O esquema dos Beat’n’ups sempre foi uma grande incógnita para os criadores de um jogo: fazer personagens com os mesmos movimentos e capacidades deixaria o jogo equilibrado entre os jogadores, certo? Mas personagens com características únicas não seria mais atraente ao público? Streets of Rage (1) tinha pequenas diferenças, mas eram pouco discrepantes. Street Fighter II ainda não havia nos ensinado sobre peculiaridades dos lutadores, como passou a influir após seu lançamento. E Streets of Rage 2 seguiu essa linha, mas ao invés de um bom VS, nossos heróis continuaram nas ruas fazendo justiça.

 

O início

Streets of Rage é a história de uma Nova York infestada de marginais liderada por um chefe do Sindicato do crime. (Óbvio, né? Você não esperava o chefe do Sindicato dos Sapateiros?) Axel, Blaze e Adam literalmente limparam as ruas da cidade e a areia com as bundas de Mr. X e seus comparsas. E eles não estavam sozinhos. Tinham reforço policial, considerando que era só apertar A e um personagem carinhosamente chamado de “Extorcop” ou “Robocop dos pobre” enchia a tela de chumbo, acertando os meliantes vagabundos e, misteriosamente, não acertando nossos heróis.

Resumindo, o trio encheu a gigantesca gangue de porrada, garrafada, facada, canada de ferro e paulada de bastão de beisebol. E Mr. X foi incluído no pacote. A paz reinou e nunca mais Nova York teve um crime, graças a esses três heróis incorruptíveis.

Após esses eventos: Axel tornou-se guarda-costas; Blaze virou professora de dança (provavelmente lambada, mas quanto menos soubermos dos detalhes, melhor); e Adam, com o Sindicato desfeito, voltou a ser policial, fez um financiamento imobiliário e conseguiu sua casa própria e um Mega Drive para entreter seu irmãozinho Sammy “Skate”.

 

Streets of Rage 2

Provando que nenhuma surra do mundo tira a grana e o poder de Mr. X, ele volta à liberdade, contrata mais capangas, fornece motos e caminhões para eles e recomeça suas atividades criminosas. No entanto, ele não esquece da sova que levou e manda seus homens fazerem uma visitinha à casa de Adam e o levarem como prisioneiro.

Sammy, o moleque residente, contata Axel, porque chegou em casa e viu a casa revirada, sem Adam, e os bandidos ainda picharam seu quarto com os dizeres “Mario é melhor que Sonic!”

(Desculpe, eu estou brincando, a Sega não faria isso!)

Axel, por sua vez, contata Blaze, e o time estaria completo. Contudo, o loiro brigão e guarda-costas entendeu (assim como eu) que Sammy em combate é menos útil que um tijolo, e chamou Max, um lutador de luta-livre que certamente é tão fã do Zangief quanto a R.Mika, mas sem os mesmos atrativos.

Verdade seja dita: não precisamos de muitos motivos pra sair por aí batendo em punks, né?

 

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Select your fighter!

E, por isso, em Streets of Rage 2, temos 4 personagens a escolher (considerando o Sammy).

Axel

Forte e rápido, seu ponto forte é a técnica e sua deficiência (ainda) é o salto. Ele continua sendo o grande favorito da garotada, ganhou influências diretas de Street Fighter 2: golpes com Ki, movimento anti-aéreo, e sequência de socos finalizada com Shoryuken.

Blaze

Neste game, Blaze virou o personagem mais equilibrado. Ela é “um pouco boa” em tudo: técnica, velocidade, força e resistência. Particularmente, creio que a SEGA pecou nessa parte, porque sempre achei os saltos dela fantásticos. Mas eu não sou programador, né? O que eu sei sobre a vida? A interferência de Street Fighter 2 está em seu ataque especial: o Kikoushou. (Sim, ela realmente grita o nome da magia da Chun Li.)

Max

Digamos que, se você ficar irritado feito o Hulk, Streets of Rage 2 tem o personagem certo pra você. Com Max, você descarta toda a agilidade e o salto, pra se transformar em um caminhão feito de músculos e testosterona passando por cima de meliantes, e sentenciando chefes à morte – ou pelo menos a um dano massivo. Max “quebra” o fluxo dos outros heróis do jogo, porque sua força é descomunal em comparação até aos chefes. E eu sigo achando semelhanças com SFII, já que o grandão aqui tem, entre os seus golpes, o soco giratório.

Max sentenciando Y. Signal à morte.

Sammy (Skate)

Se você estiver achando o jogo muito fácil, pode escolher ele. Sammy pula alto e se move rápido… e é só. Pra não dizer que ele não é uma total perda de tempo, Sammy tem um agarrão pelas costas que vira uma sequência de cascudos, sem muito refinamento, afinal, técnica, força e resistência não são o seu forte. Um dos seus ataques especiais é o chamado “parafuso”, um golpe que lembra os ataques aéreos de Dhalsim. e eu não achei quase nenhuma imagem dele em gameplay… por que eu não estou surpreso?

Novos vilões!

Claro, uma atualizada nos heróis é uma boa pedida, mas alguns clássicos deveriam ser mantidos também no tocante a inimigos. A novidade está em subchefes como o punk colecionador de navalhas Jack, a moderna Elektra e o Barman (ainda na primeira fase).

Diferentemente do anterior, Streets of Rage 2 apela um pouco para a tecnologia (mas a bizarrice continua), com inimigos trajando jetpacks ou armaduras com garras, máquinas com forma de Alien dentro de uma atração macabra de um parque de diversões e o inusitado o boxeador abordo de um navio.

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Motoqueiros e lutadores treinados e ninjas também são pedras em seus sapatos. Os primeiros entrarão no campo de batalha com suas motos (que explodem ao cair), e são capazes de juntar canos do chão para terminar o serviço. Já os lutadores gostam de desferir voadoras altas (quase impossíveis de se interceptar) e golpes com Ki. Por último, mas não menos irritantes, os ninjas usam katanas e shurikens e kunais para estragar o seu dia – além de saltarem muito alto e possuírem técnicas de evasão tremendamente abusivas.

Após muitos crânios rachados, Mr. X continuará com sua desleal metralhadora, no topo de sua torre do crime, mas antes apresentará a moderna versão de um inimigo clássico: Shiva, agora promovido a guarda-costas. Forte, veloz, Shiva, diferentemente dos heróis, tem todas as habilidades em alta,  e dificultará muito a sua missão.

Saudades disso???

 

Streets of Rage 2 foi uma boa sequência?

Apesar das diferenças, foi uma bela atualização do jogo. Inegavelmente Street Fighter II influenciou no jogo, mas de modo positivo, pois melhorou o que já era bom. Confesso que o Adam faz falta, mas passar por cima de uma série de Galsias com o Max ou espancar um chefe gigantesco com a sequência do Axel compensam bastante.

Os personagens ficaram maiores, por consequência, mais detalhados e com quadros de animação bem definidos. Streets of Rage 2 não parou no Mega Drive, ele também virou máquina de fliperama (um tanto rara), mas com direito a ranking e tudo. E, sinceramente, acho que competiria muito bem com outros Beat’n’ups de igual pra igual, como Final Fight (que não deu mais as caras nos arcades) e Cadillacs and Dinosaurs (que merecia uma continuação, apesar de ser um épico). Anos depois, ganhou sua versão no Master System, mas a vida útil do console já estava na reta final.

Depois de SoR2,  a série não brilhou como poderia, SoR3 fez uma bagunça sem tamanho no cérebro de quem queria entender o restante do enredo. Contudo, nossos amigos piratas da Bombergames fizeram uma versão não-oficial misturando personagens e inimigos das três versões da franquia. Claro, isso é assunto pra outro post.

(Só pra constar: depois de oito anos de trabalho a versão estava disponível pra download e a SEGA mandou tirar do ar. Sério isso, SEGA? Você despreza o trabalho dos caras na sua mais excelente saga e não admite que tentem revivê-la? Deus abençoe a pirataria, viu?)

Vou nessa, pessoal! Obrigado por terem vindo ao dojo!

Nós vamos ao encontro do mais forte!


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