Castlevania (NES) marca o começo da saga do clã Belmont

Paulo Henrique / 24 de dezembro de 2016 / Análises, NES

Talvez soe estranho para as pessoas mais novas quando nós, véios, falamos que jogamos os clássicos, como o Castlevania, num videogame “clone”. Hoje, por exemplo, é difícil de se pensar em um console que seja a imitação do Playstation 4 ou do Xbox One. Na verdade, por ai, até deve haver um sistema que esteticamente é parecido com os grandes consoles do mercado. Quando você for verificar a sua capacidade de rodar jogos, porém, vai ficar admirado. Provavelmente, ao invés de haver um espaço para se inserir um disco, você vai encontrar um lindo slot de cartuchos de NES.

Se essa realidade é esquisita para os dias de hoje, houve um tempo em que isso era o padrão. Numa época em que a Nintendo não tinha representação oficial no Brasil, os clones do Nintendinho fizeram a felicidade da criançada. Assim, aqui no Brasil, muitos dos clássicos ficaram conhecidos por meio desses videogames alternativos, como o Turbo Game, o Polystation ou o próprio Phantom System. E foi num deles que, na casa de um amigo, tive a felicidade de conhecer o grandioso jogo do matador de vampiros.

Amor à segunda vista

Se descartarmos as romantizações dos primeiros encontros, várias pessoas vão falar que Castlevania, no primeiro momento, não era o jogo mais gostoso de se jogar. Um dos principais motivos disso é que Simon Belmont, o protagonista do título, tem uma característica marcante que acabou se tornando um padrão para a maioria dos heróis da série. Às vezes parece que ele tem pedras nos sapatos. Não, você não leu errado. O caçador de vampiros tem uma movimentação extremamente travada e pesada com a qual, inicialmente, é difícil de se acostumar.

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Com o tempo e com a insistência, porém, essa jogabilidade mais cadenciada acaba se tornando natural. Nesse ponto, o jogador geralmente tem mais domínio sobre as capacidades de pulo, de movimentação e está acostumado com a punição de ser jogado para trás ao se tomar um hit. Entendidos esses conceitos, a aventura se torna menos injusta e mais desafiadora e é aí que o jogo mostra ao que veio. O chicote, a arma principal, é extremamente gostoso de se usar. As armas secundárias são úteis nos momentos certos e o título exige muita habilidade do jogador, mas sem se tornar frustrante.

Armamento pesado

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Para combater os inimigos, o herói faz uso de alguns equipamentos. São eles: o chicote vampire killer – a arma sagrada do clã Belmont, um relógio, que congela os inimigos, uma adaga, um machado e um crucifixo, que causam dano físico e a água benta que tem os dois efeitos combinados. O jogador tem direito de usar o chicote, que é fixo, e uma das outras armas, que são coletadas ao decorrer do jogo. O uso dessas armas não é infinito, porém. A munição é recarregada com os corações que saltam dos bichos, quando eles são mortos. Muitos chefes são facilmente derrotados quando se usa a arma certa para eles.

Uma aventura cinematográfica

Nas primeiras vezes que jogamos Castlevania, não percebemos, necessariamente, uma lógica nos elementos da aventura. A história se inicia com uma tela de apresentação com o título do jogo e vários quadrados no topo e na base da tela. Avançando, encontramos um ambiente escuro com castelos, cavernas, calabouços e com vários monstros e chefes que parecem ter sido retirados das telas de cinema. Enfrentamos zumbis, duendes, um enorme morcego, armaduras, a própria medusa, múmias, o Frankstein, a morte e, no fim, o próprio Drácula!

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Não felizes com essa miscigenação de elementos, a equipe de criação foi mais longe: nos créditos de finalização, o primeiro nome que se aparece é o do diretor “Trans Fishers”, logo depois o roteiro de “Vran Stoker” e a trilha de James Banana. Aqui temos, respectivamente, Terence Fisher, grande diretor britânico, Bran Stocker, o criador do grande obra literária “Drácula de Bram Stocker” (um dos meus livros favoritos) e James Bernard, o compositor da trilha do filme do Drácula de 1958, no qual o morcegão era interpretado por Christopher Lee, que no jogo foi creditado como “Christopher Bee”.

Um canto aos filmes de horror

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Onde esses pontos todos convergem? Sim, é possível se pensar que Castlevania é uma grande homenagem aos filmes de horror, principalmente aos do estúdio Hammer Film Productions, local onde as pessoas creditadas trabalharam e onde vários filmes do estilo foram lançados. Aquela tela de início provavelmente é um rolo de filme e a tela do final do jogo provavelmente trabalha com o conceito dos créditos na finalização de filmes, pois as funções lá descritas são todas referentes ao cinema e os nomes relativos aos funcionários da Konami sequer são comentados.

Homenageados, podemos ver os filmes: A Maldição de Frankstein (1957), Horror of Dracula (1958), The mummy (1959), The Gorgon (1964) e o The plague of the zombies (1966), entre outros.

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A história por trás do Castlevania clássico

O jogo, propriamente, não fala sobre as motivações de Simon ou mesmo sobre os atos maléficos de Drácula. Assim, fica a grande questão: “Por que o protagonista está arriscando a sua vida para derrotar o homem morcego?” Se há algum lugar em que esse ponto seria desenvolvido, esse lugar é o manual de instruções. O livreto, porém, também carece de mais informações sobre a trama. Para entender melhor a história, então, vamos recorrer ao jogo Castlevania Chronicles (PS1). Ele é um port do jogo Akumajou Dracula para o popular computador Sharp X68000. Esse título, por sua vez, é um remake do Castlevania original.

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A história acontece na Transilvânia, onde a lenda de Drácula é contada às crianças, na hora de dormir. Segundo a história, “a terra é protegida pelas forças do bem, porém, a cada 100 anos, as forças do mal prevalecem.  Assim, pessoas com o coração ruim começam a fazer orações impronunciáveis e Drácula, o príncipe das trevas é ressuscitado. A cada vez que ele volta, seus poderes aumentam”. De fato, há muito tempo atrás, Drácula foi ressuscitado dessa forma. Sua ambição de construir um reino de horror, porém, foi frustrada por Christopher Belmont (Essa história é contada no Castlevania Rebirth de Nintendo Wii).

A ressurreição do rei das trevas

As pessoas dormiram em paz por 100 anos. Mas, em uma noite de páscoa, os seguidores das Trevas fizeram um ritual para reviver o conde do mal e lhe proporcionar a vida eterna. Eles ofereceram um sacrifício de sangue humano sobre os os restos do conde. Logo depois que eles fizeram isso, uma nuvem envolveu a vila. De repente, um trovão perfurou o monastério e nesse instante, Drácula, o príncipe das trevas, retornou ao mundo para o seu reinado de terror.

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Nem tudo estava perdido! O sucessor da linhagem da família Belmont, um jovem de nome Simon, estava determinado a livrar a terra desse grande mal. Levando o misterioso chicote que seu pai lhe deixou, o herói se aventurou no castelo de Drácula para encarar o conde.

Considerações finais

A franquia Castlevania, com o tempo, infelizmente se perdeu. A última mente criativa preocupada com ela era Koji Igarashi, que não tem mais envolvimento com a franquia. O reboot, Castlevania: Lords of Shadows foi um jogo diferente do que os fãs esperavam. A Konami, por sua vez, está cada vez se voltando para outras áreas, diferentes dos consoles. Por esses fatores, é difícil prever uma continuação para a série. Jogos como os Castlevanias originais, porém, estão jogáveis até hoje. Com eles você conseguirá relembrar a grandiosidade da série, nas décadas de 80 e 90.

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