Knights of the Round (Arcade) – Pancadaria e diversão pela Idade Média

Vinicius Eleno / 8 de março de 2017 / Análises, Arcade, SNES

Erga a espada sagrada Excalibur aos céus, Arthur! Não mais tu és um jovem cavaleiro, mas sim o rei dos bretões. Porém, o tempo de festa virá depois, pois teu reino precisa de ti agora. Reúna seus mais fiéis cavaleiros e parta em uma nova jornada pelo bem de seu povo! O maléfico Garibaldi se apoderou do Cálice Sagrado e deve ser impedido antes que possa causar um grande mal. Esse era o discurso inicial de Merlin em Knights of the Round, porém podia muito bem estar em qualquer obra baseado no famoso conto do Rei Artur e seus cavaleiros da Távola Redonda. Vamos explorar um pouco mais dessa pérola de 1991.

Erga sua espada

O jogo é mais um integrante da longa e famosa família de beat-em-ups da Capcom e conseguiu ser um dos melhores do gênero por sua proposta. Foi lançado no final de 1991 para sua plataforma CPS, que também foi a primeira casa de Strider e Street Fighter 2 entre diversos outros clássicos. Lembrando Final Fight, escolha entre três personagens com estilos distintos para o combate. Era possível até três jogadores ao mesmo tempo, porém cada novo jogador aumenta a dificuldade para manter o equilíbrio. Então se você não queria perder fichas era melhor trazer aquele seu amigo bonzão e não aquele priminho chato que só ia ficar apertando todos os botões ao mesmo tempo e pulando no fliperama.

Em Knights of the Round temos três personagens das inúmeras lendas da Távola Redonda: o equilibrado Rei Arthur, o ágil porém não tão forte Lancelot, e o poderoso e devagar Perceval, e essas características espelham o estilo de golpes de cada um. Elas são baseadas no perfil de cada um dos personagens nos inúmeros contos, já que Arthur é equilibrado por ser profetizado como rei, Lancelot apresenta beleza e finesse em suas ações, e Perceval como o brutamontes do trio.

São dois botões para a ação, com um executando golpes e o outro para pular. Apertando os dois ao mesmo tempo temos o clássico golpe especial, que consome parte de sua barra de vida e atinge todos inimigos a sua volta. E como novidade o jogo apresenta um sistema de bloqueio ao pressionar o golpe e o direcional para trás. O personagem fica bloqueando e ao ser atingido fica invulnerável por alguns segundos, sendo uma ótima estratégia contra chefes. Porém, bloquear por muito tempo sem ninguém te atingir cansa o personagem e o deixa vulnerável e sem ação por algum tempo também.

Outra coisa interessante é o combate montado. Encontrar um cavalo aumenta muito o poder de combate e a mobilidade de seu personagem.  Essa parte lembra um pouco as montarias do clássico Golden Axe. Só que é complicado ficar muito tempo com o cavalo, já que inimigos vão tentar tomá-lo a todo o custo, e eles também ficam bem mais fortes quando montados. Inclusive existem chefes montados para te fazer queimar mais algumas fichas.

Misturando RPGs com fliperamas

A Capcom aproveitou a experiência com seu beat-em-up anterior (The King of Dragons) e implementou em Knights of the Round um esquema de níveis. Subir de nível significava tornar seu personagem mais forte e mais rápido conforme suas características iniciais. Ou seja, Lancelot fica mais ágil e Perceval mais forte ainda. A pontuação obtida ao derrotar inimigos ou recolher tesouros é transformada em pontos de experiência, e ao alcançar um valor mínimo você sobe de nível. Era possível alcançar no máximo o nível 16, mas mesmo com outros jogadores somente um ia conseguir chegar no topo.

Pode parecer simples, mas ainda existiam vários fatores que alteravam os valores. Derrotar inimigos em sequência ou com golpes diferentes gerava uma pontuação maior. Fases mais avançadas ou a máquina rodando em uma dificuldade maior também gera mais pontuação. Também existiam itens que subiam um nível de um ou todos jogadores de uma só vez, e eles podiam aparecer ao dividir tesouros.

Aí você se pergunta, dividir tesouros? Sim! Aqui nada de ficarem discutindo entre quem fica com os baús que surgem ao longo das fases. Knights of the Round permitia que os jogadores quebrassem os tesouros grandes em 4 partes menores iguais. E eventualmente essa quebra podia gerar tesouros ainda melhores que o original. É a Capcom dando uma aula de dividir com o próximo pode ser bom para todos.

Outra parte muito legal de subir de nível é o impacto visual que isso tinha em cada personagem. Conforme os personagens sobem de nível, suas armas mudam de tamanho e formato, assim como os personagens ganham peças de armaduras cada vez mais rebuscadas. E Perceval ganha um aspecto mais sóbrio e velho, ao ficar careca e ganhar uma barba escura.

Viajando pelo reino

Knights of the Round não é muito longo, já que são somente sete fases. Vilas medievais, florestas, castelos e até mesmo um festival são os ambientes em que a história se desenrola. Ela pode ser divida linearmente em duas partes, com um intervalo no meio:

No início temos a jornada de Arthur para restabelecer a ordem com a derrubada do rei inimigo Arlon. Daí, partimos para o intervalo com uma comemoração do festival. Por último, temos a retomada do conflito com a jornada final atrás do cálice sagrado e a respectiva derrota de Garibaldi. Só parte do sexto estágio que fica bem estranho com o resto da história, já que pular da Inglaterra para o Japão medieval em pouco tempo e lutar contra tigres e um samurai não faz lá muito sentido.

Cada um desses cenários é bem detalhado, com planos de fundo acompanhando o mapa atual e ao mesmo tempo desenhando o caminho dos próximos estágios. O visual dos inimigos também acompanha o bom trabalho dos cenários quando comparado à média dos beat-em-ups. Obviamente que eles repetem com paleta de cores diferente, mas alguns executam até golpes diferentes. Os chefes também são bem detalhados e icônicos, principalmente o gigante de martelo Balbars. Inclusive, o nome original dos desenvolvedores para o chefe era MC Hammer. Infelizmente eles acabaram desistindo para evitar o caso de tomarem algum processo do famoso rapper.

Hammer time!

Outra curiosidade é que a Capcom usou como base para a história do jogo o o filme Excalibur, de 1981. O filme foca o jovem Arthur se tornando o rei dos bretões ao erguer a espada Excalibur. Posteriormente, ele parte em busca do cálice com o apoio de Merlin. É um filme bem divertido, que infelizmente passava mais no Corujão do que na Sessão da Tarde. Inclusive, o visual de Arthur e Merlin em Knights of the Round é bem parecido com o do filme.

Cavaleiros em outros reinos

Com o sucesso do jogo nos fliperamas ao redor do mundo ele merecia também uma versão caseira. A Capcom lançou sua adaptação para o SNES em 1994. Porém, vários recursos acabaram sendo cortados para que o jogo coubesse dentro de um cartucho sem perder sua estrutura básica.

Logo de cara, reduziram a capacidade do jogo para suportar apenas dois jogadores em vez de três. O SNES já suportava essa característica, já que o Multitap já havia sido lançado um ano antes. Golpes também foram alterados, assim como alcance de alguns ataques, tanto para jogadores como os inimigos.

 

Também foram várias mudanças gráficas, como redução da qualidade dos cenários assim como detalhes e quadros de animação dos personagens. Como o SNES não tinha um hardware dedicado como o do CPS, isso tudo era necessário a estabilidade dos quadros (FPS) do jogo. Até mesmo a mudança visual ao subir para o nível final foi cortada, ficando os jogadores fixos no visual do nível quinze. Mas nada disso altera a diversão do jogo, ainda mais do lado de um amigo. Seja torrando fichas no fliperama mais próximo ou continues no seu SNES.

Compartilhe com a galera:

FacebookTwitterGoogle+

Leia mais sobre: , , ,


Leia a Revista Jogo Véio

Revista Jogo Véio - Gratuita, pra ler no PC, no Tablet e no Smartphone

Junte-se ao Asilo