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Vigilante – Pancadaria clássica nos 8 bits do Master

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Em 1988 a briga de rua era apenas um gênero. Poucos jogos conseguiam destaque no imenso mar de títulos. Esse número incrédulo de jogos nesse mesmo tema trouxe à fama bons jogos como Double Dragon. Outros permaneceram obscuros, como Vigilante, que é o que iremos explorar aqui no dojo hoje.

Vigilante nos Arcades

Se bem que a popularidade de Vigilante não remete tanto à obscuridade. A versão do nosso amado Master System é uma conversão dos arcades para as casas dos gamers… o que era um alívio, já que os fliperamas em muitos títulos eram comedores de fichas inescrupulosos. Mas converter um arcade para o Master valeria a pena?

Quem tem um Master System sabe que vinha uma lista de jogos separados em categorias. A categoria Arcade era bastante curiosa, seriam essas adaptações legítimas, ou retalhos do que seria um bom game*?

*De toda a forma, quem ganhou mais com as adaptações foi minha mãe, que acreditava que, depois de jogar fliperama,meus próximos vícios seriam drogas, rock pesado e muito sexo. Não é surpresa pra ninguém que ela errou nos 3, né?

Antes da pancadaria, uma boa história:

As regras dos jogos de luta são sempre muito simples: ali está um grupo de meliantes, portanto, tudo que temos que fazer é descer o sarrafo nesses vagabundos com a finalidade de… isso importa mesmo?

No caso de Vigilante, temos um bom e velho clichê: reaver a moçoila do herói e fazer com que os maléficos membros de uma numerosa gangue sintam através do punho, do chute e dos nunchakus o doce sabor da justiça entre seus dentes!

Lá estava Maria, sua namorada, atriz de primeira categoria. A gangue local, os Rouges a sequestra porque… por que não, né? Talvez eles não tivessem mais nada pra fazer em um sábado de manhã, então sobrou para Maria, sequestrada e jogada na caixa de um camburão negro do mal! Um camburão que tem até grades na janela traseira, porque isso é do mal.

E, diante de tanta maldade, nosso herói atravessará a cidade para dizer-lhes duas coisas: 1 – sequestraram a garota errada, panacas! e 2 – Ninguém me incomoda em um sábado pela manhã. ninguém!

Aposto que vocês só lembram dos irmãos Lee, nessa hora, né?


Hora de vigiar as ruas!

Um breve resumo dos cenários do jogo:

1 – As Ruas da Cidade: Aqui conhecemos os movimentos do Vigilante, o herói que nos representa na hora de distribuir porrada. Também conhecemos os antagonistas mais frequentes, membros da gangue local são, em maioria loiros cabeludos, brutamontes um pouco acima do peso e estranguladores, mas com a inteligência artificial muito baixa, pois, caso você salte por cima deles, eles seguem seu caminho.

Amigo, você escorregou?

No final, conhecemos o brutamontes Harly Hog.

Duas coisas fazem mal à saúde: uma é fumar,…

 

2 – O Ferro-velho: Depois de aprender o que puder na primeira fase, mais inimigos estranguladores, punks e esfaqueadores farão fila pra arrancar um belo bife da energia do herói.

Façam fila!

E um pequeno feixe de esperança, você vai avistar a van onde Maria está, porém o gorducho Mad Dog estará esperando.

Botas? Não, não quero comprar nada!

 

3 – A Ponte: Agora que você está mais esperto, é hora de testar seus reflexos contra os motoqueiros. Velozes, eles tentam atropelar o herói sem piedade (e sem cair da moto). Mas não é nada que algumas voadoras da justiça não resolvam. Alguns inimigos agora virão até você com bastões e armas de fogo.

Road Rash fica pro outro lado, cara!

Ao final, você se encontrará com Macehead, que virá até você com uma bola de espinhos presa a uma corrente. Seja rápido, para que ele fique desarmado. Nunchakus aqui valem ouro!

Macehead? Você sabia que esse nome é idiota?

 

4 – A Cidade Baixa: os subúrbios, a parte onde não existe lei. Aqui só tem inimigos, inimigos, e mais inimigos, até você encontrar um prédio em construção.

Eu não disse pra fazerem fila?

Ali, Iron Bryan estará te esperando com dinamite nas calças (uuuui!). Algumas voadoras e ele desce da viga principal, aí é hora de mostrar a ele como se faz uma luta justa.

Isso na sua calça é dinamite, ou está feliz em me ver?

5 – Canteiro de Obras: Mais inimigos, e inimigos. E também inimigos. De repente, um vão entre as vigas.

A gangue de vocês paga seguro de vida? Eu não lutaria aqui…

Salte e lá estará te esperando Giant Defiant, Maria assistirá a tudo do alto de um guindaste, mas a corda que a suporta está por um fio. Na verdade, não precisa ser rápido, mas o que seria deste enredo sem um pouco de drama?

Sua mãe não lhe ensinou que roubar a namorada dos outros é falta de educação?

Mecânicas, dicas e curiosidades de Vigilante

As pessoas esperam muito dos Beat’em ups baseando-se especialmente em Double Dragon, como já analisamos antes. Porém, Vigilante era um joguinho mais modesto, fazia com que sua movimentação fosse linear (tipo Street Fighter), com direito a se abaixar para dar rasteiras e socos baixos, saltos e voadoras (que eu já citei antes).

O jogo abusa muito da repetição de capangas. Estranguladores são mais abundantes. Depois tem lutadores, batedores (com bastão), esfaqueadores, atiradores, motoqueiros… Tirando esse último, o grupo é bem repetitivo, mas um ou outro cenário possuem portas, carros abandonados e outros esconderijos, dos quais algum inimigo pode surgir, mas nada que preocupe muito.

Vai pular daí? Sério?

Não há absolutamente nada que preencha a energia perdida, e os estranguladores não são nada generosos quando se trata de drenar sua vida. Ao ser estrangulado, o jogador deve alternar o direcional entre os comandos direita e esquerda rápida e repetitivamente. Porém, é fácil evitá-los com um salto bem calculado.

Por outro lado, os nunchakus são armas úteis muito úteis, garantem maior segurança, com eles se ataca de longe e se tem grandes vantagens sobre alguns chefes.

Wachaaa!

Devido a uma falha de programação, o segundo chefe (Mad Dog) leva socos baixos a absolutamente qualquer distância. Assim que a luta começar, você pode vencê-lo apenas com esse movimento repetidas vezes, enquanto sua vida se esvai.

Já os chefes das fases 3 e 4 (Macehead e Iron Brian) tem movimentos parecidos e abusam da defesa. Sempre que tiver chance, use os nunchakus contra eles: duas vezes com ataques na defesa, uma vez abaixado, essa terceira sempre resulta em sucesso.

Vigilante é considerado o sucessor espiritual de Kung Fu Master, por ser também um jogo com mecânica muito parecida, também da Irem de 1984. Vigilante é de 1988.

 


O veredito: Vigilante vale a pena?

Apesar das repetições altas entre inimigos, as fases de Vigilante são de um tamanho bom, não chegam a cansar o jogador. E, com apenas 5 fases, não é um jogo longo. E precisava ser longo?

Por se tratar de um dos pais dos jogos de luta que sairiam em seguida, usando Vigilante como modelo, o jogo prova seu valor.

Jogador véio reconhece um bom jogo quando o vê. No caso do Master System, o arcade de Vigilante foi muito bem representado na versão caseira que o Master System tem a oferecer.

O quanto vale a pena? Não só pelo valor nostálgico, mas atravessar a cidade descendo o braço em uma gangue desferindo socos, chutes e voadoras, além de pauladas com nunchakus… isso não perde a graça jamais, pelo menos enquanto a sua execução for bem-feita.

Semana que vem, tem mais luta aqui no dojo.

Não se esqueçam: Nós vamos ao encontro do mais forte!

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