Fatal Labyrinth (Mega Drive) te leva para explorar calabouços em estilo roguelike

Eidy Tasaka / 27 de setembro de 2016 / Análises, Mega Drive

Nem só de um visual agradável se faz um bom jogo de videogame. Se hoje o aspecto gráfico tem tanta influência na decisão de compra de um jogo ou console, duas ou três décadas atrás as coisas funcionavam de um modo diferente.

Claro, não estou dizendo que nós da velha guarda nos sujeitávamos a jogar qualquer porcaria, sem nenhum atributo estético ou esmero. Ou se fazíamos isso (às vezes, vai), também não quer dizer que não tínhamos senso crítico para entender que aquele gráfico era bom ou ruim. Mas nós não nos prendíamos apenas a um visual bonito, esse é o ponto.

Toda essa volta antes de começar a falar especificamente de Fatal Labyrinth (Sega, 1991), porque eu entendo que algumas experiências acabam se tornando extremamente datadas, principalmente se estão ligadas ao fator nostalgia. Na nossa memória as coisas são sempre melhores, mas quando as confrontamos com um olhar mais maduro, é só decepção. Com Fatal Labyrinth acontece exatamente o contrário, e é por isso que você deve jogá-lo com carinho!

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Diversão e desafio acima de tudo

Estamos falando de um RPG de ação clássico, com mecânica simples e rápida de se entender. A parte visual e o som deixam bastante a desejar, mas bastando apenas alguns minutos de jogo até você se familiarizar com as dungeons e você acaba se empolgando com os desafios de Fatal Labyrinth.

No controle do espadachim Trykaar, você precisa desbravar um imenso calabouço com 30 níveis aleatoriamente gerados, o que significa que cada partida é única e não é possível decorar os caminhos do jogo. Escadarias e saletas de diversos tamanhos vão se intercalando para compor cada nível da torre, todos repletos de inimigos e equipamentos que devem ser coletados para ajudá-lo a concluir sua missão. Que missão? Subir todos os andares da torre, derrotar o dragão no topo e recuperar o item mágico Holy Goblet, capaz de salvar todo o reino de Draconia. Só isso, sem princesas, sem lenga-lenga!

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Os inimigos só se mexem conforme você se desloca pelo cenário. Ou seja: um passo seu, um passo deles, adicionando um quê de estratégia ao jogo. De começo você até pode desconsiderar isso e seguir em linha reta em direção as saídas, mas nos níveis finais do jogo, cercado de inimigos, só dá pra sobreviver calculando os seus passos.

O sistema de batalha beira o rudimentar, bastando apenas você se colocar de frente para o inimigo para começar o combate em tempo real, intercalando golpes seus e do inimigo, até que alguém pereça ou você fuja em outra direção. Em alguns casos, fugir é até uma escolha inteligente, principalmente se os seus ataques estiverem errando muito o alvo, o que não seria nenhuma raridade.

Armas brancas, elmos, armaduras, poções e ítens consumíveis podem ser encontrados avulsos pelo cenário, e devem ser coletados. Através deles, Trykaar torna-se mais forte e resistente para encarar os níveis mais altos do calabouço. Inclusive, seus níveis de força, resistência e o level do personagem podem ser vistos a qualquer momento no menu que se localiza na parte inferior da tela, assim como quanto de dinheiro você tem eu seus bolsos e o seus pontos de vida e de fome.

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Diferente da maioria dos jogos do gênero, em Fatal Labyrinth ter dinheiro não significa praticamente nada. Uma vez que você está trancado em um calabouço, você não tem onde gastar a sua fortuna, servindo ela apenas para aumentar o número de pessoas presentes em seu funeral quando o personagem morre! Louco, não?

Seus pontos de vida vão se recuperando de maneira automática conforme você vai se deslocando pelas salas. De maneira lenta, mas já é alguma coisa! Além disso, você precisa ir coletando comida para não passar fome e começar a perder pontos de vida por inanição. Comida em excesso, por outro lado, pode deixar o seu personagem lento e suscetível a ataques inimigos. É preciso ter bastante cuidado nessa parte (na verdade, é preciso ter cuidado com tudo)!

Sobre os itens, é importante frisar que eles possuem diferentes cores, cada uma com um efeito próprio de ataque ou defesa. A cor azul adiciona o tipo elemental ‘raio’ aos seus ataques, a amarela aumenta a sua defesa e assim por diante. Esse sistema de cores também é aleatório, então tem que ir na base da tentativa e erro.

Todas essas mecânicas aleatórias fazem de Fatal Labyrinth um jogo bacana e que vale a pena ser revisitado sempre que possível. Mesmo que a parte visual e a trilha sonora sejam bem fraquinhas (e vou falar delas mais abaixo), tem outros pontos positivos que podem prendê-lo por algumas horas, ou dias. Principalmente porque o jogo, como muitos outros lançados no começo da história do Mega Drive, não tem save game ou sistema de passwords: é sentou, jogou, zerou/chorou.

Considerações finais

Os gráficos e a trilha sonora do jogo sequer são dignas de notas. O cenário se repete em todos os níveis do jogo, com pequenas variações a cada dez níveis, assim como a música de fundo, totalmente sem vida.

O nível de dificuldade do jogo é alto, principalmente nas últimas dez salas. Não é um ponto negativo e até aumentam a sensação de recompensa se você for valente o bastante para encarar a parada até o fim.

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Esse esquema ‘roguelike’ de ação em tiles e mapas randômicos tem um charme todo especial que torna cada tentativa uma experiência única, como se fosse sempre a primeira vez que estamos nos embrenhando nas dungeons do jogo. Outro título do gênero, que é amado por fãs do Mega Drive, é ToeJam & Earl.

Se você foi capaz de vencer a má impressão causada pelos minutos iniciais do jogo e suas musiquinhas de ninar, parabéns: o que restou vale a pena, principalmente pelo alto nível de desafio e pela nostalgia.

Não chega a ser obrigatório tê-lo em sua estante, mas se achar um cartuchinho desses dando sopa por aí e tiver uma grana sobrando, recomendo comprar!

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Vídeo

Fatal Labyrinth – Longplay (Fonte: Torne)

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