Grim Fandango (Multi) – Até a morte tem o seu próprio jogo de aventura

Sora / 17 de abril de 2017 / Análises, PC

Olá pessoal, tudo bem? Hoje irei falar sobre mais um grande clássico dos jogos de aventura. Dessa vez iremos embarcar em uma viagem pela terra dos mortos ao lado do carismático Manny Calavera em Grim Fandango.

Lançado no dia 30 de novembro de 1998, Grim Fandango é uma aventura dirigida por Tim Schafer que se passa na Terra dos Mortos. Repleto de diálogos bem elaborados, “portanhol” e personagens emblemáticos, ele se tornou um dos principais títulos da LucasArts e até hoje é lembrado como um título fundamental para quem é fã de aventura point & click.

Uma agência de viagens do Submundo

Apesar de ser sobre a passagem das almas do mundo dos mortos para o descanso eterno, esse não é um jogo sombrio ou obscuro. Na verdade, Grim Fandango é um tanto cartunesco e tem aquelas pitadas de humor características dos bons e velhos jogos de aventura.

Antes de chegar no seu descanso eterno no Nono Submundo, as almas devem atravessar a Terra dos Mortos, que é o Oitavo Submundo. A forma como essa travessia é feita vai depender das atitudes dessa alma em vida.

Almas boas e caridosas tem acesso a pacotes de viagem muito melhores e chegam muito mais rápido ou seu destino. O melhor de todos é o Número Nove, um trem que leva apenas quatro minutos para levar as almas ao descanso eterno.

Já as almas que optam por não levar uma vida de bem, precisam fazer essa travessia a pé, o que pode levar cerca de quatro anos. Nisso muitas delas acabam desistindo no caminho, arrumam um emprego na Terra dos Mortos e ficam por lá mesmo.

Esse é o caso do nosso protagonista Manuel Calavera, ou Manny. Apesar de não conhecermos muito do seu passado, ele é uma das almas que decidiu ficar pela Terra dos Mortos e trabalha como um dos agentes de viagens do Departamento da Morte. Os agentes são os responsáveis por escoltar as almas do mundo dos mortais até a Terra dos Mortos, além de determinar por quais meios cada alma poderá viajar.

Manny está em busca de sucesso e ascensão em sua carreira, porém logo ele percebe que só recebe almas que tiveram vidas ruins e geram pouca comissão. Um envenenamento em massa seria a oportunidade perfeita para Manny mudar esse cenário, porém, ao encontrar uma alma que tinha certeza que era muito boa, ele é surpreendido ao ver que ela não tem direito a nada.

Estaria alguém sabotando os pacotes de viagem? Manny, seguindo o perfeito arquétipo dos detetives da literatura de bolso, irá atrás da verdade.

Das crenças astecas aos filmes noir

Grim Fandango traz uma mistura interessante de crenças dos Astecas sobre a vida após a morte, estilo Art déco de 1930 e uma trama com inspiração nos filmes noir. Apesar de fazer piada de diversos clichês, este é um jogo com uma atmosfera um tanto particular.

Tim Schafer desenvolveu uma grande admiração pelo folclore dos Astecas após assistir uma aula de antropologia na Universidade da California Berkeley. Ele adquiriu muito conhecimento sobre o assunto com o folclorista Alan Dundes, autor de vários livros sobre folclore que lecionou na Universidade da California Berkeley durante 42 anos.

O temido Ceifador foi colocado em um emprego tão mundano quanto os nossos, e ao mesmo tempo em que é responsável por levar as almas usando aquele manto e foice, ele precisa bater ponto no horário certo.

E apesar do plano de fundo folclórico, não é difícil perceber o quanto os diálogos foram inspirados nos filmes noir. Não importa o idioma que você estiver jogando, vai perceber como desde as falas até o tom de voz dos personagens remetem ao estilo.

E eles não foram inspiração apenas para os diálogos, encontramos referências ao estilo noir até mesmo em personagens e elementos da história. Schafer se baseou em vários elementos de filmes como Pacto de Sangue, Chinatown e O Sucesso a Qualquer Preço. No segundo capítulo vemos uma cena que faz referência direta a Casablanca onde dois personagens são claramente modelados com base em Peter Lorre e Claude Rains.

Até mesmo o vilão Hector LeMans é baseado em Signor Ferrari de Casablanca, tendo até mesmo a sua característica risadinha.

Os personagens “caveira” de Grim Fandango são um pouco diferentes das caveiras que vemos por aí. O artista Peter Chan, da LucasArts, utilizou como base para a criação das caveiras as calacas que são utilizadas nas festividades do Dia dos Mortos.

Os demônios como Glottis e os veículos foram baseados na arte do cartunista Ed “Big Daddy” Roth, que é considerado o criador dos “hot-rods”. Já a arquitetura e os cenários têm inspiração na arquitetura da Art déco de 1930 e em templos Astecas.

“Como quiser, chefe!”

Um dos grandes destaques de Grim Fandango é, definitivamente, o cuidado que tiveram com a dublagem. No idioma original, atores latinos foram chamados para ajudar com o espanhol e o elenco contou com grandes nomes como Tony Plana que interpretou o protagonista Manny, Maria Canals-Barrera que dublou Mercedes Colomar, Alan Blumenfeld como Glottis e Jim Ward como Hector.

No Brasil, Grim Fandango foi completamente dublado e legendado, e o trabalho de dublagem ficou excelente, mantendo até mesmo o toque espanhol característico das falas dos personagens.

Na dublagem brasileira tivemos Guilherme Sant’Anna como Manny, Zanir d’Oliveira como Mercedes, Ithamar Lembo como Glottis e Gustavo Engracia como Domino. Confira a lista completa dos dubladores brasileiros de Grim Fandango no site BrasilGameDub.

A trilha sonora também não passa despercebida com a sua agradável mistura de músicas orquestradas, canções folclóricas sul americanas e jazz. O compositor Peter McConnell da LucasArts se inspirou no trabalho de grandes nomes do Jazz norte-americano como Duke Ellington e Benny Goodman e compositores de filmes como Max Steiner e Adolph Deutsch.

A versão remasterizada

Em 2014 durante a Electronic Entertainment Expo a Sony surpreendeu os fãs de aventura com o anúncio de uma versão remasterizada de Grim Fandango. Ela foi lançada para PlayStation 4, PlayStation Vita, Windows, Mac OS X e Linux em janeiro de 2015 e para Android e iOS em maio de 2015.

A versão remasterizada traz novos recursos e conteúdos, mas ainda assim se mantém fiel ao jogo original. Quem é fã e gosta de saber mais sobre a produção do jogo vai se deliciar com as duas horas de comentários dos desenvolvedores e concept arts originais.

Além de novas texturas e regravação da trilha sonora, o remaster conta com mudanças nos controles, tornando-os mais intuitivos e fáceis de se adaptar. Se você é fã e quer jogar novamente ou nunca jogou e quer muito conhecer esse título, vale a pena investir na versão remasterizada.

Conclusão

Grim Fandango nos apresenta uma trama com personagens únicos e inesquecíveis e um roteiro digno de um jogo de aventura. Até mesmo personagens secundários como o mecânico grandalhão Glottis marcam com a sua participação e características muito bem elaboradas.

Não é à toa que este é um dos jogos de point & click mais icônicos da LucasArts. Dificilmente você irá encontrar algo como Grim Fandango, mesmo em meio aos excelentes títulos que temos nesse gênero.

Já jogou Grim Fandango? Comente o que acha sobre ele? Como esse jogo marcou a sua vida?

Você gosta de jogos de aventura? Comente qual título é o seu favorito. Quem sabe ele não ganha um post em breve aqui no Jogo Véio

Detonado

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