Beat Cop: Alguém gosta de donuts?

Eduardo Paiva / 24 de Maio de 2017 / Quase Véios

Origem e História

Seguindo a tendência dos jogos revisados nesta coluna, Beat Cop é mais um bom exemplo do que a nostalgia é capaz de fazer. Desenvolvido pelas mentes criativas do pequeno estúdio indie Pixel Crow, situado na Polônia, Beat Cop é uma homenagem aos filmes e seriados com temática policial dos anos 80, como Miami Vice, Dirty Harry e companhia. É uma aventura retrô feita em pixel art, mas ao mesmo tempo possui uma dinâmica de jogo que traz um pouco de ar fresco aos games retrô modernos.

Jack Kelly é um detetive experiente que acaba sendo acusado de roubo e assassinato ao atender um chamado na casa do senador de NY. Agora, com sua reputação jogada na lata do lixo, transferido para outra divisão e com pouquíssimos aliados, cabe a Jack limpar a sua própria barra antes que algo pior aconteça. E claro, sem se esquecer dos seus novos deveres como policial de rua, como lidar com bandidos, a máfia local e as loucuras que só uma rua no coração de Nova Iorque pode proporcionar às forças da lei.

Apresentação

O trabalho de pixel art de Beat Cop é sensacional. Digo isto porque é simples, até mesmo para um trabalho deste tipo, porém possui um estilo único e inconfundível que permite que você identifique quase que instantaneamente todos os elementos na tela, como personagens, carros e principalmente seus alvos. Seja o cartaz de uma seita satânica que acabou de ser colado em uma parede ou o policial gordinho e comedor de donuts, característico dos anos 80, tudo está ali, misturado com harmonia e com distinção suficiente para serem achados.

A trilha sonora segue a proposta do jogo e se encaixaria como uma luva em qualquer seriado da década de 80 e apesar de todas as mil coisas que podem acontecer ao mesmo tempo em uma rua de Nova Iorque, a grande jogada do time de desenvolvimento foi abstrair a maioria dos sons que poderiam contribuir para a poluição sonora do jogo, uma escolha que na minha opinião foi muito acertada. Você ouve os carros passando, o burburinho dos pedestres, as sirenes da polícia e muitas outras coisas, mas em nenhum momento fica confuso ou cansativo. Fora que, cada loja do quarteirão que você consegue entrar, possui uma música ambiente diferente e estilosa, como a da cantina italiana do Louie’s que fica no número 609.

Gameplay

O jogo acontece em sua grande parte em uma calçada de NY onde todo dia de manhã você recebe suas tarefas diárias na delegacia e vai para as ruas manter (ou tentar manter) a ordem. Fato é que muita coisa acontece naquela calçada. Você tem que cumprir seu dever de oficial da lei multando carros estacionados irregularmente, com lanternas quebradas e etc., prendendo criminosos, ajudando os cidadãos e moradores e ainda lidar com o submundo da máfia e da gangue local.

Paralelamente a tudo isso, você tem que resolver a sua situação como suspeito de um crime que não cometeu e em meio a todo esse caos, as missões principais do jogo são para investigar quem e porque você foi incriminado e descobrir a verdade por detrás de toda essa armação.

O jogo exige um equilíbrio muito delicado entre suas ações, já que se você deixar de cumprir a lei, seu chefe vai pegar no seu pé ao mesmo tempo que se você desagradar muito a criminalidade local, surpresas podem acontecer. Vire uma pedra no sapato de alguém e pronto, você se descuida e é morto, vem uma tela de Game Over e você fica olhando para ela, pensando quem ou o que provocou sua morte. Fora a pensão que você tem que pagar a sua ex-mulher, muito mais do que o seu salário como policial. Já deu para ver como a vida de Jack está virada do avesso né?

Felizmente o jogo possui um sistema muito interessante onde você pode voltar ao dia anterior e tentar mudar o seu destino, o único ponto negativo é que você não pode salvar o jogo quando quiser, sendo ele salvo sempre no início de cada dia. Portanto, se você falhar em alguma tarefa e quiser tentar novamente, vai ter que refazer o dia todo.

Veredito

Beat Cop é um game divertido e com humor sarcástico, no melhor estilo Máquina Mortífera e Um Tira da Pesada, que vai fazer você se sentir de volta na década das roupas coloridas e cabelos engraçados e com um gameplay sólido e divertido, é um bom passatempo para quem está cansado de jogos onde a essência é correr, pular, atirar e repetir.

Seu trabalho audiovisual é um bom exemplo de que menos é mais e de que não é preciso gráficos realistas e modernos para se fazer um bom jogo, agradando tanto os fãs de games retrô como qualquer um que esteja disposto e com mente aberta para ajudar o pobre Jack Kelly a salvar sua reputação e sua vida através do caótico cenário apresentado no game.

Beat Cop está disponível no Steam desde o dia 30 de Março de 2017.

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