Road Rash (Mega Drive) – velocidade, porrada e muita adrenalina

Fabio Zonatto / 14 de março de 2017 / Análises, Mega Drive

Pouca gente que possuiu um Mega Drive em meados dos anos 90 deixou de jogar ao menos um dos três Road Rash lançados pela Electronic Arts (eras antes da empresa ser conhecida como a “Rainha das DLCs e Jogos Incompletos”). No intervalo da escola, entre os amigos na locadora e em tantos outros lugares o jogo sempre surgia na conversa, afinal, uma corrida de motos sem regras que trazia elementos de ação como nenhuma outra até então era mesmo algo a se destacar.

Sendo o clássico que é, Road Rash não poderia deixar de ser lembrado aqui no Jogo Véio –então coloque o capacete, vá ligando os motores e não se esqueça do taco de basebol: as corridas clandestinas agora invadem esta página com muitos sopapos em altíssima velocidade!

Road Rash – quando só a velocidade não é o bastante

O ano é 1991, e o Mega Drive precisa de jogos de qualidade para firmar-se como uma boa e competitiva plataforma (nos Estados Unidos o Master System levava uma surra do NES, então a Sega precisava mudar de estratégia). Foi neste cenário que a Electronic Arts veio com um exclusivo para o Mega: Road Rash, um título de corrida com uma forte personalidade.

A princípio a música já chamava a atenção com seu rock de batidas melódicas. O fato do game também apostar em motos ao invés de carros fazia dele algo diferente, uma vez que naqueles tempos, jogos de velocidade sobre duas rodas seguiam o estilo Hang-On, com seus circuitos fechados e regras do motociclismo.

Já Road Rash partia para um estilo completamente diferente, sendo inclusive polêmico por conta disso. Aqui, as coisas eram na base do “fora-da-lei”: rachas agressivos entre pilotos de rua, disputando prêmios em dinheiro em meio ao tráfego da cidade e não poupando violência contra os adversários. O importante era chegar na frente, e se sua moto não fosse potente o suficiente para garantir a vitória só na base da velocidade, seus punhos teriam que ser.

Não há história elaborada em Road Rash. Nenhuma princesa para ser salva, o mundo não corre perigo iminente de destruição… Não há nem mesmo algum gatinho preso em uma árvore (e se porventura houver, essa é a última coisa com a qual seu piloto vai se preocupar). A premissa é uma só: ganhar corridas clandestinas a qualquer custo para levantar uma boa grana e assim comprar motos melhores. Ah, e não ser pego pela polícia neste entremeio!

Jogabilidade – correndo pela grana alta (e da polícia)

Simplificando, Road Rash trata-se de um circuito composto por corridas espalhadas pelos Estados Unidos. Grande parte dos pegas acontece em cidades mais interioranas, com descampados verdejantes ou desertos áridos. Como na maioria dos games de velocidade daquela época, a diferença maior entre as pistas é sua dificuldade crescente: de início, os percursos serão leves e você deverá encarar pouco trânsito – já quanto mais avançamos no jogo, mais curvas impossíveis e mais carros e outros obstáculos vão surgir na pista.

A polícia é outro fator: a medida que o jogo vai passando, cada vez mais a lei estará em seu encalço. Se você bater ou for derrubado de sua moto com um policial por perto, não vai escapar do xilindró – e a corrida estará acabada.

Os comandos são bastante responsivos e funcionam muito bem em Road Rash. Além de acelerar e frear sua motoca, o jogador também pode partir para o ataque distribuindo socos e chutes nos adversários.

Enquanto os chutes servem somente para dar aquele “chega pra lá” na concorrência, os socos arrancam a barra de energia dos pilotos rivais e, se esta barra se esgotar, o infeliz será derrubado da moto. É bom lembrar que os adversários também virão para cima de você com tudo o que têm, e que alguns contam com a força extra de um porrete.

O jogador pode roubar a arma do adversário se conseguir soca-lo exatamente no momento em que ele tentar atacar, mas pelo menos no primeiro Road Rash, a arma não segue com você para as próximas corridas (isso mudaria no futuro).

Entendendo as mecânicas de Road Rash

É muito importante sempre estar atento aos arredores da pista para possíveis obstáculos e adversários. Para tanto, os espelhos retrovisores presentes no painel que é mostrado na parte inferior da tela podem ajudar – e muito.

Além dos espelhos, o painel também mostra três barras de vida: a sua à esquerda, a do oponente mais próximo à direita e uma menor ao centro que representa o estado atual da sua motoca. Quando essa barrinha se vai, é fim de corrida para você.

Porém aqui também temos algo incômodo, já que os mostradores de velocidade são basicamente inúteis para a jogabilidade – e mesmo assim fazem o painel ocupar quase metade da tela.

Os pilotos adversários são um show à parte. Embora muitos sejam genéricos, existem alguns mais “famosos” entre eles que aparecem vez ou outra antes ou após uma corrida para lhe desafiar ou até mesmo dar uma ou outra dica interessante. Isso adiciona profundidade aos pegas, pois você pode acabar lembrando do caboclo que foi folgado com você antes e partir para cima dele.

Dentre os corredores, a gatinha Natasha é a única que sempre será gentil e dará algum conselho ou mesmo apenas desejar-lhe boa sorte. Nas pistas, ela também vai se mostrar como a única adversária que jamais virá para o ataque (o que não lhe impede de atacá-la… Mas sinceramente, isso parece sacanagem com a coitada!).

Sobre duas rodas, com a faca nos dentes

O desafio de Road Rash, embora não seja dos maiores, não vai deixar você pensar que termina-lo foi moleza. Além dos percursos que vão ficando cada vez mais longos e cheios de obstáculos como carros, placas e animais (vacas, cervos e outros mais), os adversários também se tornarão mais agressivos e competitivos, uma vez que suas motos também melhorarão com o passar dos níveis.

Em determinado momento, tornar-se mestre no combate em alta velocidade será uma habilidade que o jogador necessitará afiar ao máximo. Saber quando emparelhar em um inimigo para trocar sopapos ou quando chuta-lo para frente de algum carro vindo na contramão facilitará e muito sua vida – e saber também evitar cair nestas enrascadas é algo que facilitará ainda mais.

A maior dificuldade do jogo é sem dúvida lidar com os confrontos enquanto tenta se manter na pista e desviando-se dos perigos. A programação do jogo faz com que a estrada esteja quase 100% do tempo centralizada na tela, o que significa que se você bobear, vai se ver rapidinho no meio do mato/areia e desviando-se de casas e placas pra não se dar mal.

Quedas serão inevitáveis, e se elas ocorrerem devido a alguma colisão contra obstáculo, a barra de vida de sua motoca irá sofrer danos. Caso esta barra esvazie-se por completo, é um abraço e um adeus: a corrida termina ali mesmo e você ainda terá de desembolsar uma bagatela para arrumar a possante antes de poder correr novamente (o débito é automático, não é necessário escolher alguma opção para fazer os reparos).

Como já mencionado anteriormente, a polícia é outro fator de risco nos rachas. Sempre que um policial avistá-lo, virá imediatamente em perseguição e louco pra que você cometa algum erro pra lhe “recolher” ao conforto da delegacia.

Vale lembrar que você será preso caso diminua demais a velocidade perto de um policial e também se cair da moto e for pego a pé enquanto tenta voltar a ela. Se isso ocorrer, a corrida terminará prematuramente para você (exatamente como no caso da moto quebrar), e o jogo debitará de sua conta mais um “faz-me rir” para pagar sua fiança.

Algumas dicas são muito importantes, e lembrar-se delas na hora da ação poderá salvar sua vida:

  • Tente sempre manter-se do lado direito da pista. Nesta “mão”, os carros surgirão seguindo na mesma direção que você, o que lhe dará mais tempo para livrar-se do perigo;
  • Da mesma forma, ficando do lado direito tornará mais fácil chutar os adversários para a contramão e vê-los desaparecer em algum pára-choque. Muito mais rápido livrar-se de um piloto rival desta forma que ficar trocando porradas com ele;
  • Não corra riscos desnecessários – se diminuir a velocidade for lhe fazer perder algumas posições, mas por outro lado livrar-lhe de bater com tudo em algum obstáculo, valerá a pena;
  • Não é possível derrubar o policial de sua moto neste Road Rash, então nem tente ficar brigando com ele. Mesmo que ele bata de frente em algum carro, vai apenas quicar e continuará a perseguição como se nada lhe tivesse acontecido;
  • Bater no finalzinho da corrida pode não ser o fim do mundo: passar pela linha de chegada “voando” contará da mesma forma!
  • Sempre anote as passwords de tempos em tempos. Caso você arrebente sua moto ou seja preso e não tiver grana suficiente em sua conta para reparos ou fiança, é Game Over! A password é sua segurança sempre.

Tornar-se o mestre em Road Rash não é das tarefas mais simples, mas pode ser feito com uma boa dose de paciência. O segredo é não ter muita pressa e juntar bastante dinheiro para melhorar sua moto toda vez que isto for possível – com esse plano diretor na cabeça e seguindo-se as dicas que passamos, ninguém será páreo para você quando estiver sobre duas rodas com a faca nos dentes!

Rachas a cores, em alto e bom som

No departamento técnico, Road Rash passa longe de fazer feio – mas também não é um primor. Sobre os comandos, como já mencionado são bem responsivos e não devem atrapalhar na diversão (embora a moto por vezes pareça muito “pesada”, o que apode tornar difícil a missão de escapar dos perigos).

Nos gráficos, o jogo mostra boa quantidade de cores e modelos bem definidos dos corredores – porém todos os demais elementos que compõe o cenário parecem meros recortes de papel. Carros, animais na pista, placas, árvores, o cenário no horizonte… Mas o pior são mesmo as casas, que surgem em uma escala bizarra em relação aos pilotos (parecem casinhas de boneca).

Os quadros de animação também são bastante limitados, então os movimentos ficam evidentemente bem artificiais. Também rola um “slow down” de leve caso muitos elementos encontrem-se na tela ao mesmo tempo.

Já na trilha sonora, temos aí as músicas no estilo rock que combinam perfeitamente com o chip sonoro do Mega Drive, porém também não dá pra negar que não apresentam a mesma qualidade que vemos em carts como Rock’n Roll Racing e Comix Zone, por exemplo.

Talvez a maior bronca seja o fato de que as motos não produzem qualquer som – tirando a música de fundo e uma eventual porrada aqui e colisão ali, Road Rash é um silêncio só. Isso joga contra a proposta de adrenalina do jogo, já que induz o jogador a uma tranqüilidade sem igual quando não está combatendo contra outro piloto.

No geral, o conjunto da obra – ação e velocidade sobre duas rodas – fazem tais limitações técnicas ficarem em segundo plano. Basta não ser lá muito exigente!

Ultrapassando a bandeira quadriculada

A história nos diz que Road Rash foi um grande sucesso (bem, pelo menos até chegar ao PlayStation…), gerando diversas versões para outras plataformas como o PC Amiga e o Master System. Só para o Mega Drive foram outras duas continuações (das quais falaremos no futuro).

Embora não tenha sido uma verdadeira obra de arte, o primeiro Road Rash inovou bastante ao apostar em um nicho de corridas não-tradicionais. A mistura com elementos de luta e ação trouxeram ao cartucho ainda mais interesse, e ele sem dúvida marcou a infância de muitos retrogamers.

Mesmo com a premissa de “agressivas corridas fora-da-lei”, a dose de violência observada ao longo do jogo nem de longe é algo chocante, o que significa que a criançada de hoje em dia pode aproveitar para conhecer este clássico do passado sem consternação por parte dos pais.

Indo sem grandes parâmetros comparativos e com vontade de se divertir de verdade, Road Rash é pedida obrigatória em seu acervo do Mega Drive!

Vídeo

Road Rash: Longplay (Mega Drive) – Fonte: World of Longplays

Dicas

Em Road Rash, o que impera são as inesquecíveis passwords. Bem, talvez não tão “inesquecíveis”, já que as danadas tem nada menos que 20 caracteres!

De qualquer forma, aqui vão algumas para que você possa aproveitar o jogo iniciando do ponto que quiser já com a melhor motoca (a Diablo 1000), no primeiro rank e ainda com mais uma boa grana na conta para gastar na lojinha.

Basta inserir os códigos e detonar!

  • Começar no Nível 1 com a Diablo 1000 + 64 milhões em grana e no Rank #1: 00000 5UILC 5UIBN 17MN1
  • Começar no Nível 2 com a Diablo 1000 + 64 milhões em grana e no Rank #1: 00000 5UHDC 5VI76 27D3E
  • Começar no Nível 3 com a Diablo 1000 + 64 milhões em grana e no Rank #1: 00000 5VU3D 5USOI 37I9R
  • Começar no Nível 4 com a Diablo 1000 + 64 milhões em grana e no Rank #1: 00000 5VRJD 5VSEI 47V0V
  • Começar no Nível 5 com a Diablo 1000 + 64 milhões em grana e no Rank #1: 00000 5VM9D 5VTCB 57GO8

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