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Gatilho do Tempo: o espaço dos RPGs no Jogo Véio

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Veiarada, sejam todos bem-vindos ao Gatilho do Tempo, a nova coluna do Jogo Véio que vai tratar única e exclusivamente desse gênero tão importante dos videogames. A ideia é falar de todas as suas diferentes manifestações: japonês, ocidental, de computador, tático, de ação, dungeon-crawler, e mais o tanto de variações que a gente for encontrando e relembrando pelo caminho.

Antes, porém, de falar um pouco mais do que vocês vão ver na coluna (que irá ao ar toda quinta-feira), vou aproveitar que essa também é minha estreia aqui no site e me apresentar contando um pouco de como foi meu caminho pelos RPGs. Não é momento de carregar ou usar new game +, então vamos direto paro o início: tudo começou com um arcaico artefato.

O Disquete

Havia uma verdadeira excitação durante aula, daquelas que professor algum no mundo consegue conter. Os garotos, e uma garota, mandavam bilhetes e chamavam a atenção de um único menino da classe. Naquele dia, ele era o rei. Seu título não encontrava lastro em ouro, terras, providência divina ou popularidade, mas sim em um único item que saltava aos olhos de todos os fãs de desenhos do recinto: um disquete.

Vocês hoje sabem que um disquete nada mais é do que um dispositivo de armazenamento de dados com uma pequeníssima capacidade (para os padrões atuais), completamente ultrapassado aliás. A aura mágica daquele pequeno disco vinha justamente de qual dado ele estava armazenando. Um emulador e um rom, no caso do disquete-coroa do garoto da classe.

Naquele pequeno equipamento encontravam-se as ferramentas para jogarmos Dragon Ball Z: Legend of the Saiyans nos computadores. A garotada, que era alucinada pelo desenho, disputava a atenção do jovem para ver quem iria levar o disquete para casa e descarregar o conteúdo nos PCs. Não era todo mundo que sabia ou conseguia copiar para mais disquetes, então o alastramento do jogo não seria exatamente exponencial, e sim um tanto lento. O maior desespero era ficar para o fim da fila de acesso ao disquete (e suas futuras cópias).

Essa história não se deu em Passárgada, mas como eu era amigo do rei, fui o segundo dessa fila, e logo comecei a jogar o singelo título de SNES. Para minha surpresa, o jogo era diferente do que eu estava acostumado até então em videogames. Tratava-se de um RPG por turnos, algo até então desconhecido por mim. Era necessário se locomover pelo mapa, batalhar para adquirir mais força e, por fim, enfrentar as ameaças da história de Dragon Ball Z até o fim da saga do Freeza.

Tinha um esquema meio aleatório com cartas, e nós podíamos fazer com que os personagens vivessem para além de suas mortes no desenho (dá para levar, por exemplo, Yamcha, Chaos e Tenshinhan para Namekusei se ninguém morrer contra o Nappa). No começo eu estranhei aquele jogo, mas como a ideia era muito mais viver as aventuras do desenho do que se preocupar com o formato, eu fui seguindo em frente. Com o tempo eu vi que gostava daquele tipo de experiência.

A internet

Alguns meses depois meu pai assinou internet lá em casa. Naquela época o acesso era discado, o que fazia com que o telefone ficasse em uso, o que acarretava, naturalmente, em um custo alto por minuto. Durante a madrugada, no entanto, pagava-se um único pulso. Assim, comecei a pesquisar por mais jogos daquele tipo e deixava baixando enquanto todos dormiam.

Finalmente fui apresentado ao mundo dos JRPGs para consoles. Chrono Trigger fez eu me apaixonar de vez pelo gênero e pelos games de modo geral, e a partir dele eu fui experimentando as mais distintas séries e jogos. Já os RPGs ocidentais eu comecei a acompanhar primeiro como espectador, já que meu irmão mais velho dava preferência a eles. Depois de um tempo comecei a jogá-los também, e o pessoal mais velho do prédio também passou a me deixar participar dos grupos de RPG de mesa. No começo eu era café-com-leite, mas foi bem legal conhecer AD&D, GURPs, etc, e a origem dos RPGs eletrônicos. Também foi nos anos seguintes que me aproximei da literatura fantástica que inspirou tantas obras do gênero nos videogames.

Vão-se aí pouco mais de 20 anos acompanhando e jogando RPGs, e cerca de 5 anos pesquisando sobre sua história, seus jogos e criadores de forma mais apurada. Engraçado que tudo começou em outra mídia, as animações. O interesse por Dragon Ball me levou aos RPGs, que se tornaram uma paixão muito maior em minha vida.

Gatilho do Tempo

O Gatilho do Tempo é um projeto antigo de resgate da memória e história dos RPGs. A ideia era focar nos japoneses, já que existem ótimas e diferentes iniciativas de catalogar e registrar os RPGs ocidentais pela internet, mas como são escassas as iniciativas para ambos (ocidentais e orientais) em português, acabei não delimitando apenas nos do Japão.

O primeiro formato foi um blog, que foi abandonado por conta do imperativo do tempo. Depois pensei em ir escrevendo aos poucos e quem sabe montar um ebook. Agora, o projeto se incorporou ao Jogo Véio. Isso aconteceu em ótima hora, já que a veiarada se interessa muito pelas memórias e histórias que acompanham os videogames, e pelos próprios jogos véios, é claro.

Na maior parte do tempo a coluna vai trazer textos focados em um único jogo, mas eventualmente pintarão apanhados históricos, posts sobre um determinado aspecto (de sistemas de batalha a narrativa), sobre algum personagem, série, ou momento em específico. E, claro, ela também irá se orientar pelos pedidos, comentários e sugestões de vocês!

Espero vocês na quinta que vem para o post inaugural da coluna, que tratará do primeiro RPG que joguei no PlayStation. Uma dica: um personagem do jogo tem câimbra na perna sempre que fica nervoso.

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