Mega Man, o surgimento do Blue Bomber no NES

por Ítalo Chianca em 5 de outubro de 2018

Foi em 1987 que Mega Man, Rockman para os japoneses, fez sua estréia nos consoles, começando ali, no Nintendinho, sua trajetória de sucesso na geração 8-bit. Relembre conosco o primeiro dos seis jogos do NES que consagrou o herói no hall dos grandes personagens da indústria de games.

Concepção

Desenvolvido por um time talentoso de profissionais, entre eles Keiji Inafune (responsável pela criação dos personagens), Akira Kitamura (na direção), Takashi Nishiyama (na produção) e Manami Matsumae (composição musical), o primeiro Mega Man chegou ao NES em 1987, mostrando para os jogadores que a Capcom poderia produzir muito mais do que ports de arcades para os consoles.

Entre as primeiras grandes iniciativas de criação de jogos próprios para o console da Nintendo, está justamente um projeto desenvolvido por jovens artistas da casa. O mais famoso deles é Keiji Inafune, a quem se atribui a criação do protagonista.

O herói de Inafune era um robozinho, chamado Rockman, que tinha o visual inspirado em Astro Boy, só que de armadura azul por ser a cor com mais tonalidades dentro da paleta de 56 cores do NES. Aliás, ele quase se chamou “Mighty Kid”, “Knuckle Kid” e “Rainbow Man”, mas a homenagem ao rock and roll prevaleceu, assim como nos nomes de outros personagens da série!

Com Rockman criado, foi a vez do restante do elenco ganhar vida. Assim surgiram Roll, a irmãzinha do protagonista; Dr. Light, criador do herói e inspirado no visual do Papai Noel; e Dr. Wily, o vilão cientista maluco baseado no estilo excêntrico de Albert Einstein. O time estava formado e pronto para iniciar uma das sagas mais memoráveis do console.

Em 200X?

Além dos títulos diferentes (Rockman no Japão e Mega Man na América), o primeiro game do Blue Bomber possui duas tramas levemente distintas. Na versão japonesa, a humanidade vivia tempos de prosperidade com robôs humanóides ajudando a população graças ao trabalho do Dr. Light. A paz, contudo, sofre um duro golpe quando seis robôs saem do controle e começam a atacar os cidadãos.

A “falha” no sistema do Dr. Light é obra de um velho conhecido, seu eterno rival, Dr. Wily que planeja dominar o mundo com a ajuda desses robôs: Cut Man, Guts Man, Ice Man, Bomb Man, Fire Man e Elec Man. Preocupado com a situação, Rockman, o robô assistente do Dr. Light, pede para que seja reconfigurado como um robô de combate para enfrentar a tropa do Dr. Light e impedir os planos malignos do cientista.

 

Já na versão americana, Dr. Light e Dr. Wily são parceiros de laboratório. Juntos, eles desenvolveram Mega Man e outros seis robôs projetados para ajudar as pessoas de Monsteropolis. Mas, vislumbrado com o poder desses robôs, Wily trai seu parceiro reprogramando suas criações, com exceção do Mega Man, para usá-los como armas para controlar o mundo. Para impedir o vilão, Dr. Light envia Mega Man para destruir cada uma das suas criações.

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É puro aço

Mega Man é um jogo tradicional de plataforma lateral no qual o jogador controla o personagem por cenários 2D lotados de obstáculos e inimigos. As fases possuem um level design caprichado, exigindo muita destreza no comando e agilidade para desviar dos tiros e destruir os inimigos que surgem durante o percurso.

Inicialmente, são seis estágios disponíveis logo de cara. Cabe ao jogador escolher livremente a ordem de encará-los, mas, para completá-los, é necessário derrotar o chefe ao final de cada fase. Vencendo o “guardião” do estágio, Mega Man adquiri uma arma especial baseada nas habilidades do inimigo.

São essas armas que tornam a forma como jogamos Mega Man única. Cada uma é eficaz contra um determinado chefão e completamente inútil contra outros. A forma como gerenciar esses itens, incluindo recarregá-los durante os estágios, são pontos determinantes para o sucesso das missões.

Missões essas, aliás, que podem trazer frustração para os menos habilidosos, pois Mega Man é um game dificílimo. São trechos de plataforma milimétricos em alguns momentos, seguidos de hordas de inimigos até os confrontos contra chefes cabulosos.

A jornada

Para chegar até o Dr. Wily, Mega Man precisa passar por seis fases, cada uma protegida por um chefe com habilidades próprias e fraquezas que muitas vezes estão à vista, basta apenas pensar na lógica dos elementos.As fases são:

Bombman’s Stage

Cheia de plataformas elevadas, espinhos e robôs voadores, esse estágio é protegido pelo Bomb Man. Depois de vencê-lo, você adquire a Hyper Bomb.

Cutman’s Stage

A fortaleza protegida pelo Cut Man é uma área que exige paciência para subir as escadarias enquanto enfrenta os diferentes inimigos que surgem para derrubá-lo. A arma obtida aqui é a Rolling Cutter.

Elecman’s Stage

Do topo de uma fase lotada de escadas, inimigos e plataformas que desaparecem está Elec Man, o robô que libera a arma Thunder Beam.

Fireman’s Stage

Escadas, plataformas, rio de lava e torres de chamas dão o tom no estágio de Fire Man. Após vencê-lo, a Fire Storm estará acessível para Mega Man.

Gutsman’s Stage

Espinhos mortais e plataformas que ameaçam derrubar Mega Man caso erre o tempo do salto são os principais desafios dessa fase que conta com o inesquecível Guts Man e a sua Super Arm como prêmio por derrotá-lo.

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Iceman’s Stage

Com piso escorregadio, trechos submersos e momentos de tensão sob plataformas voadoras, o estágio do gelo é protegido por Ice Man. Após vencer o duelo, teremos a Ice Slasher como arma especial para o restante da caçada ao Dr. Wily.

Doctor Wily’s Fortress

Derrotando os seis chefes, a área central da seleção de fase é desbloqueada. A partir daí, começa a luta na fortaleza do Dr. Wily, com direito a três estágios ondeenfrentamos velhos conhecidos e ainda novos e mais poderosos robôs. O quarto trecho dessa fortaleza é o confronto direto com o vilão da história, dividido em dois momentos igualmente tensos.

Além de usar as armas especiais com sabedoria, dominar os controles e ter reação rápida para tudo que surge pelo caminho, nessa parte final do jogo ainda é preciso ter no arsenal a Magnet Beam, uma arma especial encontrada durante o jogo que permite a criação de plataformas flutuantes. Sem ela, não é possível concluir a aventura.

Com a beleza de um robô

Percorrer cada um dos cenários do jogo é um deleite. A jogabilidade é firme, embora tenha trechos em que o personagem não responde de uma forma tão precisa. Contudo, poucos minutos com o controle já são suficientes para sair andando, saltando e atirando como uma máquina de guerra.

Além da boa jogabilidade, os visuais do game são bonitos, com cores fortes e ótima diversidade de cenários, embora traga certa simplicidade nos elementos que compõem o cenário. Mesmo assim, a forma como cada fase traz características tão únicas deixa toda a experiência ainda mais agradável.

O mesmo pode ser dito da trilha sonora, que eleva a jogatina com canções marcantes e bem construídas. Para quem gosta de uma boa trilha melódica e impactante, certamente gostará do que vai ouvir em Mega Man. Mesmo em 8-bit, alguns temas trazem sons diversos, com destaque para as batidas e o ritmo marcado pelos sintetizadores.

Mega Man

Desafiador ao extremo, com belos visuais e uma trilha sonora excelente, Mega Man conquistou fãs ao redor do mundo. Comercialmente, contudo, o jogo não fez tanto sucesso, mas superou as expectativas da Capcom, que logo autorizou Inafune a criar uma sequência para o jogo.

Aos poucos, quase que no boca-a-boca, principalmente (segundo o próprio Inafune) por não possuir uma arte descente na capa da versão americana, Mega Man foi se tornando conhecido do grande público. E, quando poucos esperavam, o título do NES já era um dos mais adorados do console tornando-se um clássico cult que deu início a uma série amada e cheia de fãs.

Revisão: Rafael Belmonte


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