Dr. Jekyll and Mr. Hyde (NES), uma experiência esquecível

Eidy Tasaka / 25 de Março de 2016 / Nota Zero

Strange Case of Dr. Jekyll and Mr. Hyde — ou em português “O Médico e o Monstro” — é um livro de autoria do escritor escocês Robert Louis Stevenson, publicado no fim do século XIX e considerado como um dos pilares para a construção do gênero de livros e filmes de terror psicológico.

A trama gira em torno de um respeitado médico, Dr. Jekyll, que conduz uma pesquisa para entender melhor a psiquê humana e acaba criando uma droga capaz de libertar o lado mais selvagem e primitivo das pessoas. No caso do próprio Dr. Jekyll, esse lado obscuro se apresenta como Mr. Hyde (trocadilho com to hide, “esconder” em inglês), uma fera incontrolável à mercê de seus próprios desejos sombrios.

O Médico e o Monstro influenciou diversas obras famosas da cultura pop, de forma direta e indireta. O caso mais evidente talvez seja o do gigante esmeralda Hulk, que seria o Mr. Hyde do cientista Bruce Banner.

O jogo

Se por um lado o livro é extremamente famoso e bem recomendado, o mesmo não pode ser dito do jogo, considerado como um dos títulos mais frustrantes da vasta biblioteca do NES. Problemático por si só, Dr. Jekyll and Mr. Hyde (Jekyll Hakase no Homa Ga Toki) peca em diversos aspectos, desde as fases extremamente repetitivas até o alto grau de dificuldade, ou o baixo nível de interesse que o jogo é capaz de despertar.

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Lançado pela Toho em 1988, o título só foi ganhar algum destaque na internet após ser considerado como um dos piores jogos de todos os tempos, segundo James Rolfe em sua série “The Angry Video Game Nerd”. Mas será que é tão ruim assim? Vamos destrinchar essa bomba:

O jogo é dividido em seis fases idênticas com o objetivo de levar o Dr. Jekyll até a igreja para o seu próprio casamento com Miss Millicent. Logo abaixo da barra de HP há um medidor de controle que vai se enchendo conforme você sofre danos, até se transformar em Mr. Hyde.

A ideia de antagonismo entre uma personalidade e outra é ilustrada não apenas com a mudança do cenário de dia para a noite, como também a direção de progressão entre as fases: Jekyll avança no sentido convencional, da esquerda para a direita, enquanto a sua contraparte faz o caminho oposto, até que o medidor se esvazie e aconteça a reversão para a forma humana.

O pior inimigo de todos é, sem dúvidas, a mulher que faz exercícios vocais cujas notas podem matá-lo. Principalmente se ela estiver numa varanda acima da sua cabeça, enquanto um número infinito de barris vêm rolando na sua frente. Percebe o grau de bizarrice? Veja a nossa análise técnica abaixo:


Gráficos: Os gráficos não são ruins e até dá pra se surpreender com o nível de detalhes das árvores e das casas ao fundo. O problema está em ter que ver as mesmas árvores e casas de novo, e de novo e de novo até o fim da aventura. Basicamente o jogo tem apenas um cenário que se transforma, dependendo de quem está no controle, Jekyll ou Hyde.

Sons: Mais ou menos o mesmo dos gráficos: não são péssimos, mas enjoam rápido e se repetem durante todo o jogo. Dá o clima certo de terror, mas poderia ser um pouco mais diversificado. Isso vale para quase todos os aspectos do jogo, diga-se de passagem.

Jogabilidade: Aqui é que a porca torce o rabo! Nas diversas vezes que tentei me aventurar com o jogo, só tive algum sucesso quando desisti de atacar os inimigos e passei a tentar saltar por cima de todos eles. Homens bomba, mulheres suicidas, aranhas mal intencionadas… Tudo isso foi driblado com muito jogo de cintura, principalmente porque os controles também não são muito bons. Falta precisão, restando apelar para a habilidade furtiva.

Como Mr. Hyde o grau de dificuldade do jogo aumenta de maneira considerável, já que o reino da noite se torna o lar de inúmeros demônios e assombrações, cada um com um padrão de ataque pior que o outro. Mas aí você tenta contra-atacar e o seu golpe não sai em linha reta, mas em uma espiral esquisita e bastante difícil de controlar. Frustrante.

Se você morre como Dr. Jekyll, se transforma automaticamente no monstro. Se você morre como o monstro, é fim de linha. Ah! E se você enquanto monstro, ultrapassar o ponto da fase onde se transformou, morre também! É mais ou menos como se a sua parte maligna tivesse vencido a sua sanidade ou qualquer coisa assim.


A síntese da ruindade

Os homens bomba drenam todo o seu HP a quase qualquer distância, embora apenas você seja afetado pelas explosões. Seus ataques são praticamente inúteis, te deixando apenas com a opção de fugir de maneira desesperada. E aí vem a maior dúvida de todas: se o Dr. Jekyll é bondoso, por que ele tem que fugir das pessoas? Não deveria ser o Mr. Hyde fugindo? Bem, essa é mais uma pergunta sem resposta!


Vídeos

Longplay (fonte: World of longplays)

Angry Video Game Nerd – Review do jogo – em inglês (fonte: Cinemassacre)

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