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Fatal Fury – O primeiro rei dos lutadores!

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Ah, a SNK! Nos anos 70, essa empresa se levava muito à serio! Antes de começarmos a sessão de hoje, aqui no Dojo: vocês sabiam que SNK significa Projeto Novo Japão? Não sei se seus idealizadores queriam mudar o país inteiro jogando videogame, mas se quiserem me dar um norte, podem escrever seus palpites ali nos comentários.

A SNK começou com Shooters, seus jogos eram mais centrados em naves ou soldados contra exércitos e alguns de plataforma… nada que a desse muito destaque até Ikari Soldiers, que popularizou um pouco mais a empresa. Mas, nos anos 90, a SNK achou seu mote: os jogos de luta eram o futuro. Claro, essa colocação foi feita por Takashi Nishiyama, que foi o criador de Street Fighter (1), em 1987. Saindo da CAPCOM, esse queridão largou currículo na mesa de Eikichi Kawasaki, que adorou a ideia de produzir um jogo de luta com ele.

Takashi sabia que a CAPCOM queria uma continuação para Street Fighter, lançar Fatal Fury era uma corrida contra o tempo, considerando as implicações legais que isso poderia resultar.


O primeiro King of Fighters!

Fatal Fury conta a história de dos irmãos Bogard (Terry e Andy), filhos de Jeff Bogard, que era um cara gente boa, mas que suas ações filantrópicas e bacanas estavam atrapalhando o milionário, empresário, gângster e mafioso nas horas vagas, Gesse Howard. O vilão, para ganhar esse título no jogo apresuntou Jeff, deixando os irmãos Bogard largados à sorte. Mas esses meninos foram criados pelo mestre do pai adotivo, o velho Tung Fu Rue. Mestre Tung ensinou-lhes o básico da luta e da humildade, e revelou-se também professor de Geese.

Na idade adulta*, Terry e Andy seguiram seus próprios caminhos. Terry andou pelas ruas, andou pela cidade de South Town** trabalhando em funções que exigiam força, enquanto Andy juntou grana e foi para o Japão no intuito de aprender Ninjutsu. Como a maioria dos personagens da SNK só sabem decidir as coisas na base da porrada, Terry desafiou Joe Higashi, um japonês que foi da Tailândia até South Town para reencontrar com o amigo Andy Bogard, que  ainda estava no Japão.

Terry acaba se tornando amigo de Joe, e, com o retorno de Andy, os três se preparam para o torneio de luta organizado por Geese: O rei dos lutadores. É aqui que começa o primeiro episódio da série Fatal Fury!

*E isso no Japão pode significar 12 anos, segundo Os Cavaleiros do Zodíaco.
**Nos Estados Unidos da América, bitch!

Os heróis de South Town

Os personagens jogáveis, é claro que você já sabe:

Terry Bogard – Jovem revoltado com a morte do pai, Terry cresce nas ruas e aprendeu a lutar com Tung Fu Rue, que lhe ensinou a dominar o Ki. Terry é o mais balanceado dos personagens selecionáveis. Inicialmente, seu elemento é a terra.

Andy Bogard – Também compartilha os sentimentos de Terry, mas acredita que o Ninjutsu seria a melhor técnica para vencer Geese em um duelo. Ele treinou no Japão com Jubei Yamada, um velho mestre viciado em pizza e em espiar a neta Mai Shiranui na banheira. Dominando a técnica, Andy volta para os Estados Unidos, reencontrando Terry e Joe. Andy é o mais rápido dos três heróis do jogo. Inicialmente, seu elemento é o trovão.

Joe Higashi – Joe sonhava ser o campeão mundial de Muay Thai. Para isso, passa grande parte do tempo na Tailândia, ganhando títulos e algum respeito, após vencer Hwa Jai, que não era flor que se cheirasse, e prometeu vingança. Joe é um lutador mais forte que os irmãos Bogard, mas paga isso com velocidade reduzida. Inicialmente, seu elemento é o vento, rendendo-lhe a alcunha de “Soco Furacão” e “Grande Tigre”.

Claro, esse lance dos elementos foi modificado. Nos jogos seguintes veríamos esses personagens dominando vários elementos alternadamente.


Outros participantes

Richard Meyer – Brasileiro, capoeirista e dono do popular bar e restaurante Café Pao Pao (Pao Pao Cafe). Richard não tem grandes animações em seus movimentos, mas entre seus golpes, podemos dar destaque a um “truque sujo”, em que ele se segura no teto do restaurante e chuta o adversário por determinado período de tempo. Após os eventos de Fatal Fury, Richar Meyer passa a se tornar treinador de capoeira, trazendo um novo desafiante ao jogo, faz uma aparição não-canônica em KOF-MI, e em finais do KOF.

Duck King – DJ e dançarino de Break, Duck King é dono de sua própria discoteca e usa passos de dança como movimentos de luta. Entra no torneiro em busca de fama. Apesar do corte de cabelo “moicano”, Duck King é chegado em alegria, não no rock agressivo, como aparenta. Isso explica suas cores… extravagantes.

Michael Max – Boxeador afro-americano que decidiu partir para outro tipo de competição, já que, nas palavras dele: “O boxe é protegido por regras demais.” Ele entra no King of Fighters em busca de uma luta de verdade.

Tung Fu Rue – o mestre Tung entra no torneio esperando vencer seu ex-discípulo Geese, ou, pelo menos, testar a força de seus dois ex-discípulos Terry e Andy. Segundo ele: “Além disso, um pouco de exercício não faria mal.” O que se destaca em Tung é que, além de parecer um velhinho frágil, ele dominou a técnica da “pele de ferro”, a qual permite que ele se transforme em um monstruoso oponente, “derramando” energia pelos punhos.


Bonus game

Tudo se resume a apertar o botão de soco freneticamente, na intenção de ganhar na queda de braço com uma máquina de fliperama.

São 3 bônus, e a dificuldade aumenta visivelmente. A terceira não é apenas difícil, mas impossível.

 


Os vilões de South Town

Geese Howard coloca seus capangas em ação, para que o torneio seja vencido pelos lutadores “da casa”.

Hwa Jai – Outrora campeão de Muay Thai, Hwa Jai perde o título para Joe Higashi e parte para a América após aprimorar alguns golpes, alguns imitando o rival. Interessado em vencer Joe a todo o custo, ele ingressa na guarda de Geese, reconhecido por ser um homem perigoso. Quando estiver o vencendo, Jai receberá de um dos capangas de Geese uma garrafa com uma bebida que deixará sua pele vermelha e um tanto mais agressivo.

Raiden – Lutador Wrestler australiano, Raiden é expulso do circuito de luta por jogar sujo. Ele vê no torneio King of Fighters a oportunidade de extravasar o desejo de lutar “valendo tudo”. Geese simpatiza com as causas do grandalhão e o contrata como segurança.

Billy Kane – o mais fiel e devoto capanga de Geese, Billy domina a arte do bastão. Sua história começa na pobreza da Inglaterra, ouvindo o rock mais ácido do país. Ele se muda junto à irmã para South Town, e arranja confusão em uma metalúrgica. Geese estava presente, pois era dono do lugar, e gosta da agressividade do jovem Billy, contratando-o como seu guarda-costas, refinando suas técnicas e melhorando sua arma “arranjada”. Billy luta com um bastão, que costuma arremessar contra seus adversários, entrando em seguida em modo de defesa até um dos capangas de Geese jogar o bastão de volta a ele.

Geese Howard – Ao derrotar os capangas de Geese, você é convidado ao gabinete dele, no topo da Geese Tower, onde ele vai te mostrar como uma enceradeira se sente… a menos que você seja muito perseverante (ou sortudo). Geese é o primeiro de uma série de chefes da SNK que portam a “Síndrome de chefes da SNK”.


Fatal Fury vs Street Fighter II: imitação ou coincidência?

Embora tenham sido meses que separaram Street Fighter II de Fatal Fury, as idéias tiveram sua execução em tempo similar. A presença de Takashi, que era ex-CAPCOM, na SNK rendeu idéias à empresa na produção de Fatal Fury. Não chegou a ser uma imitação, mas uma ideia irmã de outra, com algumas discrepâncias entre elas:

Fatal Fury permitia trocar de plano no decorrer da luta, poderia ser através de uma voadora ou de um rolamento. Esse movimento era bom para o desvio de certas magias, como a de Andy, que era impossível de ser evitada com um salto. (E essa ideia foi reciclada em Power Athlete, com resultados duvidosos.)

O jogo dispõe de 3 botões: Soco, Chute e Arremesso. Embora o clássico da CAPCOM tenha 6 botões com as mesmas funções, temos que admitir que a SNK foi bastante original.

Poucos lutadores e poucos golpes são comparáveis nos dois jogos. Você não vê nenhum lutador de Fatal Fury lutando caratê, por exemplo.

O torneio de Fatal Fury era “O rei dos lutadores”, e só abrangia a cidade de South Town, não havia alcançado ainda a fama mundial, embora permitisse inscrição de lutadores do mundo todo.


Portabilidade: outras versões de Fatal Fury

Inegavelmente, Fatal Fury foi um clássico, e muita gente queria ter em casa o primeiro de muitos jogos de pancadaria que a SNK vinha a oferecer. O jogo teve versões para:

Mega Drive: com corte de algumas animações nos golpes, mas uma tentativa de ser fiel, como aconteceria mais tarde, em Samurai Shodown. Porém, o tamanho dos personagens em tela foi levemente reduzido.

Super Nintendo: aqui a ideia era manter o fluxo da luta, mas sacrificou a luta em dois planos e tirou um pouco da cor.

Embora tem que se dar crédito ao SNES, pela questão gráfica.


Curiosidades Fatalmente Furyosas

Uma das mais notáveis diferenças de Fatal Fury para outros jogos de luta é a diferença de horários em um mesmo cenário: o primeiro round é de manhã, o segundo é à tarde e o terceiro à noite, sendo que alguns cenários são mais movimentados em diferentes horários.

Posteriormente, suas continuações especiais (Real Bout, por exemplo) admitiam lutas até na madrugada, caso houvesse a necessidade de um quarto round.

Ainda sobre as mudanças no cenário, o cenário de Tung Fu Rue começa em uma manhã nublada, e passa por uma tarde chuvosa, em um belo efeito para sua época.

Segundo algumas fontes, Terry Bogard é o primeiro lutador marcial de artes mistas (MMA) da história dos videogames.

Por algumas falhas da revisão (alpha/beta test), a equipe da SNK deixou passar um grande desnível do golpe “Tiger Knee“, de Joe Higashi: Ele é capaz de tirar 85% da energia do adversário, dependendo do ponto onde haja impacto.

Hwa Jai é um típico vilão daqueles filmes B sobre artes marciais. Mas, no decorrer da série, ele se convence que não pode vencer Joe, e acaba se tornando amigo e companheiro de treino dele.

Raiden passa para o segundo jogo da série, sem a máscara, com o nome de Big Bear.

A equipe da SNK é fã assumida do anime Dragon Ball. Por essa razão o mestre Tung é tão parecido com o lendário mestre Kame, obviamente, com diferenças de personalidade.

Terry Bogard é um dos personagens mais populares do Japão. Em 2015, foi eleito o mais popular do universo King Of Fighters.

Se você ficar fugindo de Michael Max e de Geese Howard, eles param a luta e começam a provocar você. Por isso, Fatal Fury foi o primeiro jogo de luta a conter provocação entre os movimentos dos lutadores.

Com uma só ficha, era possível jogar de dupla contra a CPU. Depois de vencer o primeiro oponente, a dupla se desafia para continuar jogando. Estar em dupla parece vantajoso, mas é difícil lutar sem acertar o aliado. A cada ficha colocada após isso, pode-se enfrentar a máquina em duplas. Esse modo só não é válido contra Geese.

Fatal Fury é considerado o avô de King Of Fighters. Em breve vamos colocar no dojo o pai dessa série e, em seguida, a própria.


O veredito: Fatal Fury vale a pena?

Fatal Fury é de um tempo difícil, em que as máquinas de fliperama tinham o objetivo de fazer você gastar fichas. Hoje existem relançamentos desse clássico para PS2 e PS4, se percebe que o jogo não era feito para se vencer com simplicidade, mas com treino e perseverança.

O fator nostalgia não seria suficiente para sustentar um jogo, como vimos em Street Smart, mas quem conhece a saga de Terry, Andy e Joe precisa conhecer o game que começou tudo, e quanto ele tinha a oferecer que o destacava do game da empresa rival.

E, sem mais devaneios, esse é o primeiro de uma série de jogos que cresceu e se multiplicou, compartilhou universos e acabou como uma das franquias mais famosas do mundo!

Se vale a pena? Claro que sim!

Se tudo der certo, semana que vem estamos de volta com mais um game de pancadaria no dojo!

E, como sempre: Nós vamos ao encontro do mais forte!

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