Streets of Rage (Mega Drive) – combatendo o crime neste clássico da Sega

Fabio Zonatto / 22 de março de 2017 / Análises, Destaque, Mega Drive

Um bom beat’em up a casa (e a tradição) torna: preparados para relembrar Streets of Rage?

Novamente vamos revisitar um verdadeiro clássico da era 16 bits, sem dúvida um dos pilares que constitui hoje o grande legado construído no Mega Drive pela então soberana Sega. Passar por este rico período da história dos videogames sem ter experimentado ou ao menos ouvido falar em Streets of Rage foi quase impossível – mas se você de fato não conhece esta franquia, o Jogo Véio terá o maior prazer em promover este encontro.

Vamos resumir os detalhes históricos deste clássico: 1991 novamente é o ano para o qual viajaremos neste review, e como sabemos foi um dos mais importantes para a então nova plataforma da Sega. Final Fight fazia um tremendo sucesso nos Arcades, o que fez a empresa-lar de Alex Kidd e Sonic pensar “Ora, porque não um jogo assim em nosso Mega?”

Limpando as ruas, um capanga de cada vez

Todo o game precisa de uma boa história, e lá no começo dos anos 90 – convenhamos – não éramos muito exigentes em termos de originalidade. A trama de Streets of Rage em muito assemelha-se a de seu jogo inspirador Final Fight, como verificaremos a seguir.

O palco é a cidade de Nova Iorque, que (pelo menos no jogo) já foi um lugar “tranquilo e seguro”. Isso durou somente até um poderoso sindicato do crime se instalar por lá, logo utilizando seus infinitos recursos para pôr a prefeitura e os chefes de polícia em sua folha de pagamento.

Agora nenhum cidadão está seguro: os becos, ruas e até o litoral estão tomados por capangas que respondem somente ao chefe do sindicato – o soberano Mr. X. Mas nem tudo será festa para eles, pois um trio dos melhores policiais de Nova Iorque resolveu fazer justiça com as próprias mãos.

Cabe a você escolher um deles para controlar e sair limpando estas “Ruas da Fúria”!

Os justiceiros de Streets of Rage

Como em muitos outros beat’em ups, Streets of Rage conta com personagens distintos que apresentam particularidades especiais. Embora tais atributos não tenham um impacto tão decisivo durante o gameplay, eles fazem muito bem o seu papel de tornar a missão de jogar com cada herói uma experiência diferente.

Todos os três são policiais de Nova Iorque, e juraram combater Mr. X e sua legião de bandidos seja como for – inclusive deixando seus distintivos em casa e jogando o livro de regras da lei pela janela. Já vamos conhecê-los a seguir:

  • Blaze Fielding: a moça é dona da melhor combinação de golpes, com uma voadora eficaz e belo alcance nos ataques. Ela também movimenta-se mais agilmente que seus parceiros Adam e Axel, o que a torna a personagem mais rápida do jogo. Em contra-partida, Blaze é a mais fraca em termos de dano, o que reflete-se principalmente nos confrontos contra chefes;
  • Axel Stone: o mais forte da turma, com seus socos e chutes arrancando uma boa quantidade de vida dos inimigos. Mas este é praticamente o único atributo 100% positivo dele: Axel tem um alcance bastante limitado em seus ataques, sua voadora é a mais curta de todas e de longe ele é o mais lento. Porém em uma partida de duplas, é uma escolha formidável quando lutando lado a lado com Blaze;
  • Adam Hunter: exatamente como em Golden Axe, Streets of Rage tem seu fortão, sua guerreira ágil e um personagem meio-termo entre os dois – e por aqui, este último posto pertence a Adam. Com um belo alcance em seus ataques, Adam combina perfeitamente um pouco da força de Axel e da velocidade de Blaze. Sua voadora é a mais poderosa do jogo, e no conjunto da obra este é o guerreiro mais indicado para iniciantes em Streets of Rage.

Pode levar um tempo até que o jogador acostume-se com um dos personagens, e isto é um dos detalhes que torna o fator replay de Streets of Rage algo perceptível e bem interessante. Resumindo: vale muito à pena tentar terminar o jogo com todos os três guerreiros. Estaria você pronto para este desafio?

Ah, e fique ligado quando estiver jogando em dupla com um amigo: ambos os personagens podem golpear um ao outro, o que pode ser desastroso para o seu progresso. A dica é sempre tentar manter certa distância do aliado para evitar acidentes.

Aquele chefe da praia é o Rambo?!?

O desafio visto em Streets of Rage é do tipo clássico observado em beat’em ups: começa no “mamão com açúcar”, com inimigos fracotes e que contam com poucos recursos, mas logo escala em dificuldade para desafios bem maiores.

Claro que o artifício de se reutilizar inimigos mudando-se a cor de suas roupas e deixando-os mais fortes com o passar das fases aqui é utilizado de forma exaustiva, porém não dá pra negar que a variedade dos capangas vai sim aumentando conforme progredimos em nossa missão de sentar o braço na bandidagem.

O primeiro Streets of Rage conta com 7 estágios diferentes (ou “seis e meio”, como alguns preferem dizer), com 6 deles apresentando seu próprio chefão no final. Dentre estes chefes, temos alguns que tornaram-se icônicos entre os saudosistas: qual o veterano deste jogo não se lembra do Freddy Krueger (como chamou a Ação Games na época) na segunda fase? Ou do Rambo na praia? E quem jamais quis atirar o joystick na parede enquanto lutava com as duas “Blazes verdes” na balsa?

Algo notável no desafio encontrado em Streets of Rage é exatamente o re-uso destes chefões: você precisa enfrentar cada um deles ao menos duas vezes em cada playthrough, pois mesmo após derrotados em seus próprios estágios, eles retornam como sub-chefes nas fases seguintes. No final do último round encontra-se o próprio Mr. X para enfrentá-lo com sua desleal metralhadora – e também mais um monte de “Galsias” bem irritantes.

Bom lembrar algo muito importante: à exceção do chefão final e das gêmeas da Blaze, todos os outros chefes do jogo virão em duplas caso você esteja jogando com um amigo. Isso também vale quando eles retornam como sub-chefes em fases posteriores. No aperto, não esqueça de chamar a polícia (literalmente)!

De barras de aço a franguinhos de padaria

Claro que os bons e velhos power-ups também estão presentes em Streets of Rage, e com o passar das fases você precisará cada vez mais deles. De itens de cura a armas que auxiliam no dano, tudo pode surgir pelo caminho quando sabemos onde procurar.

Fique sempre de olho em cada elemento de destaque da área: cabines telefônicas, pilhas de pneus, tambores de óleo e outros obstáculos podem revelar tesouros quando atingidos. E mesmo este sendo somente o primeiro título do que tornaria-se uma trilogia, o jogo apresenta uma bela variedade de power-ups, confira:

  • Bastão de Basebol: tem um bom alcance, mas não causa tantos danos quanto o cano;
  • Cano de Aço: mesmo alcance que o bastão, porém mais forte e lento em seus ataques;
  • Faca: tem o menor alcance dentre todas as armas, porém pode ser arremessada para atingir inimigos distantes;
  • Garrafa: tem mais alcance que a faca, porém é um pouco mais fraca. Quebra-se após o primeiro golpe, tornando-se cortante;
  • Granada Paralisante: a arma mais rara de se encontrar no jogo. Possui um único uso, e quando arremessada ela paralisa inimigos em uma pequena área por até 8 segundos.
  • Maça: fruta vermelhinha que restaura 25% da vida do personagem quando consumida;
  • Frango Assado: tão saboroso quanto aquela da padaria da esquina. Recupera toda a vida do herói;
  • Pilha de Dinheiro: adiciona 1000 pontos ao placar;
  • Barra de Ouro: “vale mais do que dinheiro!”, então adiciona 5000 pontos ao placar;
  • Miniatura de Blaze, Adam e Axel: vale uma vida extra para o jogador que o coletar;
  • Miniatura do Carro da Polícia: concede um ataque especial extra (mais sobre isso a seguir). Use com sabedoria, pois você só encontrará dois destes power-ups no jogo inteiro!

O citado carro de polícia é com certeza um dos elementos mais marcantes de Streets of Rage. Quem ai não jogou esse clássico, viu-se em um momento de aperto total e “chamou a polícia” para limpar a tela? Era um alívio imediato!

Para quem não conhece, com o apertar de um único botão, um carro de polícia surgia na tela e disparava um tiro de bazuca que explodia todos os inimigos (caso fosse o player 2 que acionasse o ataque especial, o policial atirava com uma metralhadora giratória e bombardeava todo mundo).

Como é necessário apertar-se somente um simples botão, vez por outra podemos acidentalmente “chamar a polícia” sem querer – algo que geralmente observávamos com completo horror em nossos corações (quem já passou por isso sabe que não é exagero…). Claro que, devido aos altos danos que o ataque causava, a polícia é um recurso bem limitado durante todo o jogo.

O “Departamento Técnico” de Streets of Rage

Enquanto a jogabilidade mostra-se afiada e o nível de desafio na medida certa para “frustrar-se algumas vezes, porém sem querer desistir”, é nos gráficos e trilha sonora que Streets realmente brilha bonito.

Os modelos dos personagens, embora não muito grandes, são bem detalhados e contam com uma boa gama de movimentos. Nos quadros de animação temos uma economia de megas, mas nada que vá deixar a ação mais artificial ou que remotamente possa estragar a brincadeira.

Sim – nós temos por aqui uma tremenda reutilização de inimigos. Mas se o tédio bater graças a este detalhe, basta prestar atenção aos cenários: todos bem detalhados e com muitos elementos em movimento (vento que carrega latas, luzes faiscantes etc.).

Os efeitos sonoros não vão ganhar nenhum Oscar, mas entregam as reações que esperamos para cada situação. Já nas canções que embalam cada estágio… Ah, é exatamente aí que o espetáculo acontece.

Muitas das trilhas de Streets of Rage – sobretudo a canção-tema – tornaram-se clássicos absolutos da história dos videogames. E quando vemos uma destas músicas ser executada por uma orquestra ao vivo nos dias atuais… Bem, é de se medir por aí mesmo a importância da obra.

Resumindo: Streets of Rage era uma verdadeira experiência única no tempo em que foi lançado, e até hoje continua entregando grandes momentos de gameplay para veteranos e novatos nestas ruas apinhadas de bandidos.

Veredicto: batendo o martelo (de preferência na cabeça de um Galsia)

Dizer que Streets of Rage é um marco na história que merece replay não importa a época é chover no molhado: o jogo mostra dados e referências o suficiente para vender-se sozinho perfeitamente. Somente o fato deste título estar presente em nove a cada dez coletâneas de clássicos dos 16 bits já prova isso com folga.

Com o grande sucesso alcançado, Streets logo deixou a sombra do incômodo título de “clone de Final Fight” para tornar-se uma franquia com características próprias, ganhando versões para o Master System, Game Gear, Sega CD e outras duas continuações no Mega Drive, consolidando-se como um dos maiores tesouros “seguistas” de todos os tempos. Estamos diante de parte da nata de um tempo onde videogames não tentavam igualarem-se a filmes hollywoodianos – apenas concentravam-se em serem divertidos.

Ainda é necessário recomendar a você que revisite Streets of Rage agora mesmo se possível? Vá depressa, pois mesmo após décadas aquelas ruas ainda estão infestadas de bandidos prontos para serem abatidos – e continuarão desta forma “convidativa” até que ninguém mais lembre-se do jogo.

Vídeo

Streets of Rage (Mega Drive): Longplay – Fonte: World of Longplays

Dicas

Seleção de Fases e Vidas

Este truque fica bem mais fácil se você puder contar com outro jogador para lhe ajudar. Na tela principal, aperte e segure os botões A+B+C+para a direita no direcional no segundo joystick. Enquanto faz isso, selecione “Options” no primeiro joystick.

Pronto! Surgirão novas opções para você escolher em qual fase deseja começar e ainda quantas vidas terá para gastar contra a quadrilha do Mr. X!

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