Shinobi (Multi) é o ninjutsu no melhor estilo retrogamer

Fabio Zonatto / 27 de julho de 2017 / Análises, Arcade, Master System

Quando falamos em ninjas nos videogames, muitos podem vir à mente logo num primeiro momento – mas dois dentre estes ocupam lugares bem especiais na memória dos retrogamers: o velho Shinobi é um deles. O outro não dá pra negar que é Ninja Gaiden, certo?

Ambos os títulos tem tradição suficiente para aqui falarmos por linhas e mais linhas, isto pois iniciaram seus legados muito cedo na trajetória dos videogames. A estrela da vez, o clássico Shinobi da Sega, chegou aos Arcades em 1987, na mitológica placa Sega System 16, fazendo um tremendo sucesso em sua época – sucesso este que ondulou também por uma boa parte dos anos 1990, com sua chegada ao Master System já no ano seguinte.

No Brasil, muitos dos retrogamers que puderam detonar as aventuras de Joe Musashi naqueles áureos tempos o fizeram graças ao 8 bits da Sega, uma vez que era bem raro encontrarmos as máquinas de Shinobi nos fliperamas tupiniquins.

Desta forma – e uma vez mais graças aos esforços da querida Tec Toy – a versão para o Master foi uma das mais jogadas e alugadas naqueles tempos gostosos de locadoras às sextas-feiras. Mesmo quem não tinha o console pode lembrar-se deste jogo, uma vez que era só passar pelas prateleiras de cartuchos de sua locadora favorita para constatar que provavelmente lá estava aquela capinha branca inconfundível. Acredite você: até o Sílvio Santos já presenteou no mitológico Portas da Esperança um afortunado garoto com um Master System que rodava, ali ao vivo, o Shinobão velho de guerra!

Não há a menor dúvida de que este grande jogo fez parte da infância e história de muita gente – e também representa um dos muitos títulos que hoje já não são mais lembrados ou considerados relevantes por uma grande parcela dos “gamers” da atualidade. Uma infelicidade que não perdurará, se depender do Véio aqui.

Sem mais demoras, partamos para o túnel do tempo sempre seguindo o caminho do guerreiro das sombras: Shinobido!

A Lenda do Shinobi Musashi

Muitos anos atrás, o tradicional dojo de Oboro acolheu um garoto franzino e indefeso, porém determinado como poucos. Após décadas de treinamento em intensa disciplina, havia nascido daquele garoto um dos mais habilidosos ninjas que o mundo conhecera: Joe Musashi (como o nome do espadachim lendário Miyamoto Musashi, lido em romances literários como o do escritor Eiji Yoshikawa). Apesar de ser um guerreiro de grande poder, Musashi dedicava-se a viver em paz com seus irmãos ninjas em Oboro, oculto nas montanhas japonesas.

Porém – como é de se esperar na vida de grandes heróis – a paz não estava destinada a durar para sempre: uma organização ninja conhecida como Zeed ergueu-se no Japão com um cruel e terrível objetivo: trazer novamente ao país o turbulento período conhecido como Sengoku, onde nas guerras entre feudos, os ninjas e samurais tinham papéis muito mais importantes que nestes tempos modernos. Se conseguissem, as matanças voltariam – bem como a demanda de contratos para que ninjas sanguinários como eles pudessem novamente prosperar.

Sabendo que os ninjas de Oboro tentariam impedi-los, os Zeed raptam muitos de seus membros menos graduados na intenção de forçar a inércia de Musashi, mas o plano sai pela culatra. Nosso amigo guerreiro não permitiria que esta injustiça prosseguisse – os Zeeds precisam ser detidos!

Limpando a cidade, um shuriken de cada vez

Ambas as versões, para Arcade e Master System, seguem a mesma mecânica de jogo: ação plataforma em sidescroller, avançando-se da esquerda para a direita e metendo estrela ninja na testa da bandidagem que surge no caminho. Os inimigos aparecem de toda a parte, e em alguns estágios, também podem surgir em dois planos: frente e fundo. Nestes casos, Musashi precisa saltar de um para o outro se quiser explorar 100% de cada estágio. Manja os clássicos jogos da franquia Fatal Fury? Pois é bem neste estilão mesmo.

Embora o ninja seja considerado “poderoso” na história, é importante notarmos que Musashi não pode ser atingido jamais por nenhum ataque inimigo, ou imediatamente perderá uma vida. No entanto, “esbarrar” em um inimigo que não esteja atacando naquele momento não ferirá o herói.

Para detonar os capangas, você conta com ataques de longa – shurikens arremessáveis – e curta distância – chutes e socos quando próximo aos adversários. Tais ataques podem ser fortalecidos (já falaremos mais sobre isto), transformando os golpes físicos em cortes com sua katana e suas estrelas ninja em uma metralhadora. Sim, você leu bem: um mestre ninja metendo chumbo na bandidagem com sua metranca! Diretamente da escolinha do professor Rambo

Além destes ataques, nosso ninja também conta com um arsenal de magias ancestrais poderosas, os ninjutsus. Estes são movimentos especiais que detonam todos os inimigos na tela (ou causam grandes danos à um chefão), mas podem ser utilizados somente uma vez por estágio. Lembra da polícia em Streets of Rage? Pois é, o negócio é guardar para emergências. Embora estas magias mostrem animações diferentes (e muito bacanas), todas surtem o mesmo efeito, então é só escolher a que mais lhe agradar visualmente.

Outro elemento de grande importância para a jogabilidade são os aliados ninja capturados pelos Zeeds que você deverá resgatar. Os reféns estarão espalhados ao longo das fases, sendo necessário que o jogador encoste neles para libertá-los. Libertar reféns, além de ser um objetivo importante para o progresso, auxilia Musashi ao aumentar-lhe o poder dos ataques normais.

Porém, o dever de salvar esta galera em apuros não é de fato uma “obrigação” na versão para o Master, que neste e em alguns outros pontos apresenta certas diferenças em relação ao seu primo dos fliperamas.

Diferenças da versão para o Master System

Na versão caseira, resgatar reféns não é mandatório para passar-se de fase. Porém, fazer isso continua a aumentar o poder dos ataques de Musashi, o que ainda é muito importante para o bom avanço na aventura. Da mesma forma, somente após salvar-se certa quantidade destes desafortunados raptados que o jogador terá acesso às fases de bônus (que no Arcade já rola automaticamente após as lutas contra os chefões).

Outra grande diferença é que, no cartucho 8 bits, Joe Musashi conta com uma barra de vida que lhe permite suportar mais dano inimigo antes de perder uma de suas vidinhas – mas para compensar, “trombar” num inimigo por aqui faz com que você perca um naco desta energia. E ainda que possua esta funcionalidade bem útil, o Shinobi caseiro não é nem um pouco mais fácil que o do Arcade, lembre-se disto!

Por fim, também notamos elementos distintos entre as duas versões nas já citadas fases de bônus: enquanto que no Arcade a recompensa são vidas extras caso todos os ninjas inimigos sejam eliminados, no Master System o que se ganha são as magias ninja que detonam a tela inteira – e acredite que você vai precisar delas contra alguns chefes casca-grossa enfrentados pelo caminho. Pois é, na vida ninja de console, nada vem de mão beijada…

De chefão em chefão é que o ninja cria um mito

Se durante os estágios você precisa ter bons reflexos para detonar os inimigos e escapar da morte, durante os confrontos contra os chefões, tais reflexos são ainda mais necessários. Embora os dois primeiros desafios sejam mais para que você pegue o jeitão da coisa, já no terceiro boss você terá de estar engatado nos comandos e espírito ninja para se dar bem.

A variedade de chefes é bem grande, de modo que nenhum deles é muito igual a outro. São diferentes tipos de desafios que exigirão estratégias distintas e que devem ser treinadas, ou pode se preparar para ver algumas vidas escoarem pelo ralo. Na maioria dos casos o negócio é mesmo ficar à distância e sentando shurikens ou chumbo grosso nos vilões, que vão de samurais de três metros de altura a até um helicóptero!

Já o chefão final – o líder dos Zeeds – dá um trabalho todo especial: ele tem muitos ataques poderosos, e manter-se distante dele é quase impossível. O jeito é se certificar que já está com seus ataques fortalecidos (para contar com a boa e velha katana) e ser preciso em seus golpes de espada. Ah, e lembre-se sempre: as magias ninjutsu são bastante eficientes contra estes inimigos poderosos – tente sempre manter uma na manga.

Departamento Técnico: Shinobi em duas realidades

Como desta vez estamos falando de um jogo para duas plataformas bem distintas – uma parruda placa de Arcade e os humildes 8 bits caseiros – é sempre bom começarmos pela que veio primeiro. Então vejamos:

No Arcade, Shinobi apresenta gráficos muito bons, porém ainda bem característicos dos anos 1980: personagens bem pequenos na tela, cenários com pouco ou nenhum movimento e pobres em detalhes e uma repetição absurda de modelos entre os inimigos. No entanto, nada disso foge dos moldes clássicos que fizeram a fama de tantos outros jogões do estilo nascidos na mesma década dourada.

Já na parte sonora temos um show: ótimas trilhas sonoras que quase não se repetem (pois é – “quaaase”) e bons efeitos que embalam a ação. As vozes são um tanto quanto abafadas, mas nada tão perturbador como no primeiro Street Fighter… Aquilo sim era difícil de se entender!

Já na versão para o Master System, temos uma adaptação esforçada e muito bem executada, dada a limitação técnica e o absoluto abismo entre ambas as plataformas. Os gráficos trazem ainda o glamour dos fliperamas ao manterem detalhes característicos, como os pôsteres na Marilyn Monroe na parede do beco e os ninjas Homem-Aranha, e desta forma não fazem feio.

No departamento de som, as coisas também seguram-se bem. Embora por aqui só existam três canções – uma para os estágios normais, outra para os duelos contra os chefes e uma última para as fases de bônus – elas são bem executadas e energéticas, segurando a peteca dos 8 bits. Os efeitos sonoros são também característicos de jogos do estilo para o console, e entregam exatamente aquela sensação de nostalgia que tanto buscamos.

Porém, nem tudo são flores no Master: o final, que é bem explicado nos Arcades, é completamente decepcionante no console da Sega (assista ao longplay no final deste artigo ou jogue você mesmo para conferir). Uma pena, porque se não fosse por esta mancada absurda, o port para o 8 bits mereceria uma nota 10 com louvores. Que bola fora, Sega!

Shinobão velho de guerra da nossa infância

Assim como falamos ao início deste artigo, Shinobi é um clássico absoluto e que jamais será esquecido por muitos véios e véias, principalmente aqui no Brasil. Este é mais um daqueles saudosos títulos que trazem dezenas de lembranças à mera citação de seu nome: quem aí não tem um punhado de bons momentos ligados diretamente à este título de ninjas?

Infelizmente, por aqui não tivemos mesmo muitas oportunidades de jogar esta aventura nos Arcades (você foi um dos felizardos? Diga aí nos comentários e compartilhe conosco!). Porém, graças ao port do Master System nos brindado pela Tec Toy, hoje podemos dizer que Shinobi fez parte da formação de muitos atuais retrogamers.

“Será que vale um repeteco?”, você pode estar se perguntando. E sinceramente respondemos: será que precisamos mesmo dizer “Com certeza!” pra você parar de pensar e partir logo pra jogatina?

Videos

Shinobi (Arcade): Longplay – Fonte: World of Longplays

Shinobi (Master System): Longplay – Fonte: World of Longplays

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