Review: Empires Apart

por Eduardo Paiva em 29 de março de 2018

Localizado na Itália, o estúdio DESTINYbit é composto por novatos, profissionais independentes e veteranos de guerra. E é através dessa mistura de mentes criativas que está chegando hoje ao mercado Empires Apart, um jogo de estratégia em tempo real (RTS) com temática medieval que tem um único objetivo: resgatar do fundo das nossas lembranças a satisfação que tínhamos em coletar recursos, levantar um exército e partir para a batalha. Glória ou ruína, tudo dependia da agilidade e da capacidade de adaptação do jogador. Mas em um ano que tivemos o relançamento do primeiro Age of Empires, será que este tributo moderno ao gênero merece seu espaço no mercado?

Apresentação

Seguindo a recente tendência de muitos jogos indies, todo visual de Empires Apart foi feito utilizando a técnica de modelagem lowpoly. Nesse tipo de modelagem, o número reduzido de polígonos utilizados para criar objetos 3D resulta nesse visual “simplificado”. A palavra está entre parênteses porque de simplificado não tem nada, mas como as faces e arestas ficam muito mais evidentes, temos a sensação de gráficos quadrados. Entretanto, uma análise mais detalhada prestando atenção no movimento dos personagens e no design das construções e heróis revela todo o carinho e cuidado empregados na criação dessa identidade visual, que não é a primeira escolha quando se trata de jogos de estratégia em tempo real.

A interface de usuário (UI) é um lembrete constante de que você está jogando um game lançado em 2018. Nos menus é minimalista e sem distrações visuais, já in-game é intuitiva e fluída, com as já conhecidas teclas de atalho. Fãs de longa data do gênero vão se sentir em casa. Para se sentir ainda mais à vontade, o jogo disponibiliza a criação de perfis gerais e perfis específicos para cada civilização, podendo mapear todos os comandos de acordo com a preferência do usuário.

A trilha sonora não fica para trás e com canções épicas, nos faz lembrar automaticamente da série Age of Empires. Composições que magicamente nos transformam em exploradores e conquistadores do velho mundo, seja desenvolvendo a economia ou lutando por novos territórios, sempre nos estimulando a evoluir. E já que estamos falando de novas terras, elas podem ser conquistadas guerreando com um dos seis povos disponíveis até o momento.

Civilizações

Cada civilização retratada foi desenvolvida com um estilo de jogo em mente. Sendo assim, temos civilizações focadas na defesa, outras no ataque, etc. Cada uma delas é única e diferente, possuindo suas próprias construções e unidades. São elas:

Os bizantinos são uma civilização equilibrada, com boa economia e exército. Suas unidades de infantaria, em especial, estão entre as mais fortes do jogo. Os inimigos atingidos por esses soldados ganham o status disrupted, que no contexto do jogo pode ser traduzido como quebrado ou interrompido. Já sua cavalaria não fica atrás, sendo uma das mais versáteis do jogo. Todas as unidades montadas possuem a habilidade shock, que causa o dobro de dano no primeiro golpe em inimigos com o status disrupted.

Sua unidade de elite, chamada de Archontopoulos, é do tipo cavalaria pesada e seu herói, Flavius Belisarius, também é montado, contribuindo para toda essa versatilidade.

No que diz respeito às construções, os bizantinos e os franceses são os que mais se assemelham ao que estamos acostumados a encontrar em outros jogos de estrátegia medievais. A oficina de cerâmica (Pottery Workshop), por exemplo, oferece melhorias para os aldeões e fazendas. Já o bom e velho ferreiro (Blacksmith) é responsável pelas melhorias dos soldados e cavaleiros, enquanto que os upgrades para as armas de cerco e fortificações, podem ser encontrados na universidade (University).

As torres bizantinas são as únicas do jogo que podem ser evoluídas duas vezes, enquanto que a maioria das civilizações nem possuem upgrades para essa construção.

Os franceses contam com prósperos avanços tecnológicos e econômicos. O destaque fica por conta de sua cavalaria, que sem dúvida é o ponto forte de seu exército. Todos seus cavaleiros contam com a habilidade charge, que os faz acumular energia enquanto se locomovem. Quando essa energia chega ao limite, o próximo ataque causará dano duplo e também atingirá inimigos próximos do alvo principal.

Em suas fortalezas, suas unidades de elite podem ser produzidas. E elas são nada mais, nada menos do que os cavaleiros templários, ou Templiers. Na mesma construção encontram-se os heróis franceses: Jeanne d’Arc, que garante bônus para as unidades próximas e proteção divina e Roland, bravo guerreiro capaz de se curar sozinho e fortalecer seus companheiros de batalha no momento de sua morte.

As contruções de desenvolvimento francesas como o moinho (Molin), ferreiro (Ferrier) e universidade (Université) possuem funções similares as dos bizantinos, porém, os franceses podem contar com uma variedade maior de armas de cerco, como a mangonela (Mangonneau) e a bombarda (Bombarde).

Os chineses são um povo focado no desenvolvimento tecnológico. A principal fonte de destruição de seus exércitos fica por conta dos besteiros (Crossbowmen), tornando-os uma civilização que evita combate corpo a corpo. Nos seus campos de arco e flecha (Archery Range), dois tipos diferentes de besteiros podem ser produzidos: o Nushou, que está disponível desde o início e o Liannushou, que pode ser liberado um pouco depois e possui menos alcance mas uma cadência de disparos maior.

O herói chinês é o Zhuge Liang, governador estrategista que fornece bônus de produção para as construções próximas e tem a capacidade de invocar soldados para protegê-lo. A unidade de elite dos chineses é mais uma de combate à distância: o Juji Nushou. Possui papel de sniper e tem longo alcance, dano elevado e baixa cadência de disparos.

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Os centros de cidade (Town Center) e locais de armazenamento (Storages) possuem a habilidade chamada Overseer, que garante que seus aldeões depositem 20% mais recursos enquanto ativa, ao custo de 5 pontos de vida de cada um deles. Tal habilidade possui sinergia com Zhuge Liang, que pode dobrar seu efeito. A oficina de cerco chinesa (Siege Workshop) produz duas unidades exclusivas: o engenheiro (Engineer), que é responsável pela construção das armas de cerco e o granadeiro (Grenadier), detentor de ataque em área lançando granadas. Nos templos (Temples), é possível encontrar os monges shaolin, guerreiros poderosos que conseguem curar seus aliados, contribuindo ainda mais para a distinção dessa civilização em relação às demais.

Os árabes seguem demonstrando toda a diversidade que o game tem para oferecer e, focados no conhecimento, também possuem seu estilo próprio de jogo. Seus campos de arco e flecha são capazes de produzir Naft Throwers, granadeiros com ataque em área. De uma forma geral, possuem um exército balanceado, com ótimas opções de combate corpo a corpo, à distância ou montadas.

O diferencial bélico fica por conta de seus Fida’i, os assassinos árabes. Ficam a maior parte do tempo invisíveis, só revelando sua posição ao atacar utilizando a habilidade Assassination, que mata instantaneamente qualquer alvo. O herói tuaregue, Hassan -e Sabbãh, também não fica para trás e é o líder dos assassinos. Se torna invisível ao se locomover e possui a habilidade de desaparecer e reaparecer em algum local próximo, deixando um assassino em seu lugar.

É a única civilização do jogo que pode construir hospitais e treinar médicos para curar seu exército. Em seus templos (Masjid), seus sacerdotes são capazes de converter unidade inimigas,  já seus moinhos (Tahonah) fornecem bônus de 20% em velocidade para aldeões próximos, ajudando-os a colher recursos mais rapidamente. As universidades (Jãmi’a) possuem a habilidade Knowledge, que entre outras coisas, garante uma fonte contínua de ouro.

O povo azteca é focado no combate e todo seu exército evolui através da guerra, ao matar inimigos. Isso significa que você não precisará gastar recursos para evoluir seus guerreiros, garantindo o foco na produção de mais unidades beligerantes. Para acelerar ainda mais o processo, a construção chamada Tlachco garante bônus de velocidade de movimento e colheita para os aldeões próximos. E mais, a infantaria azteca é a única capaz de capturar seus inimigos e torná-los prisioneiros ao invés de matá-los.

As fortalezas aztecas podem produzir duas unidades de elite, ambas de infantaria: os Cuãuhtli e os Cuachic, que antes de morrerem se tornam invulneráveis durante cinco segundos. O héroi azteca, Ahuitzotl, é um poderoso guerreiro que ataca com lanças e inspira os soldados próximos, dando bônus de 30% em seus ataques.

O responsável pelo desenvolvimento econômico é a construção Teocalli Quetzalcoatl, onde a eficiência dos aldeões em coletar recursos pode ser melhorada. Já as melhorias para seu exército podem ser encontradas no Teocalli Tezcatlipoca. Os aztecas não possuem armas de cerco nem torres defensivas, portanto, é uma civilização com um forte início de jogo que acelera o gameplay para liquidar logo a fatura e que pode se complicar em jogos mais demorados, quando os primeiros ataques não forem suficientes para subjugar os inimigos.

A civilização mongól é a que mais se difere das demais em termos de gameplay. Por serem nômades, eles não possuem construções típicas de outros povos, como as casas. Todas as edificações mongóis aumentam um pouco o limite da população (population cap). Outra diferença crucial é que os aldeões não são os responsáveis por construí-las. Esse trabalho fica por conta de uma unidade exclusiva dos mongóis, os Settlers, que se transformam na estrutura desejada, exigindo mais de um settler, dependendo da edificação desejada. É um sistema bem semelhante ao dos zergs de Starcraft, onde as contruções orgânicas da raça são adquiridas através das mutações de suas larvas. A diferença aqui é que todas as construções podem ser desmontadas. Os settlers utilizados são devolvidos, podendo estabelecer a mesma estrutura em outro lugar ou escolher uma diferente, dependendo da necessidade do momento, tornando-os extremamente móveis.

Os mongóis não possuem infantaria e todo seu exército é montado à cavalo, inclusive os arqueiros. Os heróis são: o guerreiro Chinggis Khaan, capaz de se curar quando bate nos inimigos e inspirar unidades próximas e o governador Khubilai Khan, que garante bônus de velocidade de movimento e colheita, entre outras habilidades. Em contrapartida, não há unidades de elite.

Os avanços tecnológicos para as unidades militares ficam na construção Khuraldai Ger e não há nenhuma estrutura para melhoria dos aldeões. Esta civilização ainda conta com uma edificação chamada Örtege, que funciona como uma espécie de checkpoint e garante bônus de movimento para todas as unidades montadas do exército mongól que se encontram em seu raio de alcance. Por sua natureza nômade, eles também não possuem muros e torres de observação, muito menos fazendas e fortalezas. As armas de cerco podem ser construídas da mesma forma que suas construções, utilizando os settlers. A qualquer momento elas podem ser desmontadas e os settlers usados retornam, contribuindo ainda mais para a mobilidade do exército e da civilização de uma forma geral. Assim como os aztecas, os mongóis possuem um bom início de jogo, conseguindo evoluir mais rápido do que outras civilizações, o que os torna muito perigosos nos primeiros minutos de uma partida.

Modos de jogo

Empires Apart nos oferece três modos de jogo diferentes. O tradicional Skirmish, bem conhecido dos jogos de estratégia, onde você pode competir em partidas para até oito jogadores em mapas diversos e com quatro condições de vitória diferentes. O modo Survival te põe no controle de apenas um centro de cidade e seu objetivo é coletar recursos e montar seu exército durante o dia e sobreviver às hordas de inimigos que são enviadas durante a noite. Perder o seu centro de cidade significa perder o jogo. Já no modo Challenge você é posto em situações específicas que exigem o uso de todas as habilidades e bônus de unidades presentes para que saia com a vitória. Infelizmente, não há um modo campanha. Acredito eu, que seja pelo foco ser na jogatina online, mas seria legal jogar com essas civilizações tão diferentes em campanhas históricas.

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Um dos objetivos principais do game é ter um modo online sólido e competitivo e para isso temos dois tipos de jogos: partidas normais não rankeadas para até oito jogadores, seguindo as mesmas regras e opções do modo Skirmish e duelos rankeados. Acredito que com o tempo, mais opções online vão surgir. Pelo cuidado que os desenvolvedores tiveram em equilibrar todas as civilizações e o fato de exisitirem combates rankeados, Empires Apart tem tudo para se tornar mais uma opção na hora de se divertir com os amigos.

Nas semanas anteriores ao lançamento do game, não encontrei lobbies disponíveis para partidas amistosas. Parti então para os combates rankeados e levei bonitas sapatadas em todos eles. Sempre gostei muito de games de estrátegia em tempo real, jogo desde o surgimento de Age of Empires, mas nunca fui muito competitivo. Ficava construíndo muros e planejando onde colocar cada construção enquanto o inimigo aparecia com sangue nos olhos logo nos primeiros minutos de jogo, então não me espanta ser derrotado. O que chama a atenção é ver jogadores com a estratégia afiada, fazendo rush em um jogo que acaba de sair da fase beta. Isso é um ótimo sinal de que as pessoas jogaram e gostaram o suficiente para criar essas estratégias.

Gameplay

O pessoal da DESTINYbit conseguiu achar um equilíbrio muito bom entre a pegada dos jogos clássicos e mecânicas mais modernas, resultando em um jogo agradável e fácil de jogar, ao mesmo tempo que possui complexidade suficiente para ser dominada.

Todo jogo começa com um centro de cidade, três aldeões, um batedor para reconhecer o terreno e aquela sensação que os arredores devem ser explorados para descobrir recursos e evoluir. Comida, madeira, pedra e ouro. Tudo que precisamos para contruir edificações e treinar um exército. Em Empires Apart não existe evolução de eras que modificam o visual das construções. Ao invés disso, foi adotado um esquema mais fluído e versátil. Toda civilização possui dois estágios de desenvolvimento, tanto econômico, quanto militar. E para você atingí-los, basta acumular os recursos necessários e clicar no botão de desenvolvimento que fica no meio da tela, em cima, liberando novas opções de construções e unidades. São eles:

Desenvolvimento Econômico Básico
Ao custo de 400 unidades de madeira, você consegue o primeiro upgrade na sua economia, permitindo erguer um centro de cidade adicional e novas opções de edificação. Além disso, aumenta a linha de visão das construções e adiciona mais pontos de vida e armadura aos aldeões.

Desenvolvimento Econômico Avançado
O custo aqui é de 650 unidades de madeira e 250 de pedra. Permite o levantamento de mais dois centros de cidade e expande mais ainda a linha de visão das construções, também desbloqueando novas opções.

Desenvolvimento Militar Básico
Por 400 unidades de comida você consegue o primeiro upgrade militar, que permite a construção de novas edificações, como o campo de arco e flecha, por exemplo.

Desenvolvimento Militar Avançado
O último estágio de avanço militar custa 650 unidades de comida e 250 de ouro, liberando as últimas opções de construções militares, como as armas de cerco.

O interessante desse sistema é que permite ao jogador focar exatamente no que ele precisa para sua estratégia dar certo. Se você quiser jogar uma partida mais agressiva e ir direto para o ataque, pode focar apenas no desenvolvimento militar, sem ter que construir coisas desnecessárias apenas para desbloquear novas opções. Do mesmo jeito que um jogador mais tecnológico pode fortalecer primeiro sua economia e depois partir para o armamento bélico. Há uma flexibilidade muito boa para todos os tipos de jogadores e que faz com que o jogo se desenrole mais rápido.

Tendo traçado sua estratégia, você pode partir direto para o ataque, seja por mar ou por terra (dependendo do mapa) ou formar alianças e trocar recursos através dos mercados (Markets) antes de se arriscar em confrontos pelo controle e riqueza das terras. Mesmo com gameplay simples, Empires Apart não deixa de lado as opções que surgiram com o tempo e que foram ótimas adições para o gênero como o botão de encontrar aldeões ociosos e o semeio automático de plantações.

Veredito

Respondendo à pergunta do início da análise: Empires Apart mais do que merece seu espaço no mercado. Seus gráficos estilizados e bonitos e o equilíbrio encontrado entre o clássico e o novo tornam este game um forte concorrente a se tornar o favorito da galera na hora de coletar recursos e partir para a pancadaria medieval. Os órfãos da série Age of Empires e que não ficaram contentes com o recente lançamento da franquia, podem encontrar neste game os mesmos elementos que tornaram a série um sucesso, com um toque de modernidade e conforto.

Empires Apart está sendo lançado hoje na plataforma Steam pelo valor de R$55,99 e pode ser comprado clicando aqui!


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