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Power Athlete – o curioso clone de Street Fighter II

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Vocês todos, que são bem-vindos ao Dojo, sabem a imensidão da influência de Street Fighter II para os jogos de luta. A joia preciosíssima da CAPCOM deixou um rastro de sucesso que praticamente todas as empresas de softwares seguiram. Vocês, que frequentam o dojo, devem lembrar que eu já mencionei muito sobre isso, falando sobre os clones de Ryu, por exemplo.

No princípio…

Como diz a Bíblia do Dojo: “No início, havia a CAPCOM. E ela criou Street Fighter. Mas ela viu que não era tão bom. Então, em 1991, ela criou Street Fighter II. E ela viu que era bom.”. – A partir dali, houve um festival de tentativas de se acertar usando a mesma fórmula de Street Fighter. Será que a Kaneko* acertou na dosagem? É o que conferimos hoje, analisando Power Athlete.

*Não confundir com a Kemco, que fez o Top Gear, né?

Mas… o que a gente tá jogando mesmo?

Esse é um caso curioso. O jogo chegou a ter 3 nomes:

Power Athlete, o nome “raiz”, do Japão para o SNES e para o Mega Drive;

Power Moves, a versão americana do SNES;

E Deadly Moves, a versão americana do Mega Drive.

Por quê? Eu posso explicar… para isso, preciso que você feche os olhos, pequeno gafanhoto! Ótimo, vamos para o próximo tópico de nossa análise. Pode abrir os olhos agora.

Como se joga Power Athlete?

Aqui percebemos um grande diferencial entre o clone e o original: Enquanto em Street Fighter (1 e 2) o jogador já estava na pele de Ryu e Ken, dois caratecas faixa-preta, ou ainda outros “mestres” em suas artes marciais, como Chun Li no Kung Fu, Honda no Sumô e Zangief no Sambo; em Power Athlete, você é Joe, um norte-americano feio que dói, que fez apenas meio-cosplay de Ryu e ainda não se tornou mestre em nenhum dos atributos-base do jogo.

Sabiamente, Joe não sai desbravando o mundo em um aviãozinho ordinário que grita o nome do país onde desembarca… ele prefere escolher a dedo o adversário e ganhar um pouco dos atributos do oponente, caso vença. As opções são boas, mas exigem boa noção do seu nível, pois alguns deles são tão evolutos em alguns pontos, que prometem dar tanto trabalho quanto o chefe final.

Sistema de luta

Provando a tentativa de se distanciar do jogo em que foi logicamente baseado, aqui a luta é feita em dois planos (abaixo e acima). Esse estilo é semelhante ao Fatal Fury original, mas sem os saltos, na transição entre os planos*. As direcionais servem para deslocar o personagem, para frente e para trás, para o plano superior e o inferior, assim como ativar a defesa.

Todos os botões são configuráveis, tanto no SNES quanto no Mega Drive, sendo que existe apenas um botão para soco, um para chute, e um para pulo. Os movimentos especiais só são desferidos se o comando for executado com o botão de soco e de chute ao mesmo tempo.

A vantagem em relação a outros jogos de um único plano é a possibilidade de esquivar de um ataque mudando de plano. Mas, se me permitem ser honesto com vocês, muitos golpes são mal balanceados, às vezes a máquina desfere um golpe à velocidade que lhe convém, pulos e esquivas acabam sendo estratégias muito arriscadas e resta ao jogador a boa e velha defesa.

E, por último, não se tratando de um clone qualquer, Power Athlete não permite que o lutador se abaixe. Os botões direcional cima e baixo o fazem apenas mudar de plano. Nesse caso, as rasteiras chutes baixos e socos como o gancho ficaram de fora desse game. Não é uma vantagem, mas não é, necessariamente, uma desvantagem. Talvez seja uma grande vitória da preguiça dos programadores, mas a verdade jamais descobriremos.

*De onde será que a SNK achou que aquelas voadoras entre os planos seriam uma boa ideia?

Quem são os lutadores?

Às vezes pela aparência, às vezes pelas habilidades, você percebe traços sutis da clonagem “sem querer” do maioral Street Fighter II…

Joe: É o Ryu do jogo. Usa um kimono sem mangas branco e uma calça preta. Ele luta descalço e usa braceletes de pano (vermelhas no SNES e azuis no Mega Drive). Seus golpes são “Hadouken genérico” e “Shoryuken ineficente”. Sério, parece que se o vento soprar contra seu antiaéreo, você falhará. Já o “hadouken” parece ser composto por muita energia, já que arremessa Joe para trás.

Warren: Um velhinho havaiano. Um nativo com pouca roupa que parece ser um surfista da área (até aí… nada mais justo pra um representante do Havaí). Seus golpes especiais são: “Avanço em disparada”, com o ombro em direção ao adversário, e um salto “ornamental”, para qualquer direção, consiste em pular e girar o corpo com cotovelos e pernas estendidos . Um destaque para o cenário, uma jangada distante de uma das ilhas (um efeito especial interessante), enquanto um dirigível da Kaneco passeia pelos céus havaianos. Principais atributos: nenhum. Pelo menos ele é melhor que o Joe iniciante, dá pra ganhar uns pontinhos vencendo.

(Esse é um dos lutadores mais originais. Ele lembra levemente o Zangief, pela musculatura e pela falta de roupas, como também o Dhalsim, por ser um nativo da ilha).

Vagnad: Um brucutu da Rússia (esse também parece parodiar o Zangief). Motivos para a pele azulada e a falta de cabelo não se sabe ao certo, mas pode ter sido a radiação de Chernobyl. Já o manual de instruções do jogo, do SNES, dizia que Vagnad era um sobrevivente dos campos de concentração(!!!). Seus golpes especiais são o Soco Giratório (semelhante ao de Zangief, mas que anda pra frente) e o Aríete (um arremesso que consiste em virar o adversário de cabeça para baixo e tentar enfiar seu crânio no solo três vezes).

Final Atomic Buster!!!

Sua expressão facial lembra vagamente Dhalsim. Seu cenário é simples, mas a trilha sonora dele é boa. A segunda melhor do jogo.

Buoh: É um típico artista marcial japonês, que usa pintura de Kabuki no rosto, um traje samurai e uma longa cabeleira vermelha, que pode usar como arma. Seu cenário é o pátio de um templo nipônico, que dá ideia de tridimensionalidade dependendo do ponto onde se encontram os lutadores. Seus especiais são “o ataque do cabelo assassino” e o teleporte (que lhe confere proteção entre os pontos de teletransporte). Creio que esse cara seja uma “releitura” do Honda, com um pouco mais de seriedade.

(Caso estejam se perguntando, acho que quando a paz reinou em Algol, ele foi até o planeta Terra encontrar treta, já que as armas não eram mais necessárias.)

 

Baraki: Um guerreiro queniano, provavelmente de uma tribo que parou na Idade da Pedra Lascada. Seu cenário é uma pradaria com fósseis de dinossauros (ainda em decomposição?). Seus especiais são o ataque “rolinho” (lembrou de alguém?) e uma fireball, semelhante ao Sonic Boom, mas na vertical. Baraki parece muito com nosso herói verde-amarelo Blanka, com alguns acessórios de Dhalsim.

– Sinta o poder de minha técnica 100% original!!!

Gaoluon: Um artista marcial e acrobata chinês. Esse parece bastante original, não é verdade? Porém, alguns golpes dele entregam o ouro! Em seu arsenal, um de seus golpes é o Flash Kick (isso, o mesmo de Guile). Outro golpe especial é o arremesso de bumerangue “chifre de cervo”, objetos que ele usa em seus socos, também. Seu cenário é um pátio com mosaico chinês e uma visão pra os 5 (mil) picos antigos… (você sabe, aquele do Shiryu)… não é feio. Não é bonito. É muito… médio!

– Se você me jogar um sonic boom, eu chamo os advogados da CAPCOM!!!

Reayon: A única flor entre os lutadores de Power Athlete. Semelhanças com a Chun Li não podem ser mera coincidência. Por outro lado, se observar seus golpes, ela lembrará mais a Cammy: seus golpes especiais são “Dash com tapão” e o “Chute 90º” (ambos pouquíssimo eficientes). Sejamos justos: a Cammy não havia sido criada na época de lançamento do jogo, e a Reayon é rápida e pula muito alto, exatamente como a chinesa tão querida de SF2. Ela até tenta ser original, mas as semelhanças são inegáveis. Diferente das mulheres do imortal Street Fighter, ela é tailandesa. Seu cenário é um templo aberto e sua música é chatinha…

Nick: Um bom clone de Street Fighter não seria a mesma coisa sem um Ken genérico, não é? Mas Nick é também um bocado semelhante ao toureiro Vega: luta armado com uma faca, dá belos saltos e voadoras. Seus movimentos lembram break dance (OK, isso foi bem original) e seus golpes incluem “A dança” (movimentos pelo chão que terminam em chutes) e o arremesso de 3 facas (seu golpe-projétil).

Seu cenário é o que possui uma das (duas) melhores músicas, além de ser um elevador de construção de uma cidade da Espanha, sob o céu dourado, banhado por um belo pôr-do-sol. Ou seriam rochas? Honestamente, capricharam  tanto em uma parte do cenário, mas foram um tanto descuidados em outras. (Acho que) era pra ser uma cidade, sob as sombras do Sol se pondo.

É bem verdade que a luta acima não lembra nem de longe o clássico Ryu vs Ken em cima de um castelo, mas dá pra ver que a Kaneko tentou.

Bônus game

Um dos destaques desse game é seu bônus. Ele parece realmente fazer parte do treinamento de Joe para um torneio de artes marciais, ou algo do gênero. Como vimos antes, faz parte da trajetória de Joe como artista marcial iniciar sem muito poder, mas ampliá-lo aos poucos. Nos bônus, você tem a chance de se adaptar a suas novas capacidades.

O primeiro deles consiste em bater (com soco, chute ou voadora) as almofadas de um dispositivo eletrônico que acende uma luz vermelha quando acionado e uma luz azul quando atingido dentro do tempo exigido. Por outro lado, se você bater em uma das almofadas que não foi solicitada pelo dispositivo, nada acontece. É bem melhor do que uma parede de tijolos, não? E é tão divertido quanto quebrar uma Mercedes*.

O segundo bônus consiste em “rebater” (com socos e chutes) bombas jogadas contra Joe. Elas são jogadas em alturas diferentes, e, caso você erre, explodem em poucos segundos no chão, ferindo Joe e o fazendo perder preciosos segundos, já que as bombas não cessam. Esse lembra um pouco o bônus de destruição de barris de Street Fighter, mas o alvo é mais difícil de se atingir.

Em ambos os bônus, um marcador digital exibe o número de alvos restantes (luzes ou bombas, de acordo com o caso).

*Claro, o vandalismo também tem os seus encantos.

Final Boss

Conheça Ranker, o chefão casca-grossa de Power Athlete.

Não é exatamente fácil…

Nessa parte do game, a treta ficou séria! Um estádio inteiro lotado por uma multidão querendo saber quem é o mais forte lutador. Mas o promotor desse torneio é Ranker… Ah, tá bom, vou ser honesto com vocês: o enredo deixa muito a desejar em Power Athlete, não se tem muita explicação sobre muita coisa. Por outro lado, Street Fighter II também não tinha, a maioria das coisas que sabíamos era especulação ou dedução partindo dos finais dos lutadores. Por isso, deduzimos que Ranker é o promotor e só convida os mais fortes para subir com ele ao ringue.

Além de golpes eficientes, Ranker conta com um “Soco Meteoro”, que o torna invulnerável a qualquer golpe seu.

Seu projétil é semelhante ao Repuken, de Gesse Howard (Fatal Fury / Real Bout). Repare em sua pose de luta, após o disparo: Ranker transpira confiança.

Afinal, em quem seria baseado esse chefe? O porte físico é de Sagat, a carranca lembra M.Bison e cenário lembra, vagamente o de Balrog.

Uma curiosidade: o Mega Drive permite um macete para se jogar com ele no modo versus. (Ideal pra se desfazer aquela amizade antiga…)

Com alguma dificuldade e alguns continues, com certeza você consegue derrotá-lo. Claro, não esqueça de “upar” seus atributos. Um lutador preparado vale por dois, pequeno gafanhoto!

Vale a pena jogar Power Athlete?

Claro, se você é fã de carteirinha de Ryu e seus amigos lançadores de magia/fogo/apelações em geral, enrugue sua testa para esse jogo. Por outro lado, se você for um jogador véio de mente aberta e não tiver jogado esse clássico, pega lá seu joystick de Mega Drive ou de Super Nintendo.

Além de o modo versus ser um bocado divertido, o modo 1P exige sua estratégia e confiança. Não estou dizendo que Power Athlete é mais que os outros clones de Street Fighter II, mas,  foi uma tentativa de “pegar seu vácuo”;  a Kaneco trabalhou em uma bela discrepância em seu jogo e tentou emplacar Power Athlete como um clássico. Não deu certo como o jogo no qual foi baseado, mas acrescentou variedade às formas de jogo de luta.

Você se inspirou com isso? Temos muitos jogos de luta aqui no Jogo Véio! Dá uma sacada!

Nós vamos ao encontro do mais forte!!!

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