Quando as publicações sobre games ainda davam os primeiros passos no Brasil — e o Véio ainda andava sem bengala —, a edição de estréia da revista Videogame chegou às bancas com a notícia do início oficial da geração 16-bit no nosso país, com o lançamento do Mega Drive.
A revista Videogame foi lançada com ninguém menos do que Mario na capa, cercado de várias chamadas, como "10 conselhos para formar um bom jogador", “a 5ª geração é incrível!", "o ranking dos 10 maiores sucessos no Brasil e no exterior", e, quase no final da página, estava o revelador título:"Mega Drive: nosso "4ª Geração" é o Genesis americano, tem console de 16 bits e jogos espetaculares".
Comparado aos consoles da época, o Mega Drive era muito superior a tudo que já tínhamos jogado por aqui. Nas palavras da revista, "o som é fantástico. A imagem tem definição e cores extraordinárias, em planos que dão a nítida impressão de terceira dimensão sem o uso de qualquer tipo de óculos especial".
O que mais impressionava no Mega Drive, pelo visto, era a sua qualidade gráfica. Ainda segundo a matéria, "Os detalhes, nas cenas de movimentação, são quase perfeitos". Era uma perfeição visual quase sem precedentes. Difícil até de comparar com algo já lançado para os videogames anteriores.
A façanha de trazer o console para o Brasil era da Tec Toy, que produziu um console "idêntico ao Gênesis americano e praticamente o mesmo do mercado japonês", com o “microprocessador Motorola 68.000” com o “processador Z-80”, seus “jogos de até oito mega de memória” e “capacidade para reproduzir até 512 cores".
O Mega Drive parecia ser o maior sonho dos jogadores naquele momento. Todos querendo participar da tão comentada quarta geração de videogames, atraídos, claro, "pelas qualidades gráfica e musical muito superiores aos da terceira geração". Todos queriam um Mega Drive — ainda querem, na verdade. Mas a brincadeira tinha um preço.
Era bom, porém, o jogador se preparar, pois os jogos do Mega Drive, segundo a Videogame, são jogos "de níveis avançados, que exigem muita habilidade do jogador." Mas esse preço, todavia, eu posso apostar que todos estavam dispostos a pagar, pois a primeira leva era cheia de excelentes games, como Michael Jackson's Moonwalker, Super Monaco GP, The Revenge of Shinobi, Super Futebol, Golden Axe, Truxton, Rambo III e Altered Beast.
Era o início de uma das melhores épocas dos videogame, começando bem na nossa frente. Surgia ali uma das principais revistas sobre games e um os consoles mais aclamados pelos gamers brasileiros. Contudo, mesmo descrevendo detalhadamente do que se tratava a revolução dessa nova geração, a Videogame deixava bem claro: "Para sentir essa evolução da terceira para a quarta geração, só jogando"
Chegada com estilo
Era março de 1991, época que os clones de Atari e Nintendinho eram a grande paixão dos gamers brasileiros. Época também que a revista Videogame chegava às bancas pela primeira vez, iniciando uma trajetória de sucesso que ajudou a moldar o mercado de videogames no Brasil e a formar a primeira grande geração de jornalistas especializados em jogos eletrônicos. Naquele ano, revista de videogame era coisa rara, pois o mercado ainda era um mistério para os jornalistas e redatores. Encontrar alguém que entendesse de videogame com idade suficiente para assinar a carteira de trabalho era um desafio. Mas, foi desse cenário repleto de novidades e descobertas que surgiu uma das publicações mais importantes do Brasil.
A revista Videogame foi lançada com ninguém menos do que Mario na capa, cercado de várias chamadas, como "10 conselhos para formar um bom jogador", “a 5ª geração é incrível!", "o ranking dos 10 maiores sucessos no Brasil e no exterior", e, quase no final da página, estava o revelador título:"Mega Drive: nosso "4ª Geração" é o Genesis americano, tem console de 16 bits e jogos espetaculares".
Quarta geração
O começo da década de 1990 foi um período de grandes mudanças para os videogames, como bem retrata a primeira edição da Videogame. Tem matéria sobre quase todas as gerações de console, indo do Atari, passando pelo NES e o Master System, até chegar ao Neo Geo. Mas é na página nº 43 que está uma das grandes novidades da edição. Ao abrir a página, o leitor é surpreendido por o título gigantesco. Nele, estava escrito "QUARTA GERAÇÃO", seguido de um belíssimo console preto ligado a uma TV. Embora alguns sortudos já o conhecessem, outros tantos viram, talvez pela primeira vez, o videogame que deu início a nova geração de videogames no Brasil, como dizia o título seguinte:LANÇADO NO BRASIL O PRIMEIRO GAME DE 16 BITS
Chegava ao Brasil, finalmente, o Mega Drive, console de 16-bit lançado pela SEGA em 1988, no Japão, para concorrer com a Nintendo pela hegemonia do mercado de jogos eletrônicos. E, assim como foi em outros países, o aparelho foi muito bem recebido por aqui, como deixa claro a análise da Videogame.Mega salto
Com tantos aparelhos rondando o mercado brasileiro nessa época, além da pouca informação sobre videogames em geral, a notícia sobre o lançamento do Mega Drive foi bem didática ao explicar o salto dado para a quarta geração. Segundo a notícia, “Os (consoles) de quarta geração trabalham com o dobro de capacidade, ou seja, 16 bits. Por isso, os seus recursos são muito maiores e mais atraentes." Além da evidente melhoria técnica, a forma como chegou ao mercado também tornava o Mega Drive motivo de comemoração para a Videogame. Diferente da maioria dos outros videogames encontrados no Brasil naquela época, o Mega Drive chegava às "lojas especializadas e magazines" de forma oficial, sendo, segundo a Videogame, "um passo para se aproximar das mecas do videogame, como EUA e Japão".
A façanha de trazer o console para o Brasil era da Tec Toy, que produziu um console "idêntico ao Gênesis americano e praticamente o mesmo do mercado japonês", com o “microprocessador Motorola 68.000” com o “processador Z-80”, seus “jogos de até oito mega de memória” e “capacidade para reproduzir até 512 cores".
O Mega Drive parecia ser o maior sonho dos jogadores naquele momento. Todos querendo participar da tão comentada quarta geração de videogames, atraídos, claro, "pelas qualidades gráfica e musical muito superiores aos da terceira geração". Todos queriam um Mega Drive — ainda querem, na verdade. Mas a brincadeira tinha um preço.
Brincadeira cara
As crianças que se animaram para colocar as mãos em um Mega Drive ao iniciarem a leitura da notícia, contudo, teriam dificuldades em convencer os país a comprarem o novo videogame. Segundo a matéria, "como é um console com o dobro da capacidade dos já conhecidos no Brasil, o seu preço também é superior aos dos demais". Mas, para quem estivesse disposto a embarcar na geração 16-bit, a Videogame trazia novidades animadoras. A Tec Toy, além do console, também lançava "10 jogos específicos para o Mega Drive", com previsão de "que até março de 91, outros cinco estejam à disposição do consumidor".E assim fizemos. Jogamos Mega Drive por décadas. Inclusive, continuamos jogando, não é?


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