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25 anos de Breath of Fire: a série de JRPG da Capcom

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Uma das minhas melhores e mais queridas memórias de juventude é relacionada à bicicletas, e também com Breath of Fire. Eu tinha o costume de, uma vez por semana, pegar minha bike e ir até o centro da cidade checar se havia chegado algum jogo novo nas minhas lojas favoritas. Tendo mudado de cidade, fui sozinho na primeira vez que realizei tal tarefa, já que ainda não havia começado o ano escolar e eu não conhecia ninguém. Para minha imensa surpresa e alegria, essa foi a primeira capa que eu bati o olho  já na nova cidade:

Breath of Fire III é, ainda hoje, um dos meus jogos favoritos. Para todos os efeitos, eu gosto bastante da série como um todo, e já havia gastado um bom tempo com os dois primeiros jogos no emulador de SNES. É engraçado como BoF é uma das séries mais celebradas pelos jogadores de JRPG, ao mesmo tempo em que sempre esteve muito longe dos outros grandes nomes em termos de vendas. Há todo um carisma naquele mundo e em suas diferentes aventuras que capturaram a atenção e a afeição dos fãs.

Mas essa história começou há cerca de 25 anos atrás, com o lançamento japonês de Breath of Fire para o Super Famicom, em 3 de abril de 1993. Ele foi criado para ser o RPG da Capcom, e, como esperado, acabou tornando-se uma série. Quando pensamos em Capcom, naturalmente alguns nomes vem logo à nossa mente: Mega Man, Resident Evil, Street Fighter, Ghosts n’ Goblins, por exemplo. Toda essa gama de personagens que a turma cansou de controlar nos jogos da franquia Marvel vs. Capcom.

Mas se a Capcom foi importante, e muitas vezes protagonista, em diferentes gêneros, ela também deu sua contribuição para os JRPGs. Para o delírio do Véio, tinha que ter um Ryu envolvido.

A série de RPG da Capcom

Com 6 títulos e 2 grandes mudanças na produção e direção da série, ainda existe algo que une toda a franquia. Breath of Fire conta a história de uma raça que pode se transformar em dragão (e dragões que podem se tornar humanos), geralmente contrapondo duas diferentes perspectivas, ou clãs.

O primeiro Breath of Fire, de 1993, traz a história de um Ryu, descendente do clã dos dragões da luz, combatendo as ambições de Zog, o imperador do clã dos dragões da escuridão. O título trouxe uma visão isométrica para a batalha, além de uma maior gama de animações nas ações de ataques e habilidades. Curiosamente, quem distribuiu o jogo no mercado americano foi a Squaresoft. O game seria relançado para Game Boy Advance em 2001, e para 3DS via Virtual Console em 2016.

Breath of Fire II, de 1994, também foi publicado para o Super Nintendo. O Ryu da vez acabou esquecendo o seu passado, e precisa descobrir a verdade sobre si próprio e sobre a Igreja de Santa Eva. Além de melhorias no visual, BoF II trouxe uma nova gama de opções para o sistema de transformação. Esse é outro que também chegou ao GBA em 2001, e ao 3DS em 2016.

A estréia no PlayStation veio com Breath of Fire III, de 1997. Além da diferença visual, agora em ambientes 3D, o jogo também trouxe uma história mais bem trabalhada. Nosso terceiro Ryu é o único descendente dos, agora extintos, dragões, e precisa partir em uma jornada para conhecer sua verdadeira identidade e a história de seu clã. Contando com um sistema ainda mais avançado de transformações, BoF III foi o maior sucesso comercial da série. Uma versão de PSP foi publicada em 2005.

Já o celebrado Breath of Fire IV chegou em 2000, também para o PlayStation. Com um enrendo ainda mais instigante, colocando os clãs de dragão no campo das divindades, controlamos Ryu em busca de uma resolução com Fou-Lu. O visual estava ainda mais caprichado, fazendo com que esse seja um dos mais importantes jogos da série.

Breath of Fire V: Dragon Quarter, chegou ao PS2 em 2005. O título é completamente diferente, e desagradou a parte mais conservadora da base de fãs. Particularmente, acho um excelente game em diversos aspectos, e admiro a forma como os desenvolvedores tentaram brincar com diferentes opções de design e narrativa. Dragon Quarter acabou vendendo menos que seus antecessores, acompanhando também o declínio de popularidade que os JRPGs sofreram naquela geração e na posterior.

Breath of Fire VI é o mais distante da gente. Lançado apenas no Japão como um MMO para celulares, e depois para computadores, os servidores do título já foram desligados, fazendo com que essa experiência esteja perdida.

Como mencionado anteriormente, os dois primeiros jogos tiveram diretores e produtor ( Tokuro Fujiwara) diferentes de BoF III-IV-V, cujo produtor foi Hironobu Takeshita, um importante membro da Capcom. Já o sexto título foi encabeçado por uma equipe diferente.

A lenda do dragão continua

Não existem rumores mais sólidos sobre uma possível retomada da franquia, mas talvez alguma novidade sobre isso ou relançamentos pipoque nesse mês de abril, já que estamos comemorando os 25 anos de BoF.

Nas próximas semanas iremos mergulhar profundamente em cada um dos jogos, começando com Breath of Fire quinta-feira que vem. A ideia é retraçar todo o caminho da série, comentando a jogabilidade, a narrativa, o mundo e os personagens construídos para essa importante franquia.

Nos vemos na semana que vem para iniciarmos a primeira série especial da coluna. Não deixem de comentar e relembrar suas histórias com essa querida série.

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