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Top Gear: o auge da velocidade em 16 bits

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Ah, os jogos de corrida… aquela loucura em velocidade surreal, marcadores em milhas ou quilômetros e números de 3 dígitos exageradamente grandes. Poucos jogos de corrida cativaram a todos nós, jogadores da década de 90 como o que estava por vir. Se quiser tirar a prova, pergunte ao Ítalo sobre quais os ruídos que enchiam as locadoras brazucas em 1993: carros correndo (às vezes interrompidas por ruídos de “hadoukens”, “Get over here”, e ruídos de Super Mario World), mas ainda assim, motores desfilando sobre o asfalto estavam tomando conta das televisões em aparelhos de SNES. Isso se deve a um joguinho relativamente simples: Top Gear.

Primeiro a corrida. Carnaval, só depois.

O país que mais amou Top Gear

Talvez muitos de vocês devam saber, mas Top Gear é um jogo muito querido em nossa terra, enquanto os outros países e regiões o tratam como “só mais um jogo” do gênero. O fato é que o jogo nos cativava (e ainda cativa) por diversos fatores: edição de nomes dos pilotos, escolha do carro, opção de câmbio, dois jogadores em uma mesma tela, corridas com ranking, e muita nitroglicerina.

Sobre esse “amor envolvido” com o jogo, quem ficou surpresa foi a equipe da Kemco, criadora do game, que já trabalhava há anos para a Nintendo, ainda criando jogos para NES. Top Gear foi “apenas mais uma criação”, desconheciam o “sucesso verde-amarelo” do cartucho. E aí vem um dos segredinhos dessa equipe: originalmente, Top Gear seria apenas do Famicom, mas mudou de console a pedido da própria Nintendo.

Claro, Street Fighter, Final Fight, Mortal Kombat e até Mario ainda estavam com suas vendas/locações/uma horinha na locadora de vento em popa. Mas Top Gear oferecia um pouco de ar fresco: a música era convidativa, o jogo era estiloso, a ponto de que até quem não se arriscava muito nos jogos de corrida precisava experimenta-lo. Arrisco dizer que a reprovação foi mínima, o jogo é divertido e sua repercussão se equivale aos jogos que viriam futuramente, como Gran Turismo (PSone) e Need For Speed Underground (PS2).

 

♪ Riders on storm…♫

Top Gear inovou?

Outros jogos já haviam investido em algumas ideias que se percebem em Top Gear. É ele um dos que melhor executa essas ideias. Vejamos por exemplo, como as tentativas não foram poucas: Enduro (do Atari) já fazia com que o corredor se submetesse à chuva, escuridão da noite, névoa e até neve. Já Top Gear nos oferecia menos mudanças climáticas, mas permitia bonitas corridas à noite, algumas que iniciavam pela madrugada e terminavam a tempo de se testemunhar o nascer do sol. Uma palavra só define isso: estilo. Maiores mudanças climáticas estavam por vir em Top Gear 2, que saiu pra SNES e posteriormente para Mega Drive.

Umas das cenas que impressionavam os jogadores dos 16 bits era a visão do box: uma câmera superior nos fazia uma ideia menos vaga da parte da frente  do veículo, afinal, todos queriam dirigir um belo possante.

Select your car

No início do jogo, são oferecidas 4 opções de veículos, cada um com uma característica peculiar:

Cannibal (vermelho): É usado por aqueles que gostavam de ostentar a maior velocidade alcançada por um carro, mas à custa da aceleração (a pior do jogo), e da aderência dos pneus (por isso era ruim em realizar curvas); e tinha o mais alto consumo de combustível do jogo. Poucos arriscavam escolhe-lo. Tinha o desenho da Ferrari Testarossa.

SideWinder (branco): o oposto do vermelho, ou seja, tinha a menor velocidade final, em compensação tinha a maior aceleração, era ótimo nas curvas e era incrivelmente econômico com relação ao combustível, a ponto de não ser necessário abastecer mais que uma vez (isso quando necessário). Essa era o mais popular entre os escolhidos e é baseado no desenho da Ferrari GTO.

Razor (roxo): mediano, em todos os aspectos, mais lento que o vermelho, mais rápido que o branco, aderência dos pneus era baixa (um pouco melhor que a do vermelho), consumo de combustível medíocre. Era um dos menos escolhidos. Seu desenho fora provavelmente baseado no Honda MSX.

Weasel (azul): também mediano, empata em velocidade com o roxo, porém tem mais aceleração e tem média aderência dos pneus; já consumo de combustível era médio, o que parece ser uma vantagem em cima dos outros (exceto o branco). Tudo nele é médio, inclusive seu favoritismo. Provavelmente foi baseado em um Porsche 959.

Prevalece a estratégia…

Uma das grandes chaves para a vitória em Top Gear era a estratégia. Reparem como a escolha do veículo era estratégica, pois os veículos possuíam particularidades e estilos bastante próprios. Além disso, a parada no box oferecia a possibilidade de se encher o tanque de acordo com a escolha do jogador. Você poderia escolher entre encher preventivamente, ou arriscar a dose certa para se chegar a bandeirada final.

O que me leva à pergunta: qual era o seu lado da força? Prudência para não ficar sem combustível, ou investimento na velocidade absoluta, mesmo que isso resultasse em duas visitas ao pitstop?

O veredito: Top Gear ainda é um bom jogo?

Hoje temos à nossa disposição jogos com maior prestígio na questão gráfica. Estamos em uma era em que Gran Turismo beira a perfeição, The Crew impressiona com o realismo, Forza parece ter sido filmado, dando a impressão que tudo que fora feito antes parece ter sido literalmente ultrapassado. Porém, jogador véio curte mesmo a parada mais pixelada, e idolatra ainda mais o fator diversão. Top Gear é um jogo que envelheceu bem, é um clássico e ainda é um bom desafio. O quanto ele vale a pena? Essa eu só respondo para quem me alcançar! Vejo vocês na pista.

Leia também a nossa entrevista com Barry Leitch, o gênio por trás de Top Gear!

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