Donkey Kong Country (SNES), a criação de um mito

Eduardo Paiva / 8 de junho de 2017 / Análises, SNES

Na época que Donkey Kong Country saiu, eu ainda estava no Master System e meu vizinho já tinha um SNES. Então ficava a mercê da sua boa vontade para me chamar para jogar (que na maioria das vezes se limitava a ficar vendo ele jogar). Sempre que isso ocorria, eu ficava vidrado com DKC e seu visual moderno, todos aqueles sons e etc. Isso para quem estava acostumado com Alex Kidd e Psycho Fox, foi um pulo e tanto.

Acredito que não só comigo, mas muitas outras crianças e adolescentes da época também sentiram esse impacto. Hoje sabemos que a franquia veio para ficar, então nada mais justo do que fazer um review do primogênito. E dando continuidade, temos o review de DKC2, já publicado anteriormente.

N+R=DKC, a fórmula do sucesso

Lá pelo início da década de 90, a Rare já tinha seu nome estabelecido na indústria dos games, tendo desenvolvido títulos para nomes como Acclaim, EA, GameTek e inclusive para a própria Nintendo. Sendo pilares da empresa desde a sua criação, os irmãos Stamper (fundadores da companhia), sempre fizeram questão de estar na vanguarda da tecnologia e foi nessa época que eles decidiram investir no que consideravam ser o futuro dos games: computadores com hardware da Silicon Graphics (SGI). Pelo alto preço de 80,000 libras cada, eles adquiriram duas máquinas dessas.

No fim, foi uma decisão certeira e graças a demo de um jogo de boxe que nunca foi lançado, eles conseguiram fechar parceria com a Nintendo, que ao ver os novos gráficos renderizados que as máquinas da SGI eram capazes de produzir, bateu o martelo para fechar a negociação, inclusive comprando uma boa parte de participação na empresa.

Tendo acesso ao catálogo de franquias e personagens da Nintendo (um sonho de consumo para qualquer desenvolvedor), eles entraram em negociação para criar um novo jogo estrelando Donkey Kong. Com uma equipe de 16 pessoas, recorde absoluto de staff para a Rare, eles começaram o desenvolvimento do game e aos poucos foram se familiarizando com as novas formas de trabalho das máquinas SGI, que mesmo sendo poderosíssimas para a época, demoravam muito tempo para renderizar um modelo 3D.

Após 18 meses, da ideia inicial até o produto finalizado, uma nova pérola de 16 bits havia tomado forma. Neste pouco tempo de desenvolvimento eles conseguiram criar algo único e avassalador. Algo que a Nintendo estava esperando para desequilibrar e dominar o mercado de games que na época era disputado com a Sega e seu Mega Drive, jogo a jogo, cartucho a cartucho.

Lançado em novembro de 1994, praticamente um mês antes do Natal, Donkey Kong Country foi um sucesso de críticas e de vendas, chegando a 9 milhões de cópias vendidas, tornando-se um dos títulos mais vendidos de toda história do SNES.

DK, o herói

Sua última aparição nas telas coloridas dos videogames havia sido no final da década de 80, onde era assumidamente o vilão do jogo. Pois bem, DK decidiu que ser vilão era uma coisa do passado e em Donkey Kong Country se tornou o protagonista e herói do jogo ao lado de seu melhor amigo e sobrinho Diddy Kong, que formam uma das parcerias mais icônicas da franquia.

A história do jogo tem como pontapé inicial o roubo de seu bem mais precioso: seu estoque de bananas. Delito cometido por King K. Rool e sua gangue de kremlings, a Kremling Krew que, durante uma noite chuvosa, invadiram a Ilha Kong para roubar esse bem tão querido por DK. Encontraram pouca resistência, já que apenas Diddy se fazia presente no local, consumiram o ato e prenderam o pobre coitado em um barril.

Ao retornar e constatar o que aconteceu, Donkey liberta Diddy e juntos partem em uma jornada pela Ilha Kong em busca de seu tesouro que agora se encontra no no navio de K. Rool, o galeão Gangplank.

Um cast memorável

A Rare sempre soube criar e emplacar personagens memoráveis, como pôde ser comprovado posteriormente em outras franquias como Banjo-Kazooie e Conker e aqui não seria diferente. A Ilha é lar de toda família Kong, que além do próprio Donkey Kong e seu sobrinho Diddy, é composta por:

  • Cranky Kong: velho e ranzinza avô de DK, ele é o Donkey Kong original, aquele que estrelou o primeiro jogo em 1981 nos arcades. Aqui, apesar de reclamão, dá conselhos valiosos sobre os inimigos e sobre lugares secretos da ilha.
  • Funky Kong: irmão de DK por natureza e surfista por paixão, Funky possui um aeroporto na ilha chamado Funky’s Flights, que lhe permite viajar através das fases já completadas.
  • Candy Kong: a bela namorada de DK e eterna aliada da família. Em DKC ela é responsável por ajudar os macacos a salvar seu progresso no jogo e aparece em pontos chave da Ilha Kong.

Ao longo de sua jornada os macacos também recebem ajuda de vários animais que vivem na ilha e que são uma mão na roda para superar todas as fases do jogo:

  • Rambi: um rinoceronte boa praça que é capaz de destruir paredes e literalmente atropelar seus inimigos.
  • Espresso: um avestruz que consegue planar, cobrindo grandes distâncias e que também corre muito rápido.
  • Enguarde: peixe espada que aparece nas fases aquáticas do jogo e espeta os inimigos com seu nariz pontiagudo.
  • Winky: um sapo que possui o pulo mais alto do jogo e que consegue derrotar inimigos que os macacos geralmente não podem encostar, como as abelhas.
  • Squawks: este papagaio é o único animal da lista que não serve como montaria, mas ajuda os protagonistas segurando uma lanterna e iluminando o caminho.

Gameplay

A dinâmica do jogo é fácil de aprender, porém precisa de um domínio muito preciso para se obter sucesso ao longo das seis áreas distintas do jogo. Você pode controlar qualquer um da dupla, alternando sempre que quiser. DK por ser mais pesado, é mais forte e consegue derrotar inimigos mais robustos e que Diddy não consegue, como os Krushas e os Klumps. Diddy no entanto é mais ágil e mais rápido. Ambos podem pular e fazer um rolamento frontal que serve como ataque.

Ao controlá-los, se você for atingido perderá o personagem e se perder os dois, uma vida é descontada, voltando ao início da fase ou ao último checkpoint, que geralmente fica no meio de casa fase. Por sorte, os barris com as iniciais DK que se encontram espalhados pelas fases permitem recuperar seu fiel companheiro. Lembrando que o progresso geral só é salvo ao alcançar o quiosque da Candy e cada área só possui um.

O jogo possui seis áreas (ou mundos), além da batalha final com o King K. Rool em seu próprio navio. Graças ao poderio gráfico concedido pelo investimento no hardware da SGI, os seis mundos do jogo são bem distintos entre si e cada um com suas particularidades:

Kongo Jungle: primeiro mundo do jogo e consiste de três fases na floresta, uma na caverna e uma aquática.

Monkey Mines: é o segundo mundo. Aqui as coisas ainda estão mornas e a dificuldade é baixa. Possui cinco fases, dentre eles uma caverna e um templo. É neste mundo que aparece a primeira fase com carrinhos de mina do jogo, que viria a ser uma das fases mais famosas posteriormente, a Mine Cart Carnage.

Vine Valley: Aqui a paisagem muda um pouco, possui seis fases, sendo uma delas uma cidade no topo das árvores. Possui ainda duas fases de floresta, uma de selva, um templo e uma aquática. A dificuldade é moderada.

Gorilla Glacier: situada no topo da montanha da Ilha Kong, a maior parte de suas seis fases são com o tema gelo. Piso escorregadio, nevascas e muitos barris-canhões. Um prato cheio para se perder vidas. É aqui também que se situa a fase Torchlight Trouble, onde podemos contar com a ajuda do papagaio Squawks.

Kremkroc Industries, Inc.: única área industrial do jogo, cheia de fábricas controladas e utilizadas pelos kremlings. Cheia de poluição e águas tóxicas, possui seis fases. Seu chefe é nada mais nada menos que um latão de óleo malvado.

Chimp Caverns: último mundo da Ilha Kong e talvez o mais desafiador de todos. Para atravessá-lo, você precisa passar por plataformas rolantes, precipícios, cordas, locais escuros e sobrepujar o último chefe antes do confronto final.

Gangplank Galleon: A luta com King K. Rool segue os mesmos padrões de todos os outros chefes do jogo, e aqui cabe uma leve crítica: todos os chefes são muito parecidos em seus padrões e formas de ataque. Uma variedade maior de embates teria caído bem.

Prodígio audiovisual

Com seus gráficos avançados para a época, os cenários e personagens renderizados trouxeram uma identidade visual totalmente diferente do que estávamos acostumados a ver.

Tamanho foi o esforço na época para criar esses visuais, que eles trabalhavam até às 11 da noite todo dia e deixavam a máquina processando a imagem durante a madrugada, para na manhã do dia seguinte, talvez, ela estar pronta. Além disso, um potente ar-condicionado teve que ser instalado exclusivamente para os computadores SGI, para que não superaquecessem. Foi assim que surgiu o primeiro modelo renderizado de Donkey Kong. E valeu todo o esforço.

Fonte: Soap Isian

O som é outro ponto forte do jogo e suas músicas tema perduram até hoje em nossas memórias mais adormecidas. Tudo culpa de David Wise. No ínicio do desenvolvimento do jogo, ele tinha certeza de que a trilha sonora seria responsabilidade da equipe de áudio japonesa da Nintendo, mas não foi o caso. Ao enviar para a Big N uma demo de seu trabalho para o jogo, ele recebeu sinal verde para fazer toda a trilha sonora restante. Na verdade não foi uma demo, foram três, que ele juntou e enviou, posteriormente tornando-se o tema da primeira fase do jogo, Jungle Hijinxs. Ótimo trabalho, David Wise!

Sinal verde para sequências

Com o estrondoso sucesso que DKC teve em seu lançamento, não demorou muito para que começassem a se falar em sequências.

Seguindo a fórmula de sucesso estabelecida em Donkey Kong Country, um ano depois sua continuação estava chegando nas prateleiras das lojas e seu nome era Donkey Kong Country 2: Diddy’s Kong Quest e em novembro de 1996 sairia Donkey Kong Country 3: Dixie Kong’s Double Trouble! Ambos possuíram ótimas vendagens, mas nenhuma superou o primeiro de todos, com mais de 9 milhões de cópias vendidas e que colocou o SNES no topo em uma época em que os consoles de 32 bits já estavam chegando ao grande público.

Dicas

  • Começar o jogo com 50 vidas: na tela de seleção do jogo, vá até a opção Erase Game (tem que esperar piscar) e aperte B, A, R, R, A, L. Depois selecione qualquer um dos seus saves e você iniciará com 50 vidas.
  • Estágios Bônus: ligue o jogo e quando Cranky aparecer e começar a tocar a música, aperte Baixo, Y, Baixo, Baixo, Y. Agora você poderá selecionar qualquer estágio bônus para jogar.
  • Vidas Extras na fase Maniac Mincers: encontre o krusha que está preso em buraco e use o Diddy Kong para ficar pulando em cima dele e ganhar vidas extras.

Vídeo

Fonte: World of Longplays

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