Asilo