Especial Nota Zero: Os Klones de Mortal Kombat (parte 2)

Fabio Zonatto / 23 de outubro de 2017 / Colunas, Nota Zero

Pois é pessoal, o Véio esteve na correria durante a Brasil Game Show 2017, o que fez a segunda parte do nosso especial Nota Zero com os piores “klones” de Mortal Kombat dar uma atrasadinha. Por isso, esse caduco pede desculpas!

Porém está na hora de resumirmos de onde paramos da última vez. Não lembra-se? Ora, então não perca tempo e refresque sua memória clicando aqui para conferir a primeira parte! Já falamos sobre cada dinamite aqui que não é brincadeira não – tem que ter estômago forte.

Porém, já dizia o véio deitado, “nada é tão ruim que não possa piorar”. E se você acompanhar-nos até o final desta jornada vai deparar-se com uma das maiores monstruosidades de todos os tempos a já carregar de forma completamente injusta o selo de “jogo de luta”… É de arrepiar os cabelos!

Como nosso seguidor do Facebook João Victor M. Vicente bem lembrou, essa pérola que vai fechar esta segunda parte do especial Klones de Mortal Kombat faz Way of the Warrior “parecer o melhor jogo de luta do mundo”. Dá pra imaginar o quanto deve ser ruim?

Aliás, se nem mesmo este Way of the Warrior você conhece ainda então prepare-se: já, já mostraremos pra você…

Kasumi Ninja (Atari Jaguar, 1994)

Também advindo do nostálgico Atari Jaguar, temos um dos mais célebres e infames clássicos dentre os muitos “klones” da história: Kasumi Ninja, lançado em 1994 pela esquecida Hand Made Software, uma verdadeira aberração até hoje conhecida como um dos mais lamentáveis jogos de todos os tempos.

Kasumi Ninja mostra sem a menor cerimônia ser uma cópia quase completa de Mortal Kombat. Apresentando uma dupla de ninjas cujas únicas diferenças eram alguns golpes e as cores de suas roupas (alguém aí falou em Sub-Zero e Scorpion?), o jogo traz ainda outros personagens extremamente estereotipados em gráficos que, de longe, gritam não terem a mesma qualidade que a obra-prima da Midway.

Porém, para sua época, a parte gráfica ainda era bastante inovadora ao flertar com efeitos tridimensionais, algo que ainda engatinhava nos videogames. Tais elementos renderam à Kasumi Ninja seus únicos elogios da crítica especializada, que impiedosamente (e com razão) tratou de despedaçar o jogo em praticamente todos os outros aspectos…

Exatamente como em outros “klones” que sofrem da mesma mazela, Kasumi Ninja também nos banqueteia com péssimos controles – tão ruins e impraticáveis que tornam-se facilmente o principal adversário a ser vencido no jogo. A soma desta falha técnica à outros desastres como a terrível trilha sonora e vozes pessimamente gravadas, fez de Kasumi Ninja um capítulo na história do Jaguar a ser completamente esquecido.

Em termos de inovação – além da tela de seleção de lutadores diferentona (e sofrível de tão ruim e confusa) – esta pérola também traz a possibilidade de inserir-se um código que bloqueia o sangue e os golpes fatais. Em teoria, este código deveria ser usado pelos pais ou responsáveis dos jogadores mais jovens para impedi-los de terem contato com a violência em excesso de Kasumi Ninja. Agora imagine jogar uma cópia de MK sem uma gota de sangue e sem qualquer “Fatality”… Isso sim é pesadelo!

Como última nota, vale lembrar que não dava mesmo pra esperar muito de um jogo onde um escocês levanta seu quilt e, de lá de baixo, atira bolas de fogo. É cada uma… Não à toa hoje esta bomba somente é lembrada quando consultamos os registros históricos em busca dos piores títulos de luta de todos os tempos.

Way of the Warrior (3DO, 1994)

Eis que nossa humilde lista nos leva a mais um clássico console do passado: o 3DO, um curioso console elaborado pela empresa 3DO Company que possuiu versões fabricadas pelas gigantes Panasonic, Sanyo e LG Electronics… Mas esta é uma história para outra ocasião!

Lançado para o 3DO em 1994, Way of the Warrior é sem dúvidas um dos mais célebres e lembrados “klones” de Mortal Kombat dentre todos. Ele chegou a figurar em matérias de revistas brasileiras da época, como a Ação Games, que até elogiou o jogo por suas “qualidades”… Levando-se em consideração os padrões da época, é claro!

Way of the Warrior chegou a receber boas críticas também dos veículos gringos por seus gráficos – bem melhores que os vistos em outros títulos presentes nesta lista – e trilha sonora de qualidade inegável, com canções compostas e tocadas pela banda de rock White Zombie, extraídas do álbum “La Sexorcisto: Devil Music, Vol. 1”, de 1992.

Outro ponto que faz de Way of the Warrior uma das mais famosas cópias de MK é sua produtora: ninguém menos que a hoje titânica Naughty Dog! Pois é, naqueles idos de 1994, a empresa estava literalmente à beira da falência, e penou para conseguir terminar a produção deste jogo valendo-se de recursos realmente precários. Para sua sorte, a Universal Interactive Studios ( falida Vivendi Games) gostou do produto e aceitou lançá-lo.

O jogo chegou a ser preparado para um lançamento nos Arcades, que terminou por jamais acontecer. Ao menos como legado, Way of the Warrior garantiu à Naughty Dog contrato com a Universal Interactive Studios para mais três games, que acabaram sendo Crash BandicootCrash Bandicoot 2: Cortex Strikes Back e Crash Bandicoot 3: Warped – títulos que mudaram a história da empresa e a tiraram por completo de sua situação apertada. Como o mundo dá voltas…

Ok, mas precisamos nos focar no conteúdo do jogo antes de passarmos para o próximo, certo? Então vamos dar uma pincelada de leve, só pra você ter uma idéia da desgraça que temos por aqui.

Como já mencionado, os gráficos são bem decentes e apresentam uma definição louvável, assemelhando-se ao Mortal Kombat original. É possível ver claramente as expressões faciais de cada lutador, bem como o terrível figurino de alguns deles (o tal Konotori é simplesmente bizarro…). Os cenários não são um primor, mas Way of the Warrior não deixa de desfilar algumas arenas bem exóticas e interessantes.

Porém, exceto pela aparência estética e sonzeira da pesada ao fundo pra dar o tom, temos um jogo que simplesmente é algo próximo do impraticável. Uma vez mais, o principal obstáculo para sua diversão serão os controles péssimos, nada intuitivos e que garantirão que você tome uma tremenda surra sem muita chance de revidar. Frustração vai a mil por hora.

Os golpes fatais podem ser inseridos após a vitória no segundo round, no momento em que o narrador lhe ordena que o inimigo seja finalizado. Neste ponto, valerão os “Fatalities” específicos de cada personagem, bem como alguns “Stage Fatalities” até interessantes… Mas novamente, os comandos terríveis farão de tudo para que você desista do jogo sem pensar duas vezes!

Time Slaughter (PC-DOS, 1996)

Antes até de começarmos a falar sobre esta “obra de arte”, vale lembrar que já no título temos a primeira confusão: há quem afirme que o nome do jogo seja “Time Slaughter” (separado), bem como há quem acredite ser “Timeslaughter” (tudo junto)… Já deu pra sentir o drama do que estamos prestes a nos meter?

Pois bem, desenvolvido pelo “estúdio” Bloodlust Software (composto por apenas duas pessoas) de forma independente, Time Slaughter é presumidamente mais um clone de Mortal Kombat – porém um que não se leva a sério de forma alguma. A prova disso são os absurdos tremendos e humor negro observados no gameplay, que muitas vezes encosta perigosamente em um mal gosto grosseiro. Chegou ao mercado em 1996, e somente para os PCs rodando através do DOS.

Embora apresente gráficos no estilo cartoon dos mais horrendos já vistos em videogames e uma trilha sonora desprovida de músicas e com efeitos bem precários, Time Slaughter consegue a façanha de ser um título até que bem divertido – e isto graças aos controles, que condenaram Survival Arts, Kasumi Ninja e Way of the Warrior. Se jogado com um joystick, o jogo apresenta boa resposta nos ataques e não lhe deixa na mão na hora mais crítica.

Mas como o Véio já disse, o humor negro que dá o tom em Time Slaughter é bem grosseiro e flerta com constantes exageros. A começar pelos personagens, dentre os quais temos um louco em camisa de força que luta num manicômio (onde observamos pelo cenário outra interna bem “à vontade”), um homem das cavernas que guarda seu porrete na tanga e até uma prostituta, com direito a cafetão se exibindo em sua arena própria.

A violência é aparente já na sanguinolência, com jatos de hemoglobina literalmente inundando o chão do local da batalha após cada golpe. Os movimentos fatais seguem o padrão, com o narrador repetindo incessantemente “Kill! Kill! Kill!” enquanto você deve entrar com o comando, sempre com efeitos dos mais bizarros e violentos. O escocês Lazarus, por exemplo, chega a arrancar o aparelho digestivo da vítima e usar os órgãos como gaita de foles! Segura o almoço no estômago depois dessa…

Uma sequência para Time Slaughter até foi cogitada, mas observando que até hoje isto jamais apareceu, é bem provável que seja mesmo algo que jamais verá a luz do dia. Quem sabe não seja melhor assim, não é mesmo?

Shadow: War of Sucession (3DO, 1994)

Chegou a hora de finalizarmos a segunda parte de nosso especial. E você ainda se lembra do que falamos no início sobre a bomba que encerraria o artigo de hoje? Pois é, pode se preparar.

A realidade é que, de tempos em tempos, nos deparamos com verdadeiras bizarrices que só podem ter sido vomitadas por alguma criatura interdimensional que veio ao nosso mundo somente para trazer algo realmente terrível e, então, desaparecer para sempre. Neste caso, o nome desta criatura é Tribeca Interactive, a desgraçada que brindou o 3DO em 1994 com o absolutamente enfadonho Shadow: War of Sucession.

Prova-se tarefa bem complicada falar desta lástima aqui, então vamos começar pelo mais básico: os gráficos, que tentam porcamente imitar os atores reais digitalizados de MK, mas que em War of Sucession são simplesmente horríveis. Enquanto os modelos dos lutadores exibem-se desfocados (isso em combinação com um figurino ainda mais terrível que o visto em Way of the Warrior), os cenários são ainda piores, sendo somente fotografias estáticas e de péssima resolução.

O som é outro “show” à parte: as poucas canções presentes são feiosas, enquanto que os efeitos sonoros são exagerados e pessimamente gravados. Salvam-se alguns diálogos com vozes nítidas, presentes em certas lutas – porém tudo é perdido graças à uma mixagem  amadora, fazendo o som do jogo de forma geral parecer “estourado” e bastante incômodo.

Em seguida, abordemos a “beleza” dos controles. Ah, os controles…

Lembra-se de que o Véio meteu o pau em alguns títulos anteriores desta lista? Pois bem: multiplique aquela galhofa por dez e você terá uma ideia de como controlar seu lutador em Shadow: War of Sucession pode se assemelhar a uma verdadeira tortura chinesa. Sem nenhum exagero: você vai se descabelar, se desesperar, inventar alguns palavrões em hebraico e ainda não vai conseguir desferir um movimento especial sequer.

Como desgraça pouca é bobagem, cabe ainda mais desespero neste tremendo desastre erroneamente citado como “jogo de luta”: os “Fatalities”. Porém, algo inesperado ocorre aqui, pois nem podemos dizer que estes são ruins, já que, na verdade, fica difícil avaliar o que simplesmente não existe. Sério mesmo, o jogo não tem qualquer movimento fatal. Então por que diabos ainda o classificamos como um “klone”? Nessa você não vai nem acreditar…

É exatamente aí que War of Sucession torna-se um marco na história: ele DEVERIA sim ter movimentos fatais, já que após a vitória do segundo round, o vencedor recebe a mensagem “Finish Him/Her” para acabar com a raça de seu oponente. O que ocorre é que simplesmente não há nenhum comando programado pela produtora para ser executado. É isto mesmo que você acabou de ler! Pense em um jogo lançado totalmente incompleto…

Portanto, é somente graças ao estilo gráfico e uns pixels vermelhos aqui e acolá após algum ataque mais forte que contamos Shadow: War of Sucession nesta lista. Importantíssimo ressaltar que, de longe, este é o pior jogo dentre os dez aqui citados. Para quê então lembra-lo? Ora, porque tal aberração simplesmente não pode cair no esquecimento jamais!

O que seriam das rodas de conversa entre Véios retrogamers se não nos lembrássemos destas piadas abissais entre uma cervejinha e outra?

Pois é, senhor Patrick Bateman, por hoje chega mesmo. Mas só “por hoje”, pois este doloroso especial ainda não terminou!

Você até pode pensar que já falamos aqui dos piores, mas o problema é que a lista destes “piores” é bem longa. Na verdade, falar sobre todos os terríveis jogos que tentaram pegar uma “rabeira” no busão do Mortalzão véio de guerra daria um especial semanal para, no mínimo, uns três meses! Não dá pra acreditar na cara de pau de algumas empresas desenvolvedoras de jogos quando o assunto era copiar o petardo de Ed Boon e John Tobias na incansável busca por grana…

Portanto tome fôlego para a próxima parte. O véio aqui garante: ainda tem muita obra de arte pra se ver nesta galeria dos horrores!

Vídeos

Kasumi Ninja (Atari Jaguar): Fatalities – Fonte: Liberal Decay

Way of the Warrior (3DO): Fatalities – Fonte: Liberal Decay

Time Slaughter (PC): Fatalities – Fonte: szydlak

Shadow: War of Succession (3DO): Gameplay – Fonte: machineofadream

Compartilhe com a galera:

FacebookTwitterGoogle+

Leia mais sobre: , , , , , , , , , ,


Leia a Revista Jogo Véio

Revista Jogo Véio - Gratuita, pra ler no PC, no Tablet e no Smartphone

Junte-se ao Asilo