Dragon Quest 1 (NES) te leva para explorar calabouços e matar Senhores do Mal

Paulo Henrique / 19 de outubro de 2016 / Análises, NES

Quem cresceu nas décadas de 1980 e 1990 com certeza se lembra dos desenhos do SBT. É interessante pensar em como, naquela época, havia um grande foco no entretenimento da criançada. Tivemos contato com vários clássicos por meio do canal do Homem do Baú, desde a série Mortal Kombat Legacy e Guerreiras Mágicas de Rayearth, à primeira saga de Dragon Ball, na qual acompanhamos o Goku criança, o anime Street Fighter Victory, e por aí vai.

Um desses desenhos, porém, levou-me a ter um grande amor por aventuras medievais: Fly, o pequeno guerreiro (Dragon Quest Dai no Daiboken, no original japonês). As aventuras do garoto que tinha um pouco de mago e muito de herói me marcaram: o carisma dos personagens, a música tema de abertura, os cenários… Tudo me maravilhava! Fiquei pensando por muito tempo em como seria o treinamento do protagonista se seu mestre Avan não tivesse morrido (não é spoiler, passadas quase duas décadas, né?).

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O amor pelo anime Fly, além de mexer com a minha imaginação, causou outro efeito na minha vida: fez com que eu me dedicasse à série de jogos Dragon Quest.

O estabelecimento dos paradigmas de um gênero

O anime Fly é uma adaptação de Dragon Quest (ou Dragon Warrior, nos Estados Unidos), jogo que foi lançado para NES em 1986. Esse título revolucionou o cenário dos jogos de RPG na sua época, sendo responsável por fundar (ou popularizar) várias das mecânicas que nós conhecemos hoje: as batalhas por turnos, o mundo aberto, as músicas refinadas e histórias mais profundas, por exemplo.

O jogo, no Japão, tem uma importância cultural tão grande que a Enix, empresa responsável pelo desenvolvimento na época, foi aconselhada a lançar vários dos títulos posteriores apenas em finais de semana ou feriados. O que aconteceu na época foi que a criançada em vez de ir para a escola, tinha a mania de ficar nas filas das lojas esperando para comprar a sua cópia do jogo.

A grande questão é que, apesar de rústico, Dragon Quest foi um enorme sucesso em sua época, influenciando outros títulos famosos como o próprio Final Fantasy da Square e o Phantasy Star da Sega. É interessante imaginar que se não fosse por Dragon Quest, talvez a história dos RPGs tivesse sido bem diferente.

O conto de um aventureiro salvando a princesa

O jogo começa no castelo de Tantegel. O rei do lugar comenta que, no passado, o guerreiro Erdrick, ancestral do nosso herói, derrotou demônios usando uma esfera de luz. O item agora está nas mãos do Lorde Dragão, que escondeu o Globo na escuridão. Sua tarefa é resgatar o item sagrado e derrotar o Senhor do Mal. O rei diz para você recolher os itens que estão nos baús na sala e pedir orientação aos soldados presentes no recinto.

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Um dos soldados comenta que a Princesa Gwaelin foi capturada pelo inimigo há seis meses e o rei não fala da filha desde então. O soldado diz que, apesar de seu silêncio, o monarca deve estar sofrendo pela ausência de sua filha, e assim você é incumbido também de resgatar a garota. No maior clima de aventura literária, a sua jornada tem início.

Batalhas randômicas, grinding e… ações realizadas por meio de menus?

Por estar à frente de seu tempo, Dragon Quest carecia de referências. Assim, trata alguns temas de uma forma bastante rudimentar. O primeiro deles é a forma como o seu personagem avança em sua jornada. O jogador é obrigado a passar um bom tempo fazendo grinding, ou seja, batalhando com os inimigos para subir de level. Os desavisados acabam se frustrando muito nessa parte, pois a evolução no jogo é feita a passos lentos. Você luta, toma dano, vence a batalha, vai à cidade, dorme, se recupera e volta a lutar com os inimigos.

Prepare-se, pois você vai ficar um bom tempo repetindo essas ações. Esse ciclo é facilitado quando você adquire a magia de cura, mas não espere muita moleza. Esse procedimento garante duas coisas: 1º: Experiência para o level up, que garante golpes mais fortes e mais pontos de vida, e 2º: Dinheiro para a aquisição de equipamentos mais fortes, tanto defensiva quanto ofensivamente.

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O segundo aspecto que pode causar estranhamento, mas é facilmente contornado com o costume, é que as suas ações são mediadas por menus. Funciona assim: em um Final Fantasy, por exemplo, quando você quer conversar com algum NPC, basta se aproximar do personagem e apertar o botão de ação. Em Dragon Quest, porém, você se aproxima do personagem e chama um menu. Nesse menu há a ação de conversar, você a seleciona e o diálogo começa. A mesma lógica se aplica para subir e descer escadas, abrir baús e coletar itens. No começo é estranho, mas com algum tempo de história, o jogador chega até a se esquecer que o padrão não é aquele.

O time dos sonhos por trás de Dragon Quest (ou pelo menos a metade dele)

No cenário dos jogos retrô, só há um grupo de desenvolvedores conhecido como o “time dos sonhos”. Sim, eles mesmos: os responsáveis por Chrono Trigger, aquele considerado por muitos como o melhor jogo de todos os tempos. Portanto, apesar de muitas pessoas pensarem que não conhecem o time por trás de Dragon Quest, isso não é verdade: Yuji Horii e Akira Toriyama, diretor e designer de personagens, respectivamente, trabalharam tanto no Dragon Quest original quanto em Chrono Trigger (junto com Hironobu Sakaguchi de Final Fantasy). Assim sendo, qualquer jogo que tenha a mão desses feras merece aquela chance de ser experimentado.

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Considerações finais

Dragon Quest teve papel fundamental no estabelecimento dos paradigmas de um dos gêneros mais influentes de todos os tempos. Sua importância, portanto, é indiscutível. Para aqueles com menos paciência pode ser difícil se envolver com o jogo, mas se você der uma oportunidade ao título, com certeza apreciará o seu desenvolvimento e o desenrolar de sua história.


Vídeos

Dragon Warrior – Longplay (Fonte: World of Longplays)

 

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