Sonic 2 – Aventura e velocidade continuam!

por Roberto Bier em 16 de março de 2018

Responde rapidão aí: o que é melhor que um Sonic?

a) 2 Sonics!

b) Sonic Boom!

c) Mario e Luigi!

d) Sonic 2000!

e) Sonic e Tails!

Se você respondeu “a”, você deve ser o palhaço da sua turma.

Se você respondeu “b”, saudações, coronel Guile!

Se você respondeu “c”, Ítalo, o que você está fazendo aqui?

Se você respondeu “d”, você é surdo e possivelmente  vítima da Polishop*.

E, finalmente, se você respondeu “e”, este texto é pra você!

Em 1992, as coisas não estavam indo mal para a SEGA. Mas a briga do porco-espinho azul contra o encanador bigodudo da Big N. ainda estava longe do fim. Estava na hora de inovar mais uma vez, fazer uma coisa tão bonita quanto o jogo de cores que a Sonic Team havia colocado em movimento em Sonic (1). Diferente do que se imaginava, a segunda versão da aventura do nosso veloz herói azul não ficou a cargo do Sonic Team, mas da Sega Techinical Institute (a STI, a mesma divisão que fez Kid Chameleon). E a missão foi bem sucedida? Corre aqui comigo, vamos conferir!

 

*Lembra da Polishop? Passava em propagandas intermináveis nos intervalos da Rede Manchete.

Sonic 2: a missão!

Sonic já tinha uma bateria de cores e sons impressionante, então seria necessário tornar sua segunda vinda ao mundo dos jogos, no mínimo, tão agradável quanto a anterior. Só de olhar para o fundo dos cenários de Sonic, já se tinha muita ideia das cores vivazes, dos quadros de animação, da trilha sonora… enfim, parece que a STI teria um longo trabalho pela frente.

Começa então a jornada dessa Divisão: iniciar do zero (não copiar e colar da plataforma original), tentar mesclar ainda mais cores e animações e tentar deixar Sonic ainda mais divertido.

Mas faltava uma coisa… uma palavra… inovação!

Tails, a grande discussão dentro de Sonic 2

Mesmo jogando com amigos, Sonic é um jogo divertido. Agora era a vez de 2 jogadores poderem desfrutar dessas aventuras de uma só vez, ou competirem entre si. Nascia Tails, mas com ele, também a polêmica entre seus criadores. Yasushi Yamaguchi foi quem idealizou a imagem de Tails, entre tantos “novos mascotes” a se escolher, porém, ele queria que o personagem se chamasse Miles Prower (trocadilho com “Miles per hour”). A STI batizou-o como Tails, mas Yamaguchi ainda tinha direitos sobre sua criação, finalizou a novela nomeando-o “Miles ‘Tails’ Prower“*. Por isso, Miles é seu nome, e Tails é seu apelido.

Yamaguchi enfrentando a equipe da SEGA, munido de seus direitos autorais.

Em todo o caso, ali estava Tails, o nome da inovação: era um ajudante, embora muitas vezes “atrapalhante”, já que caía de plataformas, caía em penhascos, e piscinas de espinhos, e ainda,  estava sempre atrás de Sonic. Porém, esse personagem pode ser controlado pelo segundo jogador, o que ajuda muito, caso ambos os jogadores sejam habilidosos.

*Essa novela foi tão longa e gerou dor de cabeça para a Sega. Em contrapartida, em uma animação americana de Sonic, Tails tem vergonha do nome, e diz a Sonic que sempre gostou muito mais de seu apelido. Yamaguchi deve ter açoitado 5 estagiários, só de raiva!

O saudável rival de Sonic

Tails também serve como rival (e amigo) do protagonista, no modo 2 jogadores (Versus), em que os dois jogadores competem em 3 zonas do jogo: Emerald Hill (a primeira fase, que lembra a Green Hill Zone), Casino Night (que transformava Sonic e Tails em bolas de Pinball e em fichas de máquinas caça-níquel) e Mystic Cave (provavelmente a mais sombria fase do jogo); e ainda em fases especiais que intercalam essas fases, sem contar a Special Stage, que premia aquele que coletar mais anéis.

Poucos prazeres se comparavam a jogar Sonic na tela dividida!

Com exceção nessas fases especiais, Sonic e Tails precisam ser rápidos, já que o placar de VS possui cinco critérios: placar (pontos corridos), tempo (pontuando o mais rápido), anéis ao final da fase, anéis totais (o máximo que cada um pegou), e monitores quebrados.

“Versus? Cai dentro, raposa!”

Particularmente, eu não via nas locadoras muita gente partindo para a competitividade, mas muito mais pela ação e cooperação, os jogadores se ajudavam simplesmente a passar as fases, mesmo que seu nível de desafio estivesse um pouco reduzido.

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Mexendo nas opções, também era possível permitir que o único poder encontrado nos monitores era o teleporte, que fazia com que os protagonistas trocassem de posição no mapa da fase. Era sacana e muito, muito divertido.

Por dentro de Sonic 2

O ciclo de fases poderias ser mantido, até porque a temática ecológica nunca deixaria a série: início em fases dotadas de paisagens naturais, passando lentamente por complexos mais urbanos, chegando por fim ao covil do grande vilão. Em Sonic 2, a passagem para o cenário urbano foi bem mais rápida, ou melhor, alternada, já que as fases fazem o seguinte caminho:

Emerald Hill – é praticamente a continuação da Green Hill Zone (de Sonic 1)

Chemical Plant – uma fábrica cinza e poluente, em que a água é roxa e existem tubos de acesso à várias áreas da fase.

Aquatic Ruin – a prova de que Robotnik não respeita patrimônios históricos, pois mesmo sendo ruínas de uma cidade antiga, robôs estão destroçando o local em busca de… vamos dizer Moe.

Casino Night – Robotnik não conseguiu seus robôs em nenhum ferro-velho, ele possui um cassino do tamanho de uma cidade, provavelmente para levantar fundos para seus investimentos robóticos.

Hill Top – fase vulcânica e montanhosa, por vezes muito bonita. Provavelmente porque Robotnik curte também exploração mineral.

Mystic Cave – Uma enorme e escura caverna, continuando as explorações minerais de Robotnik, detalhe muito interessante é a máquina de perfuração criada por ele: ela possui um farol frontal, considerando a escuridão do ambiente.

Oil Ocean – No que mais Robotnik poderia investir? Petróleo. Esse cenário dá a impressão de calor escaldante, mesmo com o Sol se pondo. Destaque para a poluição oceânica, o mar é feito de óleo denso.

Metropolis – Provando ser um lazarento de marca maior, Robotnik tem uma fábrica do tamanho de uma cidade, e ela é recheada de criaturas horrendas que atacarão Sonic sem piedade. Tudo nessa droga ataca, às vezes até o chão!

Sky Chase – Depois do inferno na terra de Metropolis, Sonic com ajuda de Tails e de seu avião, Tornado, persegue Robotnik em sua fortaleza voadora. A fase é bem legal (diferente da anterior).

Wing Fortress – Aqui reparamos que Robotnik não era pouco precavido, já que sua fortaleza é uma das mais mortais fases do jogo. Não confie em plataformas, inimigos, skates motorizados, pequenas minas terrestres, nem no Tails porque ele vai ser atingido e cair, logo no início da fase.

Death Egg – A fortaleza voadora se encaixa na última plataforma de combate de Robotnik: o Ovo da Morte! É aqui que conhecemos um novo antagonista que tornar-se-á um clássico: Mecha Sonic…

… e depois de muitas mortes necessárias para entender e memorizar seus padrões de ataque, o duelo final com o Dr. Robotnik em seu meka personalizado.

As Esmeraldas do Caos – o retorno!

Da versão anterior para a nova, encontra-se mais uma esmeralda do caos. Sabia-se esmeraldas foram usadas para acabar com a poluição e florecer a velha Green Hill. A novidade é que, com as sete esmeraldas, Sonic poderia converter-se à forma de Super Sonic, que além da aparência dourada dava-lhe poderes como invencibilidade e supervelocidade. Não podemos chamar isso de imortalidade, pois Super Sonic ainda era vulnerável a penhascos, esmagamentos e afogamentos.

♪Nós… somos as Emerald Gems…♫

Tal qual o Sonic com a invencibilidade, Super Sonic mata inimigos com um simples toque, e faz toda a sua movimentação como se estivesse usando os Power Sneakers (os Super Tenis). Porém, esse poder só é ativado com as sete esmeraldas do Caos, obtidas nas fases especiais, acrescentada a coleta de 50 anéis. Com o poder ativado, um anel é gasto por segundo, e Super Sonic volta à forma original quando o contador de anéis chegar a zero. Obviamente, nada o impede de coletar mais anéis pelo caminho, mas é sempre bom manter o olho no contador de anéis.

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E o Super Tails?

Sim, o filho do senhor Yamaguchi existe… Mas não em Sonic 2. E caso você tenha optado, lá no início do jogo, por jogar com Tails sozinho, infelizmente você perderá o melhor da festa. Tails também pode se transformar em Super Tails, na terceira versão da saga do porco-espinho azul (Sonic 3 com a expansão Sonic & Knucles). O raposo não tem a pompa de Sonic e seu pelo dourado, mas tem as mesmas habilidades e deficiências.

(Essa eu admito: roubei do Sonic Mania)

Acabaram as mudanças por aí?

De jeito nenhum! Parece que a SEGA se tocou que os grandes fãs do ouriço azul decoravam o jogo e passavam por entre as fases em velocidade frenética, atacando toda e qualquer criação do Dr. Robotnik.

Então, outra inovação foi uma brutal mudança nos padrões de ataque dos robozinhos inimigos: eles não ficam mais tanto tempo vulneráveis, com a guarda aberta. E descobrimos isso logo na primeira fase, quando os macaco-bots* arremessam cocos na cachola de Sonic, segundos antes do impacto do pulo.

“Quer um coco no coco?”

Outros exemplos seriam aquele anão segurando um escudo na fase do Cassino que bota o escudo à frente ou acima da cabeça e os vaga-lumes da Mystic Cave, que ficam invulneráveis quando acendem suas luzes. E os gafanhotos da (ARGH!) Metropolis, que lançam suas garras contra Sonic?

– Shoryuken!                                             – Jogo errado, Sonic!

Isso significa que Sonic se tornou um jogo mais tático: agora é preciso entender o padrão de ataque dos inimigos, se desejar destruí-los e, por vezes, evitá-los.

*Fui eu quem inventou esse apelido… gostaram?

E o veredicto?

O óbvio, não? Sonic 2 é um épico do Mega Drive, e, por que não dizer, do mundo dos games. O ícone de Sonic como mascote da SEGA se desprende levemente do passado, ganhando poderes como o Spin Dash (fazia falta), ganhando a parceria de Tails, que  deu um ar fresco para a série. Sonic 2 é uma continuidade não repetitiva para um Clássico (com C maiúsculo mesmo)!

Se você não experimentou Sonic 2, você só pode ter nascido após o ano 2000, então, faça um favor a si mesmo e experimente esse jogaço!

Sonic 2 é divertido pra tirar um contra com os amigos, é divertido jogar com Sonic e seu amigo Tails, ou só com Tails, e com o Super Sonic. E, caso eu não tenha dito, o principal motivo é que esse jogo é muito divertido!

Sonic 2 não é a reinvenção do pão fatiado, mas é uma referência ao fator diversão, tão visto por nós, jogadores véios, como o auge da tecnologia da época: o jogo feito para completo entretenimento, sozinho ou acompanhado, nos “pegas” do modo versus ou na base cooperação!

A vocês, “Seguistas véios”, que me acompanharam por essa corrida nos 16 bits, um abraço sônico!

E um abraço pro jogador véio Lucas Rodrigues, que ajudou pra caramba a colocar este post na luz!


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