NiGHTS into Dreams (Saturn) – desbravando o céu de Nightopia

Lucas Rodrigues / 1 de maio de 2017 / Análises, Saturn

E nossos sonhos são os protagonistas de uma comovente história gamer novamente. Como visto anteriormente em Alundra, os pesadelos podem trazer terríveis desastres para nossas vidas se não confrontados. Então, apertem os cintos (ou melhor, puxem a coberta e agarrem o travesseiro) porque esta aventura nos levará para o mundo de NiGHTS into Dreams, onde o protagonista deste clássico do Sega Saturn nos ensinará que nenhum medo é capaz de superar suas vontades se estiver disposto a encarar os desafios em busca de seus sonhos.

Claris e Elliot – dois adolescentes em apuros

Claris Sinclair é uma jovem garota que vive na pacata cidade de Twin Seeds. Ela possui uma incrível habilidade musical e sonha em se tornar uma renomada cantora algum dia. Embora seja extremamente talentosa, a confiança (ou a falta dela) está lhe tirando o sono ultimamente. Claris se inscreve para uma seleção que definirá quem será a estrela principal de uma apresentação para comemorar o centenário da cidade e aguarda ansiosamente o dia da audição.

O grande dia chega. O microfone está a postos. As luzes se acendem destacando a bela jovem assustada. Ela hesita por alguns instantes, mas busca toda a coragem que possui e dirige-se lentamente ao centro do palco, preparada para soltar sua bela voz. Nada poderia dar errado. Entretanto, ao abrir a boca, os juízes começam a rir incansavelmente. A garota se espanta, sem saber como reagir. O júri inteiro se transforma em monstros horripilantes, iniciando uma perseguição terrível a Claris, que avista uma pequena luz e corre em sua direção.

O outro personagem que está perdendo o sono chama-se Elliot Edwards, um jovem atleta que se destaca no basquete. Jogando com seus amigos, ele esbanja habilidade em movimentos leves e bem coordenados, mostrando que esportes são a sua praia. O pesadelo tem início quando um grupo de garotos maiores vão ao seu encontro e tomam conta do jogo. Não há mais o que fazer, pois os garotos mais velhos são mais fortes, mais rápidos e não deixam que Elliot e seus amigos joguem mais. Assim como o júri na audição de Claris, os valentões se transformam em monstros e perseguem o pobre adolescente assustado. Novamente a luz no fim do túnel é a única saída para um jovem cheio de medos e incertezas.

Essas experiências não passam de pesadelos; mas, se não controlados, podem trazer sérias consequências para o desenvolvimento de nossos personagens principais.

NiGHTS – o Nightmaren exilado

Criado por Wizeman, o terrível vilão do mundo dos pesadelos, NiGHTS é uma poderosa, simpática e brincalhona criatura que possui a aparência de um bobo da corte pertencente ao mundo dos pesadelos. O protagonista deste jogo simplesmente não concorda com a intenção de seus conterrâneos em acabar com Nightopia, o mundo onde os sonhos se desenrolam, e decide seguir o caminho do bem. Quando o terrível vilão descobre seus planos, decide que o rebelde será preso para que não atrapalhe a disseminação dos pesadelos por todo o mundo.

Para se livrar da prisão, NiGHTS precisará da ajuda de Claris e Elliot. Quando entram em sua prisão de energia dos sonhos, os corpos se unem e NiGHTS fica totalmente livre para voar graciosamente por Nightopia em busca de toda a pureza, crescimento, inteligência e esperança em posse dos Nightmarens.

NiGHTS foi um personagem cuidadosamente desenhado com base em estudos sobre psicanálise. Estudos sobre REM (o estágio do sono mais profundo) e até mesmo sobre a abordagem de seu gênero neutro foram realizados, a fim de trazer uma experiência psicológica perfeita para todos os tipos de jogadores. Até a Teoria da Sombra de Jung faz parte do mundo de NiGHTS into Dreams. Em poucas palavras, a teoria diz que a “sombra” é o lado negro de um ser, e este deve aceitá-la a fim de dominar seus medos e ansiedades (o que acontece com os personagens principais desta trama).

A beleza da jogabilidade

NiGHTS into Dreams é basicamente um jogo de plataforma em 3D. A única diferença para um jogo de plataforma original é a ausência de gravidade. Nesta aventura, o personagem principal precisa voar pelo cenário coletando diferentes objetos para acumular pontos e recuperar as esferas de energia que foram roubadas de Claris e Elliot. Existem 5 esferas (denominadas Ideyas) e quatro delas sempre são afanadas do jovem que entra em Nightopia pelos temíveis Nightmarens.

São elas:

  • Ideya Vermelha – representa a coragem. A única das esferas que não pode ser roubada, pois a coragem é algo que está naturalmente dentro do ser humano e só nós mesmos é que podemos fazê-la florescer;
  • Ideya Branca – representa a pureza, característica necessária para que o indivíduo se mantenha com a inocência de uma criança, e não com a malícia de um corrupto;
  • Ideya Azul – representa a inteligência, o que é extremamente importante para o desenvolvimento do ser humano (afinal, quem não gostaria de ser mais inteligente?);
  • Ideya Verde – representa o crescimento. Todo ser vivo precisa crescer, logo, não se pode ficar sem este tipo de energia;
  • Ideya Amarela – representa a esperança, que pode ser definida como o anseio por dias ou situações melhores. Um ser sem esta característica pode ser comparado a uma criatura morta, pois onde não há esperança, o mal sempre vence e a busca por um futuro melhor se encerra.

O objetivo principal é coletar as Ideyas, derrotar o chefe da fase e partir para o próximo nível. Tanto Claris quanto Elliot possuem três fases exclusivas e uma quarta que é compartilhada entre os adolescentes. Nesta última, não é NiGHTS que voa livremente pelo céu, e sim os próprios personagens, realizando um sonho que praticamente toda criança compartilha (e não sendo um guerreiro do mundo de Dragon Ball, dificilmente você conseguirá sair voando por aí). Também não há um modo de perder vidas nesse jogo. Basicamente, seu único obstáculo será o tempo. Este deverá ser administrado de forma que não acabe enquanto o seu personagem estiver no ar, ou você cairá e deverá recomeçar sua caçada pelas esferas de energia.

Os movimentos dos personagens enquanto estão no ar foram diligentemente estudados através de análises de apresentações do Cirque du Soleil e trazidos para o console de 32 bits da Sega. Várias acrobacias diferentes poderão ser feitas, combinando movimentos e dando ao jogador centenas de pontos extras por cada sutil sequência de giros e cambalhotas aéreas

Análise técnica

Duas qualidades que devem ser ressaltadas nesta obra de arte são os seus gráficos, com uma multiplicidade de cores e formas extasiantes, e uma trilha sonora de se apaixonar. Com hardware superior ao Mega Drive, o Saturn era capaz de trazer um cenário em 3D com renderização e fluidez excepcionais, permitindo que a experiência de voar por Nightopia seja uma aventura inesquecível para a criançada da década de 90 (e para os véios que continuam jogando até hoje).

Para maximizar a experiência de ser um Peter Pan Nightopiano, um controle foi desenvolvido especialmente para NiGHTS into Dreams, com um direcional analógico para facilitar os movimentos do personagem. Steven Spielberg visitou o Sonic Team durante o desenvolvimento do jogo e, fora o próprio time de desenvolvimento, foi o primeiro a testá-lo. Yuji Naka queria que Spielberg testasse o controle em fase de produção e, mais tarde, ele ficou conhecido como o “controle do Spielberg”. Algumas cópias do jogo foram vendidas com este joystick especial, que chegou a ser apontado como um grande sucesso pelo time de desenvolvimento.

Legado

NiGHTS into Dreams foi um dos jogos mais aclamados pelos Seguistas, sendo apontado como o melhor jogo para o Saturn por vários. Obteve média de 89% através do Game Rankings, 9,8 de 10 na Sega Saturn Magazine japonesa, 96% na Sega Saturn Magazine do Reino Unido, 8,7 na IGN, entre muitas outras avaliações. O jogo também ganhou destaque em várias listas de melhores jogos por anos e ganhou algumas outras versões, como o especial Christmas NiGHTS into Dreams, também lançado para o Sega Saturn, e NiGHTS: Journey of Dreams, para o Nintendo Wii, já que a Sega acabou parando de fabricar consoles (para nossa tristeza).

O mascote da Sega também fez aparições em dezenas de outros jogos, como em Sonic Adventure (em Casinopolis) e Sonic Adventure 2 (nas fases City Escape e Radical Highway). Em ambos os jogos é possível criar chaos que se assemelham a NiGHTS.

E as aparições do pequeno mascote do Saturn não param por aí. Ele também pode ser encontrado em diversos outros jogos e console, como em Sonic Pinball Party (GBA), Sonic Shuffle (Dreamcast), Billy Hatcher and the Giant Egg (Gamecube), Sega Superstars (PS2), Phanstasy Star Online (Dreamcast) e continua a aparecer em vários outros clássicos da Sega para os consoles mais novos (que nós até gostamos, mas preferimos os véios mesmo). A aparição de NiGHTS pôde ser notada até mesmo nos quadrinhos: um crossover entre personagens do mundo de Sonic e de Mega Man, onde Tails recruta vários personagens para lutar contra Sigma.

NiGHTS into Dreams abre as asas de sua imaginação

Com a “morte” precoce dos consoles de 32 bits da Sega, infelizmente NiGHTS into Dreams não teve todo o prestígio que merece ao longo dos anos. Esta deidade dos anos 90 com certeza foi uma experiência prazerosa para a molecada que vivia enfurnada nas locadoras. Como a tecnologia ainda não tinha avançado tanto (comparamos ao que temos atualmente), as asas de nossas imaginações era tudo o que precisávamos para sermos felizes. Aqueles gráficos “realistas” eram o suficiente para satisfazer a ânsia por novas aventuras.

Agora, imagine se a Sega resolve criar um remake de NiGHTS into Dreams utilizando recursos de realidade virtual. Só tenho uma coisa a dizer:

Vídeo

NiGHTS into Dreams – Gameplay (Fonte: World of Longplays)

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