Master System: 10 grandes campeões das locadoras

Fabio Zonatto / 22 de junho de 2017 / Colunas, Top 10

Tivesse você um Master System ou outro console da época, quem viveu nos tempos das clássicas locadoras conhecia muito o bem o ritual: sexta-feira era dia de dar um pulo lá pra escolher os cartuchos que iriam fazer a sua diversão no final de semana. Portanto, segunda-feira era um dia duplamente triste: não só tínhamos de voltar à escola/trabalho, como ainda precisávamos retornar a locadora para devolver os jogos…

Aqueles afortunados que pegaram esta incrível época para serem gamers também devem recordar daqueles jogos épicos que não faltavam a quase nenhuma locadora. Estamos falando de títulos que, de tão famosos, sempre estavam lá nas prateleiras mesmo dos estabelecimentos mais humildes. Neste pensamento que hoje relembraremos 10 grandes campeões do já citado Master System, nosso querido 8 bits da Sega.

Das caixinhas brancas quadriculadas às azuis mais recentes – a seção do Master de vez em quando poderia lhe surpreender com algo mais raro, mas os grandes títulos sempre lá estavam… Isto é, se você não dormisse no ponto e apressasse-se: no início de noite da sexta-feira geralmente já haviam partido todos os cartuchos!

10. After Burner (1987)

O primeiro trabalho do mestre Yu Suzuki (de Hang-On, Out Run, Virtua Racing, Shemmue entre tantos outros sucessos) nos videogames tornou-se um grande clássico, e teve uma ótima versão para o Master System. Em After Burner, você pilotava um caça F-14 Tomcat e precisava detonar qualquer inimigo que surgisse em seu caminho na base da metralhadora (infinita) e dos mísseis, que precisavam ser usados com sabedoria.

A jogabilidade era no estilo Arcade, com pouca ou nenhuma preocupação com o fator “simulação de vôo” – e francamente, isto não nos preocupava nenhum pouco, certo? O importante era manter-se sempre no centro da tela e meter chumbo nos caças inimigos e outros obstáculos. Destaques para a trilha sonora energética e para o clássico momento do reabastecimento em pleno vôo… Ah, como esquecer?

Mas chique mesmo era jogar After Burner naquele joystick tipo “asa” da TecToy – quem experimentou pode atestar a verdade: era bem mais bacana!

9. Land of Illusion: Starring Mickey Mouse (1992)

Talvez a mais clássica aventura gamística do camundongo Mickey, Land of Illusion traz uma grande aventura nos moldes daquelas que adorávamos jogar no Master System. Com gráficos coloridos e jogabilidade super-simples, o mascote da Disney tinha uma grande missão pela frente: em uma terra de contos de fadas, Mickey precisa recuperar um cristal mágico roubado por um fantasma maligno. Sem ele, uma vila inteira jamais poderia novamente recuperar sua alegria, e estaria condenada à tristeza para sempre.

No Master, Land of Illusion apresenta um desafio na medida para a criançada: não é pedreira, mas também esta longe de ser um passeio no parque. O maior problema talvez seja a duração, bem curtinha. Mas talvez isto até fosse bom: dava pra zerar facilmente em um final de semana – e era tão gostoso que podíamos alugar novamente no próximo só pra repetir a dose.

8. Streets of Rage (1993)

A pancadaria de rua que fez história no Mega Drive também chegou a receber sua versão 8 bits – que logo tomou de assalto centenas de locadoras da época. Ir a um destes estabelecimentos e não encontrar Streets of Rage na capinha branca quadriculada era missão quase impossível!

Porém a versão para o Master sofreu algumas alterações (e também limitações) para que toda a exuberância das decadentes ruas de Nova York pudesse caber no pequeno cartucho – assim sendo, o jogo é um pouco mais curto (uma fase a menos que no Mega) e não conta com opção para 2 jogadores simultâneos. Os controles também sofreram um bocado e não são muito responsivos.

Mesmo com seus contras, os três heróis foram mantidos e contam com todo o seu arsenal de golpes. Os gráficos também fazem uso total da capacidade do cartucho e não omitem os letreiros de neon ou as ondas na praia. Vale nota a grande dificuldade: se você acha difícil terminar nos 16 bits, melhor preparar o couro neste aqui!

7. Golden Axe (1989)

Um grande clássico nos Arcades e Mega Drive (do qual já falamos por aqui), Golden Axe recebeu um tratamento especial em sua versão para o Master System que pudesse adequá-lo à capacidade dos 8 bits – isto porém sem tirar a originalidade e brilho da adaptação.

Somente é possível jogar com o bárbaro (a amazona e o anão guerreiro por aqui tiraram férias), que neste jogo não se chama Ax Battler, mas sim Tarik. Para compensar a falta de opções de personagem, o jogador pode escolher que tipo de magia seu bárbaro controlará: terra, trovão ou fogo. Para além disso, também não há mais a opção para múltiplos trajetos: o caminho é linear até o chefão final Death Adder.

Porém o que de fato impressiona é a trilha sonora, com remixes simplificados das canções originais, mas sem perder o pique e o feeling. Se o jogador pudesse acostumar-se com a aparente lentidão da jogabilidade e com os gráficos humildes em paletas de cor frias, Golden Axe para o Master mais que valia uma locação para o final de semana. E de fato ele quase sempre estava lá na prateleira, tamanha era sua fama!

6. Ayrton Senna’s Super Monaco GP II (1992)

Quem nunca sonhou em ser um piloto tão habilidoso quanto nosso querido e célebre Ayrton Senna durante os dourados anos da Fórmula 1 na década de 1990? Pois esta é exatamente a experiência pretendida pela Sega ao criar a continuação de seu clássico Super Monaco GP, de 1990. Por ter convidado o próprio Senna a auxiliar nas mecânicas de jogo em Super Monaco GP II, este título traz um sentimento bem mais familiar aos jogadores brasileiros – sendo assim, o cartucho ganhou enorme fama em nosso país e era muito mais encontrado nas locadoras que seu antecessor.

O jogo em si não apresentava qualquer trama ou história: a versão para Master System resumia-se a uma temporada completa, onde o aspirante a piloto da FIA deveria disputar contra adversários controlados pela CPU na tentativa de acumular pontos e assim vencer a prestigiada Drivers World Championship. Infelizmente, devido a limitação de memória e processamento, os circuitos extras apresentados na versão para o Mega – o particular de Senna em Tatuí, Autódromo José Carlos Pace e outros dois inéditos, projetados pelo próprio piloto brasileiro – ficaram de fora do Master.

Mesmo limitado, o jogo ainda é bem divertido para passar-se algumas horas de competição tranqüila e descompromissada, além de ter sido um dos favoritos dos pais na época (para exemplificar, quando o meu velho alugava Super Monaco GP II, eu podia dizer “adeus” ao meu Master…).

5. Mortal Kombat (1993)

Após o imenso sucesso de Mortal Kombat nos Arcades e 16 bits, o título acabou por ganhar sua versão para o Master System – e olha que a Acclaim parece de verdade ter “espremido leite de pedra” para trazer o jogo aos 8 bits com gráficos a simularem ao máximo o realismo visto em outras plataformas.

Mortal Kombat no Master tornou-se uma grande febre pelas locadoras, havendo algumas em que só era possível encontrar o cartucho disponível durante a semana ou reservando com dias de antecedência. No tocante a qualidade do cartucho, não dava para reclamar: tínhamos Fatalities, sangue (com a inserção de um código) e o básico para nos divertirmos com a essência do violento título de luta.

No entanto, infelizmente também temos partes negativas de montão: Kano está ausente, do Reptile não vemos nem a sombra, somente dois estágios (Goro’s Lair e The Pit – e este último sem o Fatality da ponte) e três músicas estão disponíveis, jogabilidade truncada e lentidão na movimentação. Mas embora tais falhas atrapalhem, não dá pra negar que a capacidade do Master foi elevada ao sétimo sentido com este cart – jogo mais que obrigatório em sua coleção!

4. Air Rescue (1992)

Tudo bem, é até questionável se Air Rescue fora mesmo um dos mais encontrados nas locadoras noventistas – em algumas, o jogo de helicóptero estilo run and gun mais quente era Choplifter – mas não dá pra negar que esta verdadeira pérola dos 8 bits seguistas estava em ao menos 5 entre 10 grandes locadoras de bairro. E motivos para isto não faltavam: em Air Rescue, temos um divertido jogo com cara de plataforma, mas com a premissa ultra-simples de resgatar pessoas de situações de risco e levá-las em segurança de volta à base com seu helicóptero de salvamento.

O objetivo é salvar certo número estipulado de pessoas em cada estágio dentro de um limite de tempo, que geralmente não é dos mais apertados. À medida que avançamos, os inimigos – soldados hostis e dos mais chatos possíveis – tornam-se cada vez mais um problema: eles atiram com rifles e canhões, além de arremessam objetos contra seu helicóptero. Mas a estrela de Air Rescue não está no desafio, e sim no som e gráficos: trilhas musicais vívidas e variadas aliam-se à cenários coloridos e impressionantes animações de seu helicóptero, que apresentavam invejável número de quadros para um cartucho de Master System.

Com isto, Air Rescue constituía entretenimento com dificuldade na medida e atributos técnicos atraentes, o que garantia um fim de semana agitado ao menos para um jogador, já que aqui não há opção para mais que isto. Um grande título que, para muitos, hoje jaz injustamente esquecido.

3. Shinobi (1989)

Se há impasse na escolha de Air Rescue para este Top 10, de certo isto não ocorre com nosso clássico Shinobi: que atire a primeira pedra quem jamais foi à locadora e encontrou este inconfundível cartucho dando sopa na prateleira! A versão de Master deste clássico dos ninjas foi uma das que mais sucesso fez no Brasil.

Mas logo ao começar a jogar, não são com as melhores credenciais que Shinobi apresenta-se: o som é correto, mas a jogabilidade parece arrastada – tudo parece rolar em câmera lenta. Os gráficos podiam até apresentarem aquele “Q” de Master System no comecinho da vida, porém nem por isso eram feios – e de quebra ainda apresentavam suas peculiaridades: como esquecer dos pôsteres da Marilyn Monroe ou dos ninjas cosplayados de Homem-Aranha? Clássicos!

A missão neste cartucho é das mais nobres: na pele do lendário Joe Musashi, o jogador deve detonar a gangue dos “Zeeds” para salvar as crianças de seu clã ninja, raptadas pelos bandidos. E como a tarefa não era das mais fáceis, não foram poucos os que tiveram de alugarem este cartucho bem mais que apenas uma única vez para detonarem o jogo. Aí estava um motivo de orgulho: ir para a escola e dizer pros colegas que havia zerado o casca-grossa Shinobi!

2. Road Rash (1993)

Por volta de 1993/1994, o Road Rash do Mega Drive já estava sacramentado como um grande título da Electronic Arts – e foi nesta época que o cartucho finalmente aportou no Master. Não demorou muito e já era um dos mais procurados pelas locadoras do nosso Brasil varonil, e não raro ele só poderia estar em sua casa na sexta à noite caso a reserva fosse feita dias antes.

É necessário reconhecer que esta conversão foi realmente esforçada: os gráficos não perdem quase nada para o Mega além dos óbvios modelos em sprites menores e taxa de quadros inferior. A ação da pancadaria e velocidade lá estavam, e davam um grande alento à galera que não tinha acesso a versão 16 bits deste inesquecível petardo. As trilhas sonoras também eram muito boas e acompanhavam bem o gameplay – porém a falta de efeitos como freadas e socos dificilmente era perdoada por quem jogava Road Rash em busca daquela agressividade característica da franquia.

De todo modo, mesmo sob algumas críticas, Road Rash para o Master System arrebatou muitos corações seguistas, que adoravam baterem no peito para dizer que “um jogo desses você nunca vai ver no Nintendinho!” Mas também não é como se só por isso valesse a pena jogá-lo – ainda hoje esta versão é muito divertida e merece com certeza um gameplay de repeteco!

1. Psycho Fox (1989)

Se você teve em seus tenros anos um Master System e jamais controlou esta simpática raposinha em seu mundo colorido de aventuras, simplesmente não sabe os momentos inesquecíveis que deixou de acrescentar à sua juventude. Psycho Fox estava bem longe de arrebatar seus fãs por seus gráficos detalhados ou seu desafio “faca nos dentes” (o que não poderia estar mais longe da verdade) – ele simplesmente era divertido. Se isso bastava? Ô se sim!

O jogo tornou-se um dos mais tradicionais do Master, e uma pedida fácil nas prateleiras de muitos estabelecimentos dos mais luxuosos àquela garagem do tiozinho da rua de baixo. Enquanto muitos garotos da época ainda faziam piadas maldosas de que Psycho Fox era “joguinho de criancinha”, os mais espertos já tinham alugado ao menos uma vez e sabiam que queriam um pouco mais!

Com seu jeitão de Alex Kidd, a trama não poderia ser mais evidente: em uma terra encantada, o vilão Madfox Daimyojin estava corrompendo tudo que era bom. Restava aos habitantes depositarem suas esperanças no herói Psycho Fox, uma raposa que tinha a habilidade especial de transforma-se em outros animais – especificamente um hipopótamo, um macaco ou um tigre, cada um com poderes característicos. O fiel passarinho aliado Birdfly também está sempre do lado de Fox, e o auxilia na missão de banir o mal para sempre.

Master mesmo são suas lembranças

Em um primeiro momento, muitos leitores podem apresentar o seguinte (e completamente cabível) argumento: “Mas na minha locadora nunca vi este ou aquele jogo! E haviam vários que não estão aí nesta lista!” – mas vamos apenas enfatizar: não é muito gostoso simplesmente aproveitarmos esta oportunidade para nos lembrarmos de forma mais vívida daqueles tempos tão bons de locadora?

Como nosso amigo Ítalo Chianca tão bem descreveu em seu livro Papo de Locadora, estes tempos mágicos hoje apenas residem em nossas memórias. Com este pequeno Top 10, a intenção é te levar de volta àqueles dias em que você estava lá diante das prateleiras, escolhendo os cartuchos que iria jogar em casa. Escolhíamos os que já tínhamos jogado e havíamos gostado, bem como os que eram novidades e que haviam saído na Videogame, ProGames ou na Ação Games daquele mês…

O que mais importa de fato são suas lembranças – e os cartuchos (ou “fitas”) que fizeram parte dela. Por isso mesmo buscamos fortalecer ainda mais este sentimento ao garimparmos até mesmo as capas originais da TecToy aqui no Brasil – pra você bater os olhos nas imagens e imediatamente sentir aqueles dias novamente. Neste aspecto, vale agradecer ao site TecToy Wiki, que mantém um incrível acervo de imagens enviadas por gamers como eu e você: que simplesmente querem manter a essência viva.

Visitar novamente este cantinho de nossas memórias… Às vezes não é somente isso que queremos?

Vídeos

After Burner (Master System): Longplay – Fonte: World of Longplays

Land of Illusion (Master System): Longplay – Fonte: World of Longplays

Streets of Rage (Master System): Longplay – Fonte: World of Longplays

Golden Axe (Master System): Longplay – Fonte: World of Longplays

Super Monaco GP II (Master System): Gameplay – Fonte: Mougalos

Mortal Kombat (Master System): Longplay – Fonte: World of Longplays

Air Rescue (Master System): Longplay – Fonte: World of Longplays

Shinobi (Master System): Longplay – Fonte: World of Longplays

Road Rash (Master System): Gameplay – Fonte: Skull Gamer

Psycho Fox (Master System): Longplay – Fonte: Longplays Land

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