Especial Nota Zero: Os Klones de Mortal Kombat (parte 3)

Fabio Zonatto / 11 de novembro de 2017 / Colunas, Nota Zero

Uma vez mais, o Véio vai lá remexer em lembranças (dentre as quais muitas deveriam ser de fato esquecidas) das mais antigas e bizarras para trazer nosso especial Nota Zero com os piores “Klones” de Mortal Kombat à sua terceira parte. Todos estão preparados para um pouco mais de tortura sangrenta?

Por falar nisso, já conferiu a Parte 1 e Parte 2 deste nosso especial? Se não, corra lá pra dar uma olhada – a experiência só é completa se for vivida na íntegra!

Neste novo episódio, trazemos os últimos jogos de maior (ou ao menos alguma) relevância a ganharem o título de cópias descaradas do grande clássico da Midway que, em tantos aspectos, mudou o mundo dos videogames. Vale lembrar que estamos cobrindo títulos somente lançados aos Arcades e consoles noventistas e ao já jurássico PC-DOS dos PCs da época. Se após esta etapa da história outros “Klones” foram lançados, você nos pergunta? Mas é claro! Tem muito mais pesadelos de onde estes saíram.

Exatamente por isso, esta parte ainda não é considerada a “final” – no primeiro PlayStation, Nintendo 64 e em outras plataformas daquela mesma geração vimos nascer outros muitos jogos a inspirarem-se na violência e golpes fatais praticamente inventados em Mortal Kombat  na busca por uma “carona para o sucesso”. Exemplos não faltam: Wu Tang: Shaolin Style, Thrill Kill, War Gods, Mace – The Dark Age e por aí vão.

Portanto, espere no future por uma possível quarta parte destes terríveis Klones de Mortal Kombat cobrindo os mencionados e outros mais. Isto porque, em meio aqueles maravilhosos títulos que povoam nossas memórias de infância, o que também não falta é Nota Zero com aquele “Q” de nostalgia!

De momento, fique com mais algumas pérolas pixeladas retiradas lá do fundo da arca. Está preparado para mais uma viagem rumo ao mar de hemoglobinas toscas?

Blood Warrior (Arcade, 1993)

O próximo título de nossa lista gera alguma discussão, pois alguns “arqueólogos” de retrogames mais puristas firmemente acreditam que Blood Warrior, lançado pela Kaneko em 1993, NÃO enquadra-se como um “klone” de Mortal Kombat. Para sermos justos, coloquemos todas as cartas sobre a mesa.

Blood Warrior é uma continuação direta de Shogun Warriors, também da Kaneko, que teve seu lançamento em 15 de abril de 1992 – anterior à chegada de MK, que ganhou os Arcades em 8 de outubro do mesmo ano. Em defesa desta tese, o referido Shogun Warriors já trazia sangue espirrando nos golpes, porém em contrapartida, somente no sucessor Blood Warrior que os “Fatalities” foram de fato inclusos. Fatos expostos, fique à vontade para pensar da forma que lhe for mais apropriada.

Fato é que o jogo é bem violento, com verdadeiros banhos de sangue após cada movimento fatal aplicado. Dá pra ver tripas, intestinos e outras nojeiras em alguns destes, lembrando a mesma violência gráfica vista em Eternal Champions: Challenge from the Darkside.

Sendo bem franco, o jogo não é uma aberração completa: o gameplay dele é até fluído, com comandos que passam bem longe de serem precisos, mas também não chegam a atentarem contra a paz da humanidade. Os personagens é que são hilários, com alguns bem bizarros – pinta até um camarada fantasiado de Kappa (aquela “tartaruga” humanóide das lendas japonesas)!

Graficamente, Blood Warrior também não chega a passar vergonha. As animações contam com uma boa quantidade de quadros, o que ajuda na fluidez da ação que rola com a pancadaria. Já os cenários são desconcertantes: qualquer elemento neles que possua algum movimento se parece claramente com um recorte de revista animado. Uma tosqueira das boas.

Tudo isso empacotado com um som decente, tanto nos efeitos quanto nas canções, fazem deste “klone” algo que até vale a pena ser conferido. Só não vá esperando descobrir um tesouro esquecido – o melhor mesmo é manter as expectativas lá em baixo…

Xenophage: Alien Bloodsport (PC-DOS, 1995)

Mais um jogo que muitos não devem ter ouvido falar nunca em suas vidas. Xenophage: Alien Bloodsport (que provavelmente emprestou seu nome do clássico filme de Jean-Claude Van Damme) foi produzido em 1995 para o sistema PC-DOS pelo estúdio da Apogee Software, que até hoje permanece ativo como parte do proeminente grupo 3D Realms.

O jogo inicialmente foi disponibilizado pela empresa como um shareware, e somente em 2006 passou para o estatuto de freeware. A clara intenção aqui foi tentar trazer os elementos de sucesso vistos em Mortal Kombat e aproveitá-los em um contexto diferente: um torneio alienígena onde a violência e o sangue rolam livres, leves e soltos. Pois é, se a ideia já não tinha nada de original, sua execução não ajudou em praticamente nada.

Os gráficos novamente apostam em modelos construídos digitalmente, como em Pray for Death e alguns calangos vistos em Ultra Vortek. O fato destes modelos serem grandes na tela acaba jogando contra o patrimônio, uma vez que tal evidencia ainda mais o aspecto pouco polido dos personagens. Já os cenários são bem medíocres: imagens estáticas de construções em 3D que hoje em dia qualquer criança é capaz de reproduzir fazendo uso de alguma ferramenta digital.

Na parte sonora, observamos alguns efeitos que parecem terem sido copiados diretamente de Mortal Kombat – os baques de pancadas e gemidos dos lutadores muitas vezes nos remetem a pensar desta forma. As músicas que compõe a trilha sonora são monótonas e não ajudam muito na ambientação, mas as vozes gravadas mostram-se nítidas e convincentes. Ponto positivo, finalmente!

Mas se existe algo que já aprendemos à esta altura da lista é exatamente qual o elemento de suma importância que geralmente desmoraliza por completo estes chamados “klones”: controles horríveis. Nada diferente em Xenophage, uma vez que a curva de aprendizado para acostumar-se com a complexidade dos comandos é algo que simplesmente parece não valer a pena o esforço.

Por fim, os movimentos fatais… Ah! Alguns destes “klones” realmente esforçam-se para serem “diferentões” neste aspecto. A piada recorrente aqui é que, após um “Fatality” (normalmente uma decapitação), o narrador grita “Meat!” (ou “Carne!”) de forma desconcertante. E isto nem é o pior, já que em algumas mortes explosivas, além desse hilário “Meat!”, temos ainda um impagável “Flambe!” Faltam até palavras para comentar…

Apresentamos Xenophage: Alien Bloodsport, senhoras e senhores!

Tattoo Assassins (Arcade, nunca lançado)

Tudo pelo que passamos juntos até este exato ponto nos levou a este derradeiro momento. Sim, chegamos ao final da linha para os retrogames copiadores de MK: estamos agora diante do mais infame “klone” de todos os tempos. Algo tão aberrativo que sequer chegou a receber um lançamento oficial, já que foi cancelado poucos dias antes de chegar aos Arcades. Não fosse por isso, tal lançamento deveria ter ocorrido no ano de 1994.

Respirem fundo, pois estamos prestes a entrar no mundo completamente bizarro e descabido do infame Tattoo Assassins!

A história acerca deste triste capítulo na história dos videogames é carregada de rancor, sofrimento, suor e lágrimas. Isto porque a equipe de produção da Data East – que tantos clássicos retrogames nos trouxe no passado – responsável por Tattoo Assassins teve de ralar com um prazo brutalmente apertado em regime de semi-escravidão: a galera chegava a trabalhar por volta de 20 horas por dia, comendo e dormindo no escritório e só sonhando com um bom banho… Dá pra imaginar tamanho pesadelo?

Claro que, brotando a partir de toneladas de pressão e sofrimento, um produto como um videogame jamais poderia ficar algo nem mesmo próximo do “aceitável”, então o que temos é um tremendo espetáculo de como não se fazer um jogo de luta. Na verdade, de como não se fazer qualquer coisa na vida!

A começar pelos gráficos, temos os já manjados modelos reais digitalizados pixel a pixel. Uma vez mais, os trajes usados pelos lutadores beiram o ridículo, com direito até a amazona de biquíni e sandálias parecidas com aquelas da sua avó. E tem de tudo: ciborgue, militar, patinadora olímpica, guitarrista de rock, stripper e por aí vai a bagunça.

Os cenários são simplesmente terríveis, com gráficos primários e sem qualquer preocupação com os detalhes e animações. Muitos, inclusive, são bem repetitivos, como se fossem variações uns dos outros. Também, o que poderíamos exigir de uma equipe de produção completamente exausta e, ainda assim, com o fio da faca na garganta?

O som conta com somente três canções, que repetem-se incessantemente através das fases e pelos menus. Os efeitos sonoros são uma verdadeira piada, com uso excessivo de arquivos de som genéricos e vozes, gritos e gemidos pavorosos. Absolutamente tudo aqui traz aquela sensação de que “este jogo foi muito mal feito de verdade, bicho!”

Mas o terror reside mesmo é nos controles (adivinhou! Aquela beleza digna de um vaso sanitário de banheiro público) e nos movimentos fatais. Não somente que sejam ruins, isso também podemos dizer de “klones” como Ultra Vortek e Kasumi Ninja. A coisa aqui vai ainda mais fundo, pois Tattoo Assassins criou um verdadeiro mito: o jogo deveria apresentar nada menos que 2.196 “Fatalities” em sua versão final! Pra você não pensar que tal número foi digitado aleatoriamente aqui pelo Véio, aqui vai por extenso: dois mil cento e noventa e seis movimentos de finalização.

Claro que, uma vez que foi cancelado antes do lançamento, tal numero passou bem longe de ser atingido. A versão de demonstração jogável que hoje em dia circula pela internet apresenta no máximo algo em torno de 60 – o que, convenhamos, já constitui um número absurdo.

Porém, tal façanha fica bem menos impressionante assim que observarmos a qualidade tremendamente duvidosa destes fatais: além de esfacelar a vítima, podemos transformá-la em brinquedos, animais, pinturas a óleo, iates (sim, o barquinho de rico mesmo), desenhos animados, pessoas mal-vestidas… E nada disso é exagero do Véio, lamentavelmente.

Ainda não acabou: agora, imagine um tipo de movimento de mau gosto e com um forte apelo humorístico para incluir em seu jogo de luta. Se imaginou “peido”, já começou acertando – mas tem mais, então acompanhe.

A seguir, imagine que tal movimento possa ser executado também pelas garotas de seu jogo de luta, todas elas apresentando aquela beleza de modelos da Playboy (“mulherada bonita vai atrair a molecada!” de certo pensaram). Já neste ponto, percebemos com certo terror que isto já deixou de ser deboche e virou algum fetiche realmente bizarro… Mas ainda não acabou, então continue acompanhando a leitura!

Agora imagine que estes peidos tenham uma versão “Fatality”, que os transforma literalmente em lança-chamas que torram os inimigos vivos. Já teve o suficiente? Se ainda não, então está na hora de apelar de vez: finalmente imagine que, em outra “flatulência fatal”, a doce moça literalmente peide (ou seja lá o que você preferir chamar isto…) FRANGOS ASSADOS servidos em travessas e tudo o mais. Quer mais? Cuidado com o que desejas…

Então segure-se na poltrona, pois ainda podemos imaginar que estes frangos assados comecem a saltitar pela tela, e ainda que vão se multiplicando a cada vez que atinjam alguém – inclusive a moça que os “criou” – e que logo a tela esteja repleta de frangos assados saltitantes multiplicando-se sem limites e fazendo “combos infinitos” em ambos os personagens…

…Opa, espera lá, já deu! Bicho, já chega. Simplesmente chega!

O pior mesmo é constatar que você na verdade nem precisa imaginar nada disso – esta exata cena digna dos filmes de terror mais “classe Z” do planeta de fato ocorre em Tattoo Assassins. Agora somos obrigados a nos perguntar: “O que diabos os caras tinham na cabeça quando inventaram uma aberração destas?!?” O que a pressão e sobrecarga de trabalho não fazem com o cérebro humano…

Tem muito mais a ser dito sobre esta mitológica bomba como sua absurda trama, os efeitos especiais das “tatuagens” mais feiosas do planeta e mais algumas curiosidades interessantes. Quem sabe no futuro não falemos um pouco mais de Tattoo Assassins? Você, leitor, gostaria disso? Por favor, o Véio quer saber o que você acha – deixe aí seu comentário!

Difícil de explicar, mas isto um dia quase nos foi lançado como um possível “pretendente ao trono de Mortal Kombat”. Ah, década de 90… Que saudades temos de você!

Vídeos

Blood Warrior (Arcade): Gameplay – Fonte: desk

Xenophage: Alien Bloodsport (PC): Fatalities – Fonte: szydlak

Tattoo Assassins (Arcade): Fatalities – Fonte: markusredfield

PS: Essas imagens bonitinhas que estamos usando dos personagens de Mortal Kombat nas capas da série são de autoria do artista Senhoshi.

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