Out Run (Mega Drive) – Sol, beleza e água fresca no inesquecível paraíso da velocidade

Fabio Zonatto / 20 de abril de 2017 / Análises, Mega Drive

Acomode-se em seu assento e prepare-se para pisar fundo, pois hoje revisitaremos Out Run!

Em meados de 1986, o mundo receberia um dos Arcades de corrida mais famosos da história: pelas mãos da Sega (que produziu e desenvolveu o jogo) nasceu Out Run, um jogo de corrida onde tudo parece perfeito. Afinal de contas, pilotar uma Ferrari conversível com uma gatinha como co-piloto em pistas paradisíacas e ao som de músicas empolgantes não parece outra coisa senão o paraíso!

Vale lembrar que Out Run saiu da mente genial de Yu Suzuki, uma lenda da Sega que também criou títulos/franquias clássicas tais quais Hang-on, After Burner, Virtua Fighter, Shenmue e Yakuza. Credenciais na carreira deste senhor não faltam, e Out Run talvez tenha sido seu primeiro grande passo rumo às estrelas.

Após uma ótima conversão para o Master System em 1987, Out Run finalmente aportou no Mega Drive no sempre mágico ano de 1991 (aliás, que ano foi este para o 16 bits da Sega, não?). Com a capacidade superior à do Master, o cartucho do Mega aproximava-se muito mais da experiência de velocidade vista nos Arcades, apresentando gráficos bem trabalhados e indiscutível qualidade de áudio.

Portanto, com tal clássico já devidamente apresentado, nos resta agora apertarmos os cintos e relembramos os detalhes e características que fazem de Out Run um nome que atravessou eras e mais eras na história do videogame. Sintonize sua música favorita e bora dar um role de possante em ótima companhia!

Vida boa sim, só um pouco corrida!

Em jogos como Out Run, fica até difícil abordar-se o tema “história”, já que por aqui ele literalmente não existe.

Advindo dos Arcades, a premissa única é uma só: vencer o cronômetro em cada área do longo percurso. Não há princesas a serem salvas, nem vilões que devem ser impedidos – o que você precisa aqui é impressionar a beldade de cabelos dourados sentada no banco do passageiro e não fazer feio ao volante!

Você não vai encontrar nem ao menos outros pilotos com o mesmo objetivo que você, o que por si só já descarta o nicho “jogo de corrida” e abraça somente o rótulo da velocidade. Os demais carros que o jogador encontra pela pista seriam apenas de pessoas normais, passeando tranquilamente e alheios ao seu desafio.

O criador Yu Suzuki já afirmou anteriormente que “Out Run não se trata de um jogo de corrida, mas sim de direção”. Isto significa que não temos aqui uma competição como veríamos em Road Rash, Top Gear ou Super Mônaco GP por exemplo, e sim talvez do primeiro protótipo de simulador de carros transformado em videogame.

Dito isso, é possível entendermos como a experiência de jogarmos Out Run em uma autêntica cabine de Arcade, com volante e pedais, deveria ser de fato muito superior à de sentarmos no sofá com o joystick em mãos – mas nem por isso o jogo passa perto de fazer feio nas plataformas domésticas. A adrenalina alimentada pelo desafio e velocidade ainda está lá, pulsando forte nos jogadores que entrarem de cabeça no desafio.

No volante do possante

Os controles e mecânica geral de Out Run seguem a linha mega simples dos antigos jogos de corrida: você só acelera e freia. Nada de nitros para aumentar a velocidade, botões de tiro/ataque para combater oponentes (como em Rock N’ Roll Racing e Road Rash, por exemplo) ou algo mais do tipo.

Nos Arcades, é bem verdade que o volante é bem mais intuitivo que o joystick, mas mesmo nesta versão doméstica os comandos respondem bem – são apenas um pouco “durões” para quem ainda não está acostumado. Aliás, não há mesmo como estes serem tão leves e perfeitos, uma vez que o desafio de verdade em Out Run reside em manter o carro na pista o tempo todo, ainda desviando-se dos muitos obstáculos.

Uma dica de ouro para domar melhor sua máquina é sempre ficar de olho no traçado à frente, uma vez que pegar a tangência da próxima curva – sobretudo nas mais fechadas – é essencial para manter o carango nos limites do asfalto. Isso pode ser especialmente difícil quando não temos um mapa para nos guiar, o que infelizmente por aqui é verdade. A parada é mesmo treinar os reflexos e responder rápido à mudança de trajeto.

Também não fique esperando de forma alguma que a loirinha passageira banque a navegadora e te dê alguma dica porque você vai esperar sentado – ela está lá só pra curtir a paisagem e está pouco se lixando se o coitado do piloto está travando uma batalha épica contra a pista e seus obstáculos!

Desafiando a velocidade (e os domingueiros)

Na já citada ausência de adversários, o desafio apresentado em Out Run vem na forma dos traçados cada vez mais sinuosos, obstáculos laterais e outros motoristas pelo caminho.

Quanto à pista, mesmo já dada a dica, vale sempre reforçar: manter o carro sob controle depende muito de pegar ou não a tangência da próxima curva. Caso você perceba que simplesmente começou a virar tarde demais, o negócio é diminuir a velocidade para ao menos evitar bater com força em alguma árvore ou placa nas laterais do asfalto. Mas não esquente: como cada sessão de jogo não é muito longa (dá pra bater o final de um percurso em menos de 10 minutos), pegar a manha não demora tanto assim.

Sobre os demais carros passeando, não tem jeito mesmo: o jogador terá de relembrar suas habilidades de Enduro (corridinha clássica do Atari) e tirar sua Ferrari da trajetória de colisão. Tome como verdade o fato de que nenhum deles tem espelho retrovisor – nem bom senso – para saírem do caminho de um possante em alta velocidade, ou que simplesmente eles não estejam nem aí pra você.

O mais importante é ter-se em mente sempre o seguinte: uma porrada mais forte em um outro carro, árvore, placa ou qualquer outro grande obstáculo vai fazer a Ferrari capotar lindamente, mandando pelos ares tanto o piloto quanto a moça. O jogo automaticamente recupera sua posição de origem ao centro da pista, mas o tempo perdido entre a animação da capotagem até o ponto de ganhar-se novamente velocidade após a batida fará você perder segundos valiosos.

Aliás, o tempo ganho a cada checkpoint não é dos maiores. Muitas porradas, derrapadas e saídas da pista (momento em que o carro “come” terra ou grama e perde velocidade) podem facilmente garantir que o tempo termine, o que lhe renderá um belo Game Over. Neste caso, só lhe restará recomeçar tudo outra vez – nada de passwords ou bateria interna de gravação.

Os checkpoints estão no início de cada nova área, e você perceberá que está chegando a um no momento em que a pista alterar suas características (grama pode virar deserto, o dia torna-se entardecer). Dá pra sacar que está para atingir uma nova área toda vez que você se deparar com uma bifurcação – como na imagem mais acima, podemos perceber que há várias rotas distintas em Out Run. O final é sempre o mesmo, mas o caminho até ele poderá sempre ser diferente caso o jogador opte por explorar novas rotas.

Departamento técnico – feriadão de sol em pixels

Uma vez mais, a Sega esmerou-se bastante para que, nesta conversão de Out Run, os proprietários de um Mega Drive sentissem-se privilegiados: tanto os gráficos como o som perdem pouco para os Arcades e mostram belo nível de trabalho e esforços.

O modelo do carro é bem detalhado, bem como também apresenta um bom número de quadros de animação que podemos conferir assim que fazemos uma curva ou principalmente quando acompanhamos aterrorizados uma capotagem cinematográfica pós-colisão. Embora os outros carros não apresentem o mesmo nível de detalhamento, estes são bem variados (até motocas e caminhões da Sega pintam pelo caminho) e cumprem seu papel.

Já os cenários, destes não há o que se reclamar: embora a pista seja sempre a mesma, as características de cada trecho garantem novas experiências após cada bifurcação. A eterna repetição gráfica nos obstáculos por aqui é latente, mas no quadro geral, podemos dizer sem medo de errar que qualquer cena do gameplay de Out Run daria um ótimo papel de parede para o seu PC ou celular.

No setor sonoro, Out Run também dá show e aula pra muito título 16 bits que veio após ele. Embora os efeitos sejam simples (com um bem estranho quando derrapamos fora da pista), eles entregam exatamente a sensação de estamos jogando um clássico título de corrida: os sons das batidas, cantadas de pneus e outros são nada menos que nostálgicos.

Quanto as canções, não somente temos uma boa variedade de belas e inesquecíveis músicas, como também uma inovação para os jogos de seu tempo: imagine poder escolher no rádio do seu carro o som que quer ouvir durante a partida. É exatamente esta liberdade que Out Run lhe dá – você pode “sintonizar uma rádio” e correr ouvindo a canção que mais gosta. Se isso lhe pareceu trivial até demais, não faz ideia do quanto isso era bacana para a época!

Somando-se esta característica com os trajetos múltiplos, podemos dizer que Out Run foi um dos primeiros jogos que ao menos tentou se parecer diferente para cada jogador.

Esqueça o cronômetro – Out Run não tem fim!

Fechando este humilde review sobre tão importante jogo para a trajetória da Sega, não podemos deixar de dizer com todas as letras e sem faltar com a verdade: Out Run marcou época, e sem dúvida influenciou bastante seu gênero.

O cartucho ousou inovar, trouxe uma variedade nunca antes vista em um título de corrida e fez muito gamer tomar gosto pela direção. Se já era bacana ir ao fliperama e gastar fichas e mais fichas atrás do volante, ter essa sensação emulada no conforto de seu lar não era menos que incrível.

Se você já experimentou este jogo, certamente vai se lembrar de bons momentos enquanto desafiava o tempo e cruzava por cenários paradisíacos. Porém, se jamais chegou a ver Out Run em ação e é um fã de velocidade e/ou retrogames, de certo precisa passar alguns minutos tentando domar esta Ferrari ao lado da loirinha.

No melhor estilo Arcade – que produziria no futuro máquinas como Daytona USA e Cruis’n USA, onde o objetivo também era desafiar o cronômetro – Out Run fez escola e merece não somente respeito, como também um repeteco na sua próxima hora de folga!

Video

Out Run (Mega Drive): Longplay – Fonte: World of Longplays

Dicas

Modo de dificuldade Hyper

Após algum tempo com o jogo, tornar-se fera em Out Run não é tarefa das mais complicadas. No entanto, para continuar encontrando desafios, é possível destravar um modo de dificuldade barra-pesada – o Hyper.

Para jogar neste modo, que joga o mel fora e te dá a abelha viva para mastigar, basta terminar o jogo ao menos uma vez no modo Super ou Pro. Também é possível destrava-lo na base da mamata ao apertar o botão C dez vezes na tela-título e depois seleciona-lo no Options.

O Hyper aumenta bastante a velocidade máxima de seu carro e o torna muito mais complicado de guiar. Acha que está pronto para o desafio?

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