Golden Axe (Mega Drive) – Um improvável conto de bárbaros magos!

Fabio Zonatto / 22 de fevereiro de 2017 / Análises, Mega Drive

No início da vida do saudoso Mega Drive (ou “Genesis”, como era conhecido nos Estados Unidos), uma das melhores apostas da Sega para alavancar seu mais novo console 16 bits eram as conversões de seus Arcades mais famosos. Um destes era exatamente Golden Axe, um beat-‘em-up como só nos anos dourados do estilo (entre o final dos anos 80 e o início dos 90) eram tão famosos.

Embora hoje em dia o beat-‘em-up tenha praticamente transformado-se em outros estilos (como o hack-‘n-slash, do qual o referido Golden Axe também mostra referências), no ano de 1989 em que o game chegou ao Mega Drive esta vertente estava em uma alta fantástica. O resultado: Golden Axe tornou-se um dos maiores clássicos do gênero e hoje é relembrado por nós do Jogo Véio!

Nas terras de Yuria, quem tem espada e magia é rei!

Como no caso de Weaponlord, a trama aqui se passa nos tempos do Schwarzenegger de tanga, tiara e espada.

A história de Golden Axe tem lugar na fantasiosa terra de Yuria, um reino medieval habitado por criaturas fantásticas e seres de grande poder. Apesar disso, Yuria era um reino bem pacato e pacífico, até que um senhor da guerra demoníaco conhecido como Death Adder o invadiu e rapidamente começou a espalhar a desgraça e o caos de seu terrível reinado a todos os inocentes habitantes. Ele não mostra misericórdia alguma ao enviar seus exércitos das trevas aos quatro cantos de Yuria, e governa tudo com mão de ferro. O rei por direito acaba por se tornar prisioneiro do vilão.

Como esta festa está boa só para o lado do penetra, três bravos guerreiros decidem empunhar suas armas e levantarem-se contra Death Adder, cada um destes tendo sofrido uma terrível perda graças ao senhor da guerra. O trio planeja como vingança a queda de Adder e a libertação do reino, para tanto unindo-se em uma aliança pra demônio nenhum botar defeito:

  • Tyris Flare é uma amazona que domina a espada curta e controla a poderosa magia das chamas. Dentre os três personagens, Tyris é a mais ágil nos movimentos e ataques, em contrapartida sendo também a mais fraca em dano físico. Para compensar, sua magia é a mais poderosa dentre os heróis: ela controla as chamas, sendo capaz de fazer vulcões estourarem na tela ou ainda devastá-la com o bafo flamejante de um dragão ancestral;
  • Gilius Thunderhead é um anão guerreiro que costuma ser descrito pelos fãs como o melhor personagem. Do trio, este é o mais forte no combate físico, com seu machado de longo alcance e os chifres de seu elmo viking. Para equilibrar a balança, Gilius é o mais lento de todos, e suas magias de raios são as mais limitadas em termos de dano;
  • Ax Battler tem a panca de herói principal, mas costuma ser o menos selecionado pelos jogadores (seria você, leitor, uma exceção?). Isso ocorre exatamente por este ser o mais equilibrado dos personagens – o que significa que Ax é apenas mediano no combate físico e nas magias. No entanto, seu poder elemental da terra é bem superior ao de Gilius e causa grandes estragos quando em seu nível mais alto.

Precisa de suprimentos? Chute os duendes!

Quem conhece Golden Axe e nunca sentou uma bicuda em um duende, bom sujeito não é!

Como em todo bom beat-‘em-up, aqui também temos os power-ups clássicos que dão aquela força para chegarmos ao final do jogo. Está precisando recuperar a barra de vida? Ora, uma boa carne assada vai bem a calhar. Acabou a magia? Então está na hora de reestocar frascos místicos!

Mas onde conseguir estas maravilhas? Certamente elas não dão em árvores, nem são encontradas em tonéis de óleo ou cabines telefônicas.

Eis a resposta: assim que avistar um duende impertinente correndo pela tela, não tenha pena em lhe aplicar um tiro de meta com gosto! Estes ladrõezinhos lembram bastante os hoje vistos em Diablo III e sempre estão com um saco de power-ups nas costas. Ao pressionar o botão de ataque próximo a um deles, o herói lhe sentará a botina e um destes itens cairá de seu saco – duendes verdes deixam comida que restaura a vida e os azuis abandonam frascos de magia.

Entre as fases, também rola uma espécie de fase bônus onde o acampamento dos guerreiros é saqueado pelos duendes e você deve acabar com a festa deles para recuperar seus itens roubados.

Entendendo o sistema de magias dos heróis

Logo ao começar a jogar, você imediatamente repara na barra vermelha que existe na parte superior esquerda da tela. Esta é sua barra de magia, e dependendo do personagem que você opta por jogar, seu tamanho muda radicalmente.

A barra é dividida em níveis por linhas brancas, e vai se enchendo à medida que o jogador coleta dos duendes azuis os frascos místicos. Quando um nível da barra é completado, o próximo frasco então fará a magia subir para o próximo nível. Com a barra completamente cheia de pontinhos azuis, a magia mais poderosa do herói já pode ser usada para arrasar os capangas de Death Adder.

Como já mencionado antes, Tyris Flare tem dentre os guerreiros a magia mais poderosa, portanto sua barra vermelha é a maior e conta mais níveis. Ax Battler vem em segundo lugar neste quesito, e lá na outra ponta temos o anão Gilius Thunderhead com a menor das barras mágicas.

Vale lembrar: quando a magia é utilizada, automaticamente todos os frascos são consumidos de uma só vez e a barra vermelha é zerada.

Encontrando seu caminho contra as hostes do mal

No campo da jogabilidade, Golden Axe entrega um produto correto e que não deixa a peteca cair, apesar de não ser perfeito. O guerreiro movimenta-se sem maiores problemas, mesmo que tal movimentação pareça meio “dura” demais às vezes. Pulos também não são perfeitos e podem demorar um bocado para serem dominados – porém ataques aéreos são muito poderosos e valem a pena o esforço.

Outro ponto de grande importância é a corrida, que é facilmente executada e abre caminho para um “dash” muito eficaz contra inimigos montados (já veremos isso mais adiante). Neste campo, Gillian Thunderhead detona com o ataque mais forte do tipo – uma investida com chifrada.

Talvez a maior complicação esteja na hora do um contra um: ao aproximar-se de um inimigo, por vezes seus ataques podem não acertar e você ficará aberto a uma verdadeira sova. O pior é que a sequência de golpes dos capangas geralmente o prendem em uma animação de dano, o que faz com que os sacanas acertem o combo completo e derrubem seu herói facilmente.

Elementos de jogo – as sacadas de Golden Axe

Embora possa ser jogado em dupla, o desafio de Golden Axe é bem grande em alguns estágios – principalmente nos últimos. Inimigos montados em dragões que cospem fogo e esqueletos praticamente imortais vão enxamear a tela em muitos pontos, e manter sua vida a níveis altos é praticamente impossível após a primeira metade do jogo. Então o que fazer?

Nos momentos de aperto, faça como em Streets of Rage: aperte o botão de emergência! Se lá era a bazuca da polícia, aqui são as sempre úteis magias.

Mesmo em seus níveis mais baixos, mas magias são capazes de ao menos derrubarem todos os inimigos na tela. Isso já é o suficiente pra lhe dar uns segundos para respirar e pensar no que fazer, além de convenientemente derrubar capangas de montarias e ainda poder arremessá-los em abismos para livrar-se definitivamente do problema.

Sobre as tais montarias citadas, estas são os chamados Bizarrians (se parecem com dragonetes) e possuem ataques especiais que podem tanto serem usados por inimigos quanto pelos jogadores. Uma montaria pode ser muito útil em uma batalha contra um chefe, já que seu poder superior encurta bastante o combate. Porém manter um Bizarrian por muito tempo não é tarefa das mais fáceis: após certo número de vezes em que alguém é derrubado da fera (seja jogador ou inimigo), esta simplesmente pica a mula e vai-se embora para sempre.

Existem três tipos de Bizzarian, e são estes:

  • Chicken-Leg: O mais encontrado pelo jogo e de uso mais limitado, o “Perna-de-Galinha” ataca com golpes de cauda que derrubam quem for atingido. O ataque também muda o lado para o qual a montaria está virada, então todo cuidado é pouco para não se ver oferecendo a retaguarda desprotegida ao inimigo;
  • Blue Dragon: Este reptiliano de escamas lazúli será o segundo tipo de Bizarrian que o aventureiro encontrará. Seu ataque é bem mais eficiente que o de seu parente galináceo, já que cospe uma pequena torrente de chamas que atinge inimigos à média distância e os derruba;
  • Red Dragon: O último e mais poderoso dos Bizarrians é esta variação avermelhada do Blue Dragon – ele cospe bolas de fogo que atravessam a tela inteira e atingem a longa distância. O tipo de montaria perfeita para manter inimigos perigosos afastados.

Uma estratégia de vez em quando é tomar a decisão mais difícil: se os inimigos simplesmente não o deixam ficar com a criatura, force continuar montando o Bizarrian até que ele fuja de vez. Melhor que ele se vá que deixa-lo ficar nas mãos dos vilões!

Os aspectos técnicos da jornada épica

Golden Axe merece louros de reconhecimento por sua tentativa de narrativa ao estilo RPG (aquele de dados, livros, fichas e lápis): as fases são dispostas como localidades em um mapa, e em determinados momentos o jogador pode escolher se vai seguir para este ou aquele estágio. Embora isso não faça tanta diferença na história, foi algo bem inovador para a época.

Os gráficos são corretos e fazem bem o seu papel. Como era de praxe naqueles tempos, a variedade de inimigos é bem limitada, sendo que o artifício de pintá-los com cores diferentes e aumentar seu poder de ataque e vida para colocá-los em fases mais avançadas é amplamente usado por aqui. Alguns chefes também são semi-reaproveitados, o que meio que quebra o encanto – sobretudo quando nos deparamos com o chefão Death Adder.

No departamento sonoro, o jogo não faz feio: as trilhas sonoras épicas tornaram-se clássicas hoje em dia e aumentam a imersão da aventura. Nos efeitos, vemos os obstáculos de sempre (vozes limitadas/sujas e sons estranhos – como o bizarro “truco!” quando um herói é derrubado), mas que são incapazes de tirar o brilho de Golden Axe.

Embainhando as espadas – qual o veredicto?

Nem cabe aqui o julgamento, Golden Axe é um dos clássicos eternos da Sega e encontra-se em outro patamar dimensional de crítica. Apesar de possuir suas falhas, todas empalidecem diante das limitações encontradas na época em que foi produzido, bem como pelo fato de ter sido uma conversão 16 bits dos Arcades, bem mais parrudos que os consoles naqueles tempos.

Ainda hoje, Golden Axe é muito divertido e deve ser aproveitado – ainda mais se for em dupla. Seus controles simples e premissa descompromissada fazem do cartucho um dos melhores para jogar com seus filhos mais jovens e começar a lhes ensinar o que é retrogaming de verdade!

Vídeo

Golden Axe: Longplay (Mega Drive) – Fonte: World of Longplays

Dicas

Seleção de fases

Selecione no menu principal o modo Arcade, e na tela de seleção de personagens, segure no direcional para baixo, para esquerda e o botão B. Com tudo pressionado, finalmente aperte Start. Pronto! O número que aparece no topo desta tela corresponde ao estágio desejado – selecione um e já comece sua partida por ele.

9 Continues

A vida continua uma dureza? Então na mesma tela de seleção de personagens segure para baixo e para esquerda, em seguida apertando ao mesmo tempo os botões A, C e Start. Pronto! Agora você terá 9 chances para acabar com o reinado de Death Adder.

Compartilhe com a galera:

FacebookTwitterGoogle+

Leia mais sobre: , , ,


Leia a Revista Jogo Véio

Revista Jogo Véio - Gratuita, pra ler no PC, no Tablet e no Smartphone

Junte-se ao Asilo