Sega CD: 10 jogos que merecem ser lembrados

Fabio Zonatto / 6 de julho de 2017 / Colunas, Top 10

Depois de relembrarmos o lançamento e detalhes técnicos do Sega CD, desta vez iremos resgatar lá do fundo do baú dez jogos dos mais bacanas encontrados em sua biblioteca de títulos.

Um erro que muitos geralmente cometem é acreditar que o Sega/Mega CD contou com poucos jogos ao longo de sua existência, o que passa longe da realidade: o periférico recebeu mais de 200 títulos em CD, dentre estes 6 utilizando também o 32X (outro periférico da Sega para o Mega Drive do qual ainda falaremos no futuro) para rolar com ainda mais potência. Bem verdade que nem todos eles podem ser considerados obras primas, porém não há dúvidas de que temos grandes pérolas ali no meio!

Exatamente nestas que nos concentraremos – e já avisamos desde já: se você conhece mais alguma que não está em nossa lista, não deixe de compartilhar conosco nos comentários. Quem sabe sua sugestão não pinte no próximo Top 10 Sega CD?

10. Dark Wizard (1994)

Um jogo completamente desconhecido para muitos (o que verdadeiramente é uma pena), Dark Wizard é um imersivo e bem trabalhado título de estratégia onde o empenho do jogador é vital para se finalizar a aventura. Embora possua gráficos simples em 2D na maior parte do tempo, o CD permitia trilhas sonoras orquestradas (e magníficas) e muitas cenas de história em formato de anime em movimento.

A história, porém, não é das mais originais: um mago demoníaco libertou-se após a morte de um honrado rei que o mantinha prisioneiro, e agora ele planeja ressuscitar um antigo deus caído para cobrir o mundo em eterna escuridão. Quatro heróis e seus respectivos exércitos são os únicos capazes de enfrentar o mago e suas hostes de monstros, e o jogador deve optar por jogar com um deles. No entanto, para conhecer a história por completo, é necessário jogar-se com todos os quatro personagens – e apenas isto já garante muitas horas de jogatina.

9. Tomcat Alley (1994)

Um dos mais famosos títulos em FMV – ou Full Motion Video – que fez muito sucesso no apogeu do Sega CD, em Tomcat Alley temos a nítida impressão de sermos um “Top Gun” como foi Tom Cruise. Para quem estava acostumado com jogos de caças estilo After Burner, jogar este aqui fazia-nos pensar que a propaganda da Sega estava mais que certa: realmente estávamos na próxima fase!

No controle de um caça Tomcat da Marinha norte-americana, o jogador e seu esquadrão tem uma importante missão: combater um governo tirano que acabara de adquirir toda a tecnologia de guerra da falida União Soviética, e que agora planeja instaurar uma nova ordem mundial através de guerras e caos. Com visão em primeira pessoa de dentro do cockpit, você precisa ser rápido nos comandos para travar sua mira nos caças inimigos e outras armas hostis e explodi-los com mísseis e com a metralhadora da aeronave. Ao disparar o míssil, o jogo nos brinda com sequências cinematográficas de inimigos explodindo – algo que dava à criançada da época a nítida emoção de estar no comando de um caça de verdade.

8. Mad Dog McCree (1993)

Ainda muito em voga nos anos 1990, o cinema de Western (ou “Bangue-Bangue”, como nossos pais costumavam dizer) é o foco em Mad Dog McCree: se você fosse fã dos contos do Velho Oeste e colocasse as mãos neste jogo logo em seu lançamento, a diversão estava garantida. Nem chegava a importar muito fato de que o jogo em si era bem curto, não necessitando de muitas horas para ser finalizado.

Esta versão para o Sega CD do clássico Mad Dog traz tudo que vimos antes nos Arcades, Philips CD-i e Atari Jaguar (só que com aquela granulação característica do FMV): você é um forasteiro em uma cidade assolada pelo bando do fora-da-lei Mad Dog McCree, e recai sobre os seu ombros – e sua pistola Colt – a tarefa de limpar o lugar desta corja de bandidos. Era só apontar sua arma na direção dos capangas e “sentar o dedo” para receber uma cena digna dos clássicos filmes! Também estavam lá os duelos um contra um no estilo “mais rápido no gatilho”, com o próprio chefão Mad Dog diante de você no último cara-a-cara do jogo.

Mas hilário mesmo era perder todas as suas vidas e ter de aguentar o dono da funerária local com sua aristocrática cartola zombando da sua cara: seu azar é o lucro dele!

7. Sol-Feace (1991)

Nome estranhão, não é mesmo? Mas não se deixe enganar por este detalhe: Sol-Feace dá espetáculo de se aplaudir de pé quando começa a rolar na sua TV! O estilo é o clássico shoot’em up sidescroller de “navinhas”, exatamente como no inesquecível R-Type: muitos power-ups, tiros pra todo o lado e torrentes de inimigos sedentos por transformar você em picadinho.

A trama intergaláctica é até bacana: no distante ano de 3300, uma inteligência artificial que deveria ajudar a unificar todos os povos do planeta acaba tornando-se um ditador implacável que elimina todos os humanos que se opõe às suas ordens. Liderados pelo único homem com coragem suficiente para tanto, um movimento rebelde prepara-se para lançar uma ofensiva contra o super-computador e assim colocarem um ponto final em suas sandices.

No entanto, enquanto preparam-se para construírem uma nave de combate desenvolvida com tecnologia de ponta – a chamada Sol-Feace – em larga escala, o vilão descobre a localização da base secreta e ordena sua destruição. Somente uma Sol-Feace sobreviveu ao massacre, e você a está pilotando agora! Hora de arregaçar as mangas e salvar algumas nações…

6. Night Trap (1992)

Mais um título em FMV, Night Trap mais vale ser lembrado mesmo pelo barulho que foi capaz de causar com sua chegada ao mercado que propriamente pela sua qualidade: a primeira versão lançada para o Sega CD apresentava algumas cenas consideradas inadequadas demais para o público gamer daquela época, ainda na casa dos 10 a 12 anos. Como resultado, trechos do jogo foram apontados por congressistas conservadores norte-americanos da época como material que “incitaria a violência sexual contra mulheres” (pelo fato das pessoas que o jogador deve proteger serem jovens colegiais), além de conter “cenas de violência gratuita”. Isto causou a retirada de Night Trap das lojas, o que forçou a Sega a lançar uma nova versão censurada para continuar a comercializar o jogo.

Além de, ao lado de Mortal Kombat, incitar a criação do órgão Entertainment Software Ratings Board (ESRB) existente até hoje, Night Trap pode ser lembrado por seu incomum gameplay: como um membro da distinta Sega Control Attack Team, um grupo militar de elite, sua missão é ficar de olho nas câmeras instaladas em uma residência onde estão um grupo de belas moças à espera de que os chamados Augers – seres vampíricos sedentos por sangue – tentem atacá-las. Assim que um destes vilões é avistado em algum cômodo da espaçosa casa, você deve ativar uma armadilha lá instalada para acabar com a festa deles. Se pareceu bizarro, então experimente jogar e ver com seus próprios olhos!

5. AH-3 Thunderstrike (1993)

Enquanto pilotamos um caça em Tomcat Alley (ou mais ou menos isso, já que lá você só atira – não controla o teco-teco), em AH-3 Thunderstrike temos a chance de assumirmos o controle de um helicóptero de guerra e sentar chumbo grosso em mais um bocado de inimigos. Porém aqui você pode esquecer os vídeos em FMV: temos os bons e velhos sprites novamente, só que em uma navegação rápida, fluída e com bons efeitos de rotação e zoom.

Não temos exatamente uma trama neste jogo: o que rola é que você faz parte de um grupo especial militar enviado somente em missões de alta importância e risco, como destruir cargueiros piratas em alto mar, impedir que terroristas coloquem suas mãos sujas em armamentos poderosos ou explodir suas antenas de comunicação. Os inimigos vêm tanto pelo ar quanto por terra/mar, porém você conta com um bom arsenal de mísseis pesados, foguetes e a boa e velha metranca para destroçar seus alvos.

Thunderstrike não fez lá muito sucesso, mas tal infâmia lhe caiu injustamente já que o jogo tem qualidade e é divertido. O som em CD apresenta também boas faixas musicais e diálogos com vozes digitalizadas que dão o toque especial à mistura. Resumindo: vale muito a pena resgatar esta pérola do esquecimento – diversão garantida!

4. Heart of the Alien (1993)

Aqui temos um jogo com ares de épico, e que no Brasil pouquíssimos conseguiram experimentar. Criado pela Interplay e publicado pela Virgin Interactive como uma continuação direta de Another World (clássico que recebeu também versões para o Mega Drive e Super Nintendo), Heart of the Alien foca-se em uma aventura de exploração embalada por uma firme história.

Este é o tipo de jogo cuja trama só faz mesmo sentido se o jogador tiver antes jogado o título antecessor – e fica aqui nossa indicação para que você detone primeiro Another World e Heart of the Alien na sequência. Acredite em nossas palavras: é uma experiência única e que vale muito a pena! Para deixar aqui um gostinho do que se trata a aventura, você controla Buddy, um alienígena que ajudou o protagonista do primeiro título – o jovem Lester – e agora retorna para sua terra. Mas ele a encontra em ruínas, e agora deve caçar o aliem de olhos vermelhos responsável pela destruição de seu.

Os gráficos são estilizados e em 2D, com sobreposição de planos para dar profundidade aos cenários. Os controles e gameplay assemelham-se um pouco aos clássicos Prince of Persia, com ênfase do estilo plataforma. Como já é de se esperar, o som é dos melhores e conta com diálogos falados e músicas muito bem orquestradas. Sem dúvida alguma, Heart of the Alien é uma experiência e tanto e que merece ser relembrada – ou descoberta.

3. Eternal Champions: Challenge from the Darkside (1995)

Deste já chegamos a falar de relance em nossa matéria sobre o Eternal Champions original para o Mega Drive, e nesta listagem ele não poderia estar de fora: uma vez que Mortal Kombat CD fora uma bela decepção (e ainda falaremos disso em uma noutra ocasião), Eternal Champions: Challenge from the Darkside segurou a peteca dos bons títulos de luta para o Sega CD com competência.

Absolutamente tudo o que vimos no primeiro Eternal está de volta desta nova versão, somente adicionando alguns novos personagens, cenários de luta, cenas em computação gráfica (reproduzidas em FMV) e mais uns trocentos novos modos de arrancar a vida (e os órgãos) dos oponentes nas finalizações de luta.

Também temos um novo chefão: o Dark Champion, contra-parte maligna do virtuoso Eternal Champion, que entra no torneio para corromper seu verdadeiro objetivo. Agora, para receber sua vida de volta, um dos guerreiros terá de, além de satisfazer os critérios estipulados pelo Eternal Champion, também derrotar o cruel Dark Champion no final. O desafio continua lá no alto, mas agora com gráficos mais detalhados e variados e som em CD que garante uma remasterização especial dos temas clássicos.

Novamente primando pela violência e carnificina, Challenge from the Darkside vai além de qualquer limite atingido pelo primeiro jogo ao mostrar eviscerações chocantes, desmembramentos brutais, incinerações e outras terríveis mortes com seus novos movimentos fatais. Em uma destas, inicia-se uma cena em CG que mostra a vítima sendo levada à presença do próprio Dark Champion, que então encarrega-se de eliminá-la de alguma forma absurda. Para quem curtiu o original, é pedida obrigatória.

2. Lunar: The Silver Star (1992)

Fãs de RPGs clássicos também não ficaram na mão com o Sega/Mega CD graças ao belíssimo Lunar: The Silver Star, o primeiro jogo de uma pequena série que marcaria para sempre os 16 bits da Sega, tamanha a qualidade da saga. Claro que este título também faz uso das cenas em FMV estilo anime, além de apresentar um belíssimo som com a característica capacidade do CD para embalar ainda mais o gameplay.

A trama tem tons de aventura épica: The Silver Star conta a trajetória do jovem Alex, um garoto vindo de uma pequena vila cujo sonho é tornar-se um grande herói exatamente como seu ídolo, o lendário Dragonmaster Dyne. Com o passar da ação, o que era uma simples jornada acaba por tornar-se a busca por um dragão ancestral, o que exigirá de Alex que atravesse o mundo em busca do poder necessário para tornar-se ele mesmo o próximo Dragonmaster, assim salvando o mundo no processo.

Ao longo da aventura, o protagonista encontra novos aliados que logo unem-se ao grupo, trazendo novas habilidades e possibilidades ao jogo e exploração. Fãs dos clássicos Final Fantasy, Phantasy Star e Chrono Trigger não podem deixar este Lunar passar em branco.

1. Sonic CD (1993)

Finalizando a lista, não podemos deixar de falar daquele que muitos consideram a melhor versão de Sonic já lançada pela Sega: em Sonic CD, o veloz ouriço azul e mascote da empresa embarca em uma aventura pelo tempo, tendo de visitar o passado, o presente e o futuro para combater o mal que o Dr. Robotnik quer espalhar pelo mundo (mais uma vez).

A história do game traz uma renovação aos padrões nos quais os games da franquia sempre decorreram: aqui, Sonic viaja ao chamado Never Lake, onde um imenso corpo extraterrestre chamado Little Planet surge no último mês de cada ano. Lá, ele encontra o planeta preso à uma grande montanha por uma enorme corrente, além de parcialmente mecanizado – o que só pode ser obra de seu arqui-inimigo Dr. Ivo Robotnick.

O vilão não apenas apossou-se do planeta, como também instalou lá uma grande base e agora planeja criar a partir dali o maior exército robótico de todos. Mas para isso, Robotnick precisará o do poder de sete gemas mágicas conhecidas como Time Stones, que podem alterar a passagem do tempo!

Sabendo que precisa deter o maligno doutor, Sonic parte para o Little Planet ao lado de Amy Rose, uma simpática ouriço cor-de-rosa que se auto-proclama a namorada do espetado azul. Porém a inocente Amy acaba sendo capturada por Metal Sonic a mando de Robotnick, e agora o herói Sonic tem nas mãos duas importantes missões: salvar a moça e impedir os planos malignos de seu rival.

Em Sonic CD, todos os estágios contam com nada menos que quatro variações: passado, presente, futuro ruim e futuro bom. O futuro ruim já é o padrão de todas as fases, e para transformá-lo em futuro bom, o jogador deve conduzir Sonic para o passado daquela fase e lá destruir um mecanismo instalado por Robotnick. A tarefa do herói é “simples”: salvar o futuro de todas as fases e, assim, conseguir o melhor final do jogo. Trabalhão!

Com gráficos incríveis, Blast Processing lá no alto com loopings e saltos em incrível velocidade e trilha sonora detonante, Sonic CD simplesmente é uma experiência imperdível não somente para os fãs da franquia, como também para todo retrogamer que não dispensa um jogaço.

Vídeos

Dark Wizard (Sega CD): Gameplay – Fonte: Vysethedetermined2

Tomcat Alley (Sega CD): Longplay – Fonte: World of Longplays

Mad Dog McCree (Sega CD): Longplay – Fonte: NintendoComplete

Sol-Feace (Sega CD): Gameplay – Fonte: Martinoz

Night Trap (Sega CD): Longplay – Fonte: TheInnocentSinful

AH-3 Thunderstrike (Sega CD): Gameplay – Fonte: Monotrematic Studios

Heart of the Alien (Sega CD): Gameplay – Fonte: World of Longplays

Eternal Champions: Challenge from the Darkside (Sega CD): Gameplay – Fonte: World of Longplays

Lunar: The Silver Star (Sega CD): Gameplay – Fonte: World of Longplays

Sonic CD (Sega CD): Gameplay – Fonte: World of Longplays

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